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by Edward del Rosario, 2004
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terça-feira, 5 de março de 2013
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
mais sobre televisão
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| imagem de http://dtxmcclain.tumblr.com/ |
Até que o(a) xingador(a) tinha razão. Tenho reclamado, resmungado, arengado, criticado, apontado defeitos demais em tudo - no Cinema Nacional, na obra de Niemeyer, em quem escreve errado, nos programas da televisão e até na presidenta Dilma.
Nunca neguei. Sou da geração que aprendeu que a televisão (ou a religião?) era o ópio do povo. Ela promoveu a alienação utilizada pelo Dragão-Vampiro da Maldade para sugar a última gota do sangue do proletariado e engordar a pança da insaciável Classe Dominante.
Exagero. Mas eu nunca fui porta-voz da unanimidade. Muitas vezes, como diz o chavão, fui bandeira solitária contra a corrente. Nasci com olho virado, ou seja, olho que enxerga além do bom das coisas. O típico fleumático da homeopatia. O depressivo da psiquiatria. O inconveniente dos eventos sociais. O chato da cervejada da sexta-feira.
Talvez pela falta de costume, enxerguei isolado do contexto. Achei belo, intenso e profundo o que vi no programa do domingo: a passista sambando impecável com uma perna de prótese tatuada e de salto alto. O pai que inventou um mecanismo para jogar futebol com o filho com problemas de locomoção. A moça que não gosta de ser chamada de anã vestida de lantejoulas e sambando com o filho e o namorado. A simplicidade da arremessadora de disco agradecendo a deus por ter perdido a perna e com isso conseguido dar uma casa para a mãe. Gostei também da sinceirdade otimista da presidenta. Mesmo que exagerada. E da seriedade com que a diretora do Sarah conduz o trabalho no hospital.
O que me incomodou no programa Esquenta - e por extensão, na Televisão foi (e é) a massificação. A pasteurização. A carnavalização excessiva.
A televisão tem o poder de potencializar. De bombardear informação e imagem. Isso neutraliza, pulveriza qualquer boa intenção. E me deixa tonto, me exaspera, me hipnotiza, me dispersa e não me faz pensar. Definitivamente eu não tenho vocação para telespectador.
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Agora só falta o texto para reclamar das festas natalinas. Depois eu prometo ficar de boca fechada.
domingo, 9 de dezembro de 2012
necrológio atrasado
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| Praça da Soberania |
Todo mundo escreveu sobre Niemeyer no dia da sua morte. Toneladas de elogios.
Eu também escrevi. Um texto ranzinza, implicante, do-contra, chato, estraga-prazer, reclamão. Por isso eu o guardei nos rascunhos. Agora que o assunto deixou de ser manchete, aí vai.
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Niemeyer foi um dos grandes homens do século. Um herói brasileiro. Humanista. Comunista. Ateu. Sua arquitetura monumental é pura poesia de formas e linhas curvas. Trabalhou até os últimos momentos, aos quase 105 anos de existência. Levou a arquitetura brasileira, junto com o samba, a bossa-nova e o futebol para o resto do mundo admirar.
Isso foi dito e redito, escrito e reescrito, até a exaustão. No rádio. Na tevê. Na internet. Nas revistas e nos jornais: do Le Figaro ao Washington Post, do El País ao Corriere Della Sera, do Estadão ao Diário de São Raimundo Nonato.
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Meu pai foi candango. Veio trabalhar na construção de Brasília, em 1957. Na certa trabalhou em algum dos edifícios-monumentos de Niemeyer. Meu tio perdeu a mão em outro deles. Assim, sou daqueles brasilienses que, como disse um político daqui, respiro Niemeyer, tenho Niemeyer no sangue.
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100% das matérias que li (e ouvi) elogiavam a arquitetura poética de Niemeyer. Citando: Palácio da Alvorada, 3 Poderes, Catedral, Igreginha, em Brasília; Pampulha, em Belo Horizonte; Ministério da Educação (hoje Gustavo Capanema), no Rio de Janeiro; Edifício Copan em São Paulo; e inúmeros outros.
Mas todos calaram-se sobre as obras polêmicas. É natural. Os defeitos dos mortos são rapidamente esquecidos e as qualidades ressaltadas.
Admito, leitor: a partir daqui eu me exponho aos impropérios e ao apedrejamento estético-ideológico. Por entrar no campo do gosto pessoal.
Niemeyer (como humano que foi) também teve seus defeitos. Também criou obras de estética duvidosa. Ruins mesmo.
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Algumas obras polêmicas de Niemeyer têm sua graça. Transitam no grupo das grandes citadas acima. Exemplos? a Passarela do Samba, no limite do aceitável; o Museu da República, pesadão, mas integrado à paisagem sci-fi de Brasília: (Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. - Clarice Lispector); o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, ferindo ou harmonizado com a paisagem; o Museu de Arte de Curitiba, olhão desajeitado, tanto por dentro quanto por fora, mas instigante.
No entanto, tem muita obra que, mesmo com boa vontade, pouca gente consegue defender: os "vulcões"do Centro Cultural de Le Havre, na França; a mão sangrando do Memorial da América Latina, em São Paulo; a "tulipa do cerrado" da Torre Digital; as linhas retas destoantes, hoje encobertas pelas árvores, do hotel em Ouro Preto; e basta.
(Ia me esquecendo do projeto da grotesca Praça da Soberania, contendo, dentre outros, o memorial dos presidentes e um obelisco de 100 metros que, graças a um grupo de arquitetos e cidadãos brasilienses, teve sua construção vetada).
Não que seja culpa do arquiteto. A fama internacional, a competência, a maestria, a produção incessante, as articulações políticas, o discurso, a respeitabilidade da idade, a ocasião, a demagogia, tudo foi motivo para Niemeyer projetar. Foi convidado pelos governantes e aceitou. Quem não aceitaria?
Mas, em se tratando de obra pública, de monumento para a posteridade, de patrimônio histórico, a hegemonia Niemeyer não se justifica. Por que sempre ele? não se deveria consultar antes especialistas? trazer a discussão a público? chamar gente nova? promover concursos, como o próprio, junto com Lúcio Costa ganharam para construir Brasília? perguntar se a população quer e concorda?
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Não quis em nenhum momento denegrir Niemeyer. Reafirmo sua genialidade. O arquiteto foi o máximo. E, humano, além de maravilhas, também legou criações infelizes.
Passear pela primeira ou milionésima vez, à noite, no Eixo Monumental, da Rodoviária até a Praça dos 3 Poderes é um deleite para o olhar. Uma epifania clariceana. Porém, é uma agressão para o mesmo olhar tropeçar, até o fim dos tempos, na feiosa e desproporcional Torre Digital.
Concluo, então, com uma prece agnóstica aos deuses (?): que Oscar Niemeyer descanse em paz. Que seja eterna e que inspire as gerações futuras a beleza e a harmonia das curvas dos edifícios-esculturas dele. E que livrem Brasília do desengavetamento do projeto da Praça da Soberania.
sábado, 17 de novembro de 2012
butoh no parque 3
(Clorofeelings, resultado de oficina, Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012)
butoh no parque 2
(Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012)
butoh no parque 1
Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012
domingo, 11 de novembro de 2012
imagens do sábado (gormley-ccbb) 6
(fotos de "critical mass II", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
imagens do sábado (gormley-ccbb) 5
(fotos de "critical mass II", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
imagens do sábado (gormley-ccbb) 4
(fotos de "critical mass II", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
imagens do sábado (gormley) 3
(fotos de "four times", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
imagens do sábado (gormley) 2
(fotos de "four times", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
imagens do sábado (gormley) 1
(fotos de "four times", do artista londrino antony gormley, parte da exposição "corpos presentes", no ccbb brasília)
sábado, 20 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
o espelho
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| (foto: Mila Petrillo) |
O espectador senta-se diante do espelho. Ele vê, nítido, o quarto refletido no vidro. Ouve bolhas, cigarras, pios, música das estrelas. Mais nada. A não ser o espaço vazio onde ele deveria se refletir.
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De acordo com o Dicionário dos Símbolos, especular era observar o céu e os movimentos das estrelas com o auxílio de um espelho (speculum). Sidus (estrela) deu considerar, que significa olhar o conjunto das estrelas.
Então: diante do espelho o espectador especula. Para considerar. Será ele a silhueta difusa, aquele que não se vê no vidro? Ou será ele também a sequência de Outros, os personagens-Eu que surgem e ocupam o lugar do reflexo, do outro lado do espelho? Eles misturam-se. O espectador defronta-se com a impossibilidade de distinguir. E se embaça ao considerar sobre o espelho.
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O conto “O Espelho”, de Machado de Assis, é o ponto de partida para a instalação concebida por Simone Reis e Iain Mott. Trata-se de uma estória dentro da estória. Cinco senhores cinquentões especulam sobre a consistência da alma. Segundo Jacobina, que narra um episódio de seu passado, cada ser humano possui duas almas: uma que olha de dentro para fora e outra que olha de fora para dentro.
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O Espelho é um espetáculo. No sentido de Farsa, Teatro, Encenação. Ver e ver-se – e quem sabe, refletir-se por meio de símbolos, códigos, imagens, sons, palavras, disfarces articulados, no ator, performer, encenador – o Outro.
Também é circo, é burlesco. Pois apesar da tecnologia sofisticada, Iain Mott faz surgir os personagens-Eu criados por Simone Reis por meio do jogo de vidros/espelhos chamado pepper-ghost, utilizado no teatro inglês do século XIX e nas apresentações da mulher-gorila dos circos e dos parques de diversão.
(O burlesco e circense foram captados ereproduzidos com maestria na cenografia de Nelson Maravalhas).
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Por falar em Mulher-gorila...
Seriam os personagens-Eu de Simone Reis desdobramentos polidos, adestrados, educados, adequados, sobrepostos e humanizados da burlesca mulher-gorila que habita o espectador? O vidro-jaula que separa o espectador do monstro há de conter a fúria de Monga, caso falhe algum comando na casa das máquinas que funciona nos fundos da instalação?
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Ao adentrar a instalação, o espectador não deve cometer o mesmo erro da estouvada Alice, de Lewis Carroll, de impor as suas próprias razões ao aparente disparate que prevalece do outro lado do espelho.
Da mesma forma que rainhas, sufis, santas, divindades, cangurus salteadores, suicidas – e tantos outros personagens-Eu podem não ser apenas aquilo que aparentam, a lógica de O Espelho pode estar disposta em camadas e mais camadas de i-lógica.
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Ao invés do espectador perguntar ao espelho (como a madrasta má): “existe alguém mais bonita do que eu?”, são os personagens-Eu questionam a vaidade, os valores, os medos, os rompantes, a sanidade mental do espectador. São eles que perguntam: “você acha que eu sou louca?” “Você me acha bonita?”
O Espelho é puro teatrinho. Brincadeira de criança. Jogo ao qual Simone Reis e Iain Mott convidam o espectador a participar. O espectador não é mais um dos cinquentões do conto de Machado. É criança a transformar a realidade palpável: usa a coroa de cartolina e papel laminado da rainha, da santa; fuma o charuto-de-alface do magnata; veste o cobertor velho virado em manto sagrado; percute as castanholas-chocalho de bebê; disfarça-se com óculos, nariz e bigode postiço; atira com revólveres de espoleta e provoca suicídios, assassinatos, golpes de estado, revoluções.
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Em O Espelho fica evidente a maturidade da atriz e performer Simone Reis. Ao compartilhar a direção com Iain Mott, combinam-se o arrebatamento e a fleuma com resultado surpreendente. As contradições aparentes são recobertas por uma camada delicada de poesia. Quase luz. Quase aura.
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Zé Celso Martinez coloca Simone Reis no patamar das cômicas-zen Regina Casé e Dercy Gonçalves: O espectador-eu ampliaria a lista. Com os nomes das eternas juradas da tevê brasileira, referenciais estéticos e antifilosóficos com quem Simone Reis certamente aprendeu, diante de outra tela/espelho: Elke Maravilha; Aracy de Almeida; Wilza Karla; Márcia de Windsor; Maria Alcina. Cada uma segurando um lírio branco (ou uma rosa vermelha ou amarela, de plástico) distribuída pelo rabugento Pedro de Lara.
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Para concluir, o espectador pode recorrer ao sufismo e ao Tao: o espelho é o atributo da rainha. O homem se utiliza do homem como espelho.
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(O Espelho é uma instalação teatral mostrada na Galeria de Artes Van Gogh, em Sobradinho, de 21 de setembro a 21 de outubro, e no Foyer do Teatro Newton Rossi, em Ceilândia, de 26 de Outubro a 26 de Novembro).
sexta-feira, 18 de maio de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
domingo, 25 de março de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
rita lee, polícia, cannabis, recuerdos do passado próximo
Li outro dia que Rita Lee se aposentaria dos palcos. Pop star também tem direito. 65 anos de idade, mais de 35 de exercício da profissão. Como qualquer trabalhador brasileiro. Só estranhei o local do show da despedida: a pacata e tímida Aracaju. Registrei. E não pensei mais sobre o assunto.
Quando, ontem à tarde, li um post indignado no Facebook. Sobre a truculência policial. Onde? No último show de Rita Lee. Em Aracaju. Reli. Impulsivo, rascunhei um comentário. Cinco palavras de pleno apoio à indignação da postulante.
Mas deletei em seguida. Por causa de um conselho da amiga X. Que todos conhecem e a maioria já segue: pensar dez vezes antes de abrir a boca ou de teclar nas redes sociais. Para não engolir mosca.
Antes de retomar o comentário ao post eu procurei me informar. Prós & contras. Nota oficial do governo sergipense. Matérias defendendo Rita. Gente apontando a caretice. Gente se defendendo da acusação de caretice. Gente falando em liberdade de expressão. Gente chamando Rita de emaconhada. Gente denunciando a apologia. O circo www pegava fogo.
Polícia é sempre polícia. Não adianta contemporizar. São trabalhadores, sim, como todos nós. Basicamente com obrigação de assegurar a tal liberdade de expressão. O direito de ir e vir do cidadão. Da mesma forma como a obrigação de Rita é cantar. Ou a nossa, reles mortais, de produzir para o desenvolvimento da nação.
Porém a polícia aracajuana (ou aracajuense?) exagerou. Os dois lados da moeda pelo Youtube. 1: Rita fora de si, virada em um tetéu, chamando os polícias para briga. 2: os capacetes brancos, ostensivos, intimidando a plateia, antes e durante o discurso de Rita.
Maconha? Em um show de rock? Em um festival de verão na praia? Na pacata e tímida Aracaju? Não sejamos ingênuos. A galera fuma até em show da Xuxa ou da Sandy ou do Júnior.
Gostei do discurso de Rita. Um quê saudosista. Dispensaria os chingamentos. Afinal, Rita é uma mulher pública. Manifestando-se em publico. Porém perdoáveis. Dada a neura assumida (sou paranóica com polícia), a despedida em si (esse show é meu) e a natural e irônica senioridade (sou mãe de três filhos. Tenho sessenta e sete anos).
Não que eu goste de maconha. Fumei e traguei na adolescência. Como 99,9% da minha geração. Desde aquela época achava uma chatice. As sacações inteligentes. A potencialização da percepção. A harmonia com os elementos da natureza. O extrassensorial. A sociabilização. Etc.
Pura balela no meu caso. Nada rolava. No máximo depressão, paranoia e pensamentos autodestrutivos. Vontade de dormir. Bad trip. Até hoje eu enjôo com o cheiro. E admito a caretice: fumar maconha é um hábito anacrônico, dispensável e inadequado.
No entanto, defendo com unhas e dentes a descriminilização. Como defenderia qualquer um dos direitos (livre expressão, livre arbítrio, livre trânsito) já mencionados nos parágafos anteriores. E pretensamente questionados pelas autoridades sergipanas.
Quanto à Rita, eu sempre gostei. Como se gosta dos ícones de uma época. Ouvia Rita desde os Mutantes. Tive discos. Assisti a shows. Sei a letra de Ovelha Negra de cor. Dancei as músicas de gosto duvidoso dos anos 90 (que tal nós dois numa banheira de espuma)?
Queria ter estado em Aracaju naquela noite. Ter testemunhado o surto paranóico da avó do rock brasileiro. Os impropérios. Os perdigotos pronunciados sem papas na língua. O dragão vomitando fogo. Contra a ameaça policial. Ter vaiado a intromissão dos capacetes brancos. Ter visto Rita saindo presa. Talvez ter seguido junto com a massa, o camburão até a delegacia. Estandarte empunhado. Palavra de ordem na garganta. Coração taquicárdico.
Teria sido um revival. De tempo do qual eu só peguei a rebarba. Tempo diferente deste, politicamente correto. Tempo nem tão velho assim, em que a mediocridade, a imbecilidade, a intransigência, a estreiteza de visão ditavam as regras. Para constatar que esse nosso mundo, quase sempre, não passa de uma pacata e tímida Aracaju. E que aquilo era rock'nroll.
Quando, ontem à tarde, li um post indignado no Facebook. Sobre a truculência policial. Onde? No último show de Rita Lee. Em Aracaju. Reli. Impulsivo, rascunhei um comentário. Cinco palavras de pleno apoio à indignação da postulante.
Mas deletei em seguida. Por causa de um conselho da amiga X. Que todos conhecem e a maioria já segue: pensar dez vezes antes de abrir a boca ou de teclar nas redes sociais. Para não engolir mosca.
Antes de retomar o comentário ao post eu procurei me informar. Prós & contras. Nota oficial do governo sergipense. Matérias defendendo Rita. Gente apontando a caretice. Gente se defendendo da acusação de caretice. Gente falando em liberdade de expressão. Gente chamando Rita de emaconhada. Gente denunciando a apologia. O circo www pegava fogo.
Polícia é sempre polícia. Não adianta contemporizar. São trabalhadores, sim, como todos nós. Basicamente com obrigação de assegurar a tal liberdade de expressão. O direito de ir e vir do cidadão. Da mesma forma como a obrigação de Rita é cantar. Ou a nossa, reles mortais, de produzir para o desenvolvimento da nação.
Porém a polícia aracajuana (ou aracajuense?) exagerou. Os dois lados da moeda pelo Youtube. 1: Rita fora de si, virada em um tetéu, chamando os polícias para briga. 2: os capacetes brancos, ostensivos, intimidando a plateia, antes e durante o discurso de Rita.
Maconha? Em um show de rock? Em um festival de verão na praia? Na pacata e tímida Aracaju? Não sejamos ingênuos. A galera fuma até em show da Xuxa ou da Sandy ou do Júnior.
Gostei do discurso de Rita. Um quê saudosista. Dispensaria os chingamentos. Afinal, Rita é uma mulher pública. Manifestando-se em publico. Porém perdoáveis. Dada a neura assumida (sou paranóica com polícia), a despedida em si (esse show é meu) e a natural e irônica senioridade (sou mãe de três filhos. Tenho sessenta e sete anos).
Não que eu goste de maconha. Fumei e traguei na adolescência. Como 99,9% da minha geração. Desde aquela época achava uma chatice. As sacações inteligentes. A potencialização da percepção. A harmonia com os elementos da natureza. O extrassensorial. A sociabilização. Etc.
Pura balela no meu caso. Nada rolava. No máximo depressão, paranoia e pensamentos autodestrutivos. Vontade de dormir. Bad trip. Até hoje eu enjôo com o cheiro. E admito a caretice: fumar maconha é um hábito anacrônico, dispensável e inadequado.
No entanto, defendo com unhas e dentes a descriminilização. Como defenderia qualquer um dos direitos (livre expressão, livre arbítrio, livre trânsito) já mencionados nos parágafos anteriores. E pretensamente questionados pelas autoridades sergipanas.
Quanto à Rita, eu sempre gostei. Como se gosta dos ícones de uma época. Ouvia Rita desde os Mutantes. Tive discos. Assisti a shows. Sei a letra de Ovelha Negra de cor. Dancei as músicas de gosto duvidoso dos anos 90 (que tal nós dois numa banheira de espuma)?
Queria ter estado em Aracaju naquela noite. Ter testemunhado o surto paranóico da avó do rock brasileiro. Os impropérios. Os perdigotos pronunciados sem papas na língua. O dragão vomitando fogo. Contra a ameaça policial. Ter vaiado a intromissão dos capacetes brancos. Ter visto Rita saindo presa. Talvez ter seguido junto com a massa, o camburão até a delegacia. Estandarte empunhado. Palavra de ordem na garganta. Coração taquicárdico.
Teria sido um revival. De tempo do qual eu só peguei a rebarba. Tempo diferente deste, politicamente correto. Tempo nem tão velho assim, em que a mediocridade, a imbecilidade, a intransigência, a estreiteza de visão ditavam as regras. Para constatar que esse nosso mundo, quase sempre, não passa de uma pacata e tímida Aracaju. E que aquilo era rock'nroll.
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