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sábado, 9 de abril de 2011
Dia a dia em gerúndio (1290)
hippies bárbaros rompendo as muralhas da cidadela ao amanhecer / todo mondo a su manera bailando la cumparsita / bandolero gitano / balada fúnebre para 12 pétalas da flor de lótus / amor de espinho alastrando-se pela caixa torácica / doce de leite nas trompas de falópio / minha massa encefálica esfriando em tigelinhas de sopa / serenata furtacor / colcha de retalhos / roendo os ossinhos da cauda da literatura clássica / dragão sagrado / adjetivo / advérbio / locução adverbial / ajoelhando-me diante da virgem dos sapatinhos de cristal / sob a chuva de meteoritos / na belém-brasília da teogonia / como ia dizendo roberto piva / esquiando com emília nos anéis de saturno / engolindo em seco para não chorar / recebendo mensagens psicografadas do marido morto / o além é logo ali / esperando telefonemas intergaláticos / sexo fastfood às 4 da manhã / voyeur no mictório do shopping / fodendo de pé nas ruinas de pompeia / na amurada do viaduto / ejaculando nos carros passando em baixo / caminhando de pés descalços no chão de cacos de vidro / assistindo o mundo esvair-se pelo ralo / descendo as escadas da esquizofrenia / abrindo as portas do sótão do subconsciente / percorrendo correndo os corredores de silêncio / revisitando jards macalé e sigmund freud / premindo o botão de descarga do mundo
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Dia a dia (0187 a 0195)
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| scienceblogs.com.br |
187. tráfico de ópio na época dos faraós / bola voadora dispara raios no céu da índia / vanusa babilônia chefia rede de aliciamento e prostituição
191. pelo 7o dia consecutivo / exterminadores raides bombardeiam praga / dresden / saltzburg / bavária romênia / danúbio / volga / líbia / iraque / hiroshima / afeganistão / nuvens negras de ódio e rancor sobre a palestina / nuvem marrom de dejetos industriais sobre a ásia / nuvem prateada de bombardeiros sobre os civis / ilha de garrafas pet / e sacos de supermercado / no meio do oceano atlântico / terremoto / maremoto / tsunami / chuva ácida / contaminação radioativa / arruda / sal grosso / passe de preto velho / banho de rosa branca no mundo
195. shakespeare / soneto 138 / quando a amada jura que é feita de verdade / eu acredito / sabendo que ela mente / o melhor hábito do amor / é simular confiança / nelson sargento / nosso amor é tão bonito / ela finge que me ama / e eu finjo que acredito / samba do crioulo doido sob a sombra de agripino de paula / a horda dos espíritos malditos / mautner / macalé / glauco mattoso / arnaldo batista / wally salomão / roberto piva / guerra na Colômbia levanta pó dos séculos
Dia a dia (0123)
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| news.bbc.co.uk |
123. saparmurat niyazov / presidente vitalício do turcomenistão / até a sua morte / em 2006 / construiu gigantesco lago artificial / no deserto / cercou o lago por floresta de ciprestes / em cujo centro / ergueu um palácio de gelo / com pista de esqui / e pirâmide de 40 metros de altura / e estátua em ouro / 6 vezes maior que ele mesmo / em praça da capital / com base giratória / acompanhando o movimento do sol / decretou a divisão da vida em 12 ciclos / estendeu a adolescência até os 25 anos / o início da velhice aos 85 / dos 25 aos 37 a juventude / a idade madura dos 37 aos 49 / a fase correspondente à idade dele / 62 anos / à época do decreto / passou a ser chamada / ciclo da inspiração / mudou o nome dos meses / para nomes de parentes / da mãe / dele próprio / e de heróis populares
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Dia a dia (0079 a 0091)
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| Foto de Fernando Salgueiro, no blog http://br.olhares.com |
80. pompeia /ficou soterrada / até o século xvi / quando operários / que construíam um aqueduto / encontraram as primeiras ruínas / cadáveres petrificados/ ladrões sobre o muro prestes a assaltar / mãe amamentado o respectivo bebê / cão preso na corrente / jovens fugitivos / parados no tempo / ruas / praças / templos / termas públicas / tavernas / quitandas / residências / estátuas de mármore / e bronze / afrescos / objetos variados / relíquias
81. segundo eugenia ricotti / historiadora romana contemporânea / os pompeianos acordavam cedo / comiam pão / carne / queijo / ao meio dia uma refeição leve / às quatro da tarde / depois de uma sauninha nas termas públicas / muito bem frequentadas / ceava-se / fibra / carboidratos / azeitonas / avelãs / nozes / tâmaras / frutas secas / lentilha / ervilha / grão-de-bico / cevada / trigo / polenta / sopas / ensopados / cozidos / grelhados / assados / frutos do mar e da terra / sorvete feito de neve do jardim / ou das montanhas / vinho / diluído em água fria ou quente
91. faltam 10 minutos para as lavas do vulcão alcançarem o décimo-segundo andar / e começarem a queimar meus pés
sábado, 2 de abril de 2011
Dia a dia (2077 a 2222)
77. objetos primitivos dotados de enorme carga emocional / poder espiritual / fragmentos de ossos dos santos / de animais extintos / penas de aves / espinhas de peixes das profundezas
93. espelho convexo do espírito / materialização do inefável / palavras-código / mantras tecnológicos / profecias / curandeiros / xamãs
109. cavalos de ogum galopam no vermelho da tarde / reclusão dos guias / cachaça e café amargo frio / incenso / espirais de fumaça evolam do templo / pétalas / caixão de mogno / com alças acobreadas / e cravos de bronze
135. ebó / nome bordado / costurado em coração de boi / enterrado na encruzilhada / na porta do cemitério / à meia-noite / Pape Satàn, pape Satàn aleppe.
189. virgem azul / envolta em nuvens metálicas / incandescentes / no trânsito da manhã / deuses pagãos em todas as esquinas
198. chovia suor / do deus que flutuava / acima da minha cabeça
222. vocabulário onomatopaico da fé / e microfones / e câmaras de vídeo / e digitais / e palanques nos teatros / e cinemas desativados / e multidão que ulula
93. espelho convexo do espírito / materialização do inefável / palavras-código / mantras tecnológicos / profecias / curandeiros / xamãs
109. cavalos de ogum galopam no vermelho da tarde / reclusão dos guias / cachaça e café amargo frio / incenso / espirais de fumaça evolam do templo / pétalas / caixão de mogno / com alças acobreadas / e cravos de bronze
135. ebó / nome bordado / costurado em coração de boi / enterrado na encruzilhada / na porta do cemitério / à meia-noite / Pape Satàn, pape Satàn aleppe.
189. virgem azul / envolta em nuvens metálicas / incandescentes / no trânsito da manhã / deuses pagãos em todas as esquinas
198. chovia suor / do deus que flutuava / acima da minha cabeça
222. vocabulário onomatopaico da fé / e microfones / e câmaras de vídeo / e digitais / e palanques nos teatros / e cinemas desativados / e multidão que ulula
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Dia a dia (2101)
santo budista da ordem do chapéu preto / nossa senhora dos pretos / cores mágicas dos espíritos elevados / virgem branca do pântano / bruma que vem do além / espíritos de luz na carnavália / anoitece quando o exu trancarrua estende a capa /zé do caixão na balaustrada do palácio da marquesa de santos / homem-aranha na torre da paulista / mulher-maravilha lança escudo de invisibilidade sobre a 25 de março / broquéis de cruz-e-souza / amor de capa e espada / desfile de deuses e deusas no palanque oficial do clube dos quarentões bem sucedidos / high society quatrocentão no debut da barbie / 4 mil fitas vermelhas na cerração / amanhã eu continuo / hoje eu continuo / ontem eu continuo / desconectado do universo / engastar as palavras como mosaico / subindo pelas escadas de serviço da literatura contemporânea
Dia a dia 2725 (sebastião /mishima / anaïs)
telefonema do garoto no cio às 3 da manhã / interrompendo o beijo do príncipe encantado do sonho / vontade continuar dormindo / atravessando o adro vestida de branco / sobre lajes de sepulturas / ordenhando a vaca do espírito / mussorgski no rádio ao meio-dia / leite / manteiga / qualhada / iogurte / aquário de peixes de cristal / ácaros e rock’n roll nos lençóis de hefestos / filhotes de cérbero choromingando às 6 da manhã / mulato assanhado / sapateando na tampa do caixão da noiva virgem / trancarrua incorporado no garoto de programa / lírio branco acompanhando a curva dos cabelos viris / lírio branco para maiores / barulho do mar no peito do amado
quinta-feira, 31 de março de 2011
dia a dia (2024)
galinha d'angola cacareja de madrugada no telhado / doce de casca de laranja / jornal de ontem / de anteontem / da semana passada / guerra no deserto / e desastres naturais no oriente / música cigana no som do carro / roberto carlos a 200 km por hora / projeto para viveiro de tartarugas / projeto para a captura da galinha d'angola no telhado / projeto para decoração do quarto do neto / projeto de trabalho para a o próximo milênio / marulho oculto pela névoa / à procura da beleza desde a manhã de sábado / camada translúcida de manteiga / escrevendo aos trancos / tocado por manivela / dor nas costas / vista cansada / pau mole / saco cheio
quarta-feira, 30 de março de 2011
Hockney
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| Portrait of an Artist (Pool with two figures) David Hockney, 1972 |
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em volta do aero willys rabo de peixe / parado na porta da mercearia / da cidade de interior / rapazes desocupados / rapazes louros / rapazes morenos / vestidos com jaquetas de couro pretas / pulôveres gola alta em cor pastel / calças jeans justas / sapatos pretos / e topetes duros de brilhantina / lustrosos como a lataria do carro / em busca de trocado fácil / de convite para um banho de piscina / com direito a martini com azeitona / e quem sabe um ou dois pernoites / sobre os travesseiros / na cama do empresário / jornalista / fazendeiro bonachão
2
2
vestido de terno de linho branco / chapéu panamá / na poltrona de vime / à mesa posta do café da manhã / na varanda / o fazendeiro / empresário / jornalista bonachão / se deleita / com os mergulhos / splash / alegria das vozes / corpos brilhando / espargindo água / gotas de água / entre os pêlos molhados / dourados / louros / escuros / corpos emoldurados / pela água / pelo céu / azuis / pela claridade / volumes dos calções de banho / preenchendo de desejo / a manhã
terça-feira, 29 de março de 2011
Historinha desagradavel antiga
uma menina / de 7 anos / escapou do cativeiro / roendo a fita adesiva /que lhe fechava a boca / arrombou a porta do sótão / em que a mantinham presa / quebrou a vidraça / gritou a 2 crianças que jogavam bola / na rua / que avisaram a polícia / isso tudo com os sequestradores dentro da casa / o sequestro tinha sido planejado / para obter o dinheiro do seguro / do tio / da menina de 7 anos / assassinado anteriormente / pelos próprios sequestradores / a menina de 7 anos / só chorou no hospital / quando lhe retiravam restos da fita / que lhe colavam os cabelos
segunda-feira, 28 de março de 2011
Dia-a-dia (2008)
lavas do vulcão / despencam do abismo / dentro do mar / no havaí / lavas do vulcão / incendeiam quilômetros de floresta / na áfrica / homem-bomba explode / em refeitório de universidade / hortênsias / restos de comida / fragmentos de corpos / misturados ao pó de concreto / na bola de fogo que se fez / deus-ígneo manifestado / sangue / sirenes / ambulâncias / horror pelos auto-falantes / sal grosso sal grosso no mundo
domingo, 27 de março de 2011
Dia a dia (915, 1015 e 1105)
1015. chafurdando no chiqueiro das convicções pessoais / dormitando enquanto o apocalipse se instaura / garimpar verbetes semipreciosos na enciclopédia da maga patalógika / enfrentar o bicho de 7 cabeças das suposições / guilhotina heptalaminada / empalado no nicho lateral da catedral do medo / distribuindo desodorante bucal no baile de 15 anos da filha de equidna / buscando sentidos no lusco-fusco do plausível / salve salve agrippino de paula
915. repositório de supositórios tamanho extra-large / digerir as 7 bolas de gude encrustadas na parede interna do intestino grosso / ossos moídos nos recônditos das catacumbas / guisado de miúdos da leitoa de 2 focinhos / a porca de murça quem diria era porco / banda do zé pretinho no cumpleaños de castro do cadaval / seguindo as pegadas de édipo pelos caminhos pedregosos da seara da culpa / ó senhor não nos deixeis iludir pelas falácias do ego
1105. botinhas brancas & minissaia de couro & tiara com estrelinhas de plástico da louraça vestida para matar / índia teus cabelos nos ombros caídos negros como a noite que não tem luar / nega do cabelo duro qual é o pente que te penteia / mulata assanhada que passa fazendo pirraça cadê meu kanekalon? / balela da mistura de raças obumbrando a cerúlea esfera dos estudos da drag-queen secundarista
915. repositório de supositórios tamanho extra-large / digerir as 7 bolas de gude encrustadas na parede interna do intestino grosso / ossos moídos nos recônditos das catacumbas / guisado de miúdos da leitoa de 2 focinhos / a porca de murça quem diria era porco / banda do zé pretinho no cumpleaños de castro do cadaval / seguindo as pegadas de édipo pelos caminhos pedregosos da seara da culpa / ó senhor não nos deixeis iludir pelas falácias do ego
1105. botinhas brancas & minissaia de couro & tiara com estrelinhas de plástico da louraça vestida para matar / índia teus cabelos nos ombros caídos negros como a noite que não tem luar / nega do cabelo duro qual é o pente que te penteia / mulata assanhada que passa fazendo pirraça cadê meu kanekalon? / balela da mistura de raças obumbrando a cerúlea esfera dos estudos da drag-queen secundarista
sábado, 26 de março de 2011
Dia-a-dia (2002)
dionísio / baco / sileno só dizia a verdade quando embriagado
...
o personagem do filme escreve porque não gosta da realidade / tenta criar outra / onde possa se encaixar / beckett desfaz esse sentido romântico da escrita / reduz a realidade à essência / esvaziando o ser humano / soterrando-o / imobilizando-o em sua verdadeira natureza / no vazio da existência
...
rimbaud passava férias no inferno / aposentou-se por lá / dante excursionou do inferno ao paraíso / com escala no purgatório / dostoievski invernou na casa dos mortos / eça registrou a inauguração do canal de suez / borroughs / ginsberg / kerouak cruzaram a américa / seguindo a trilha de whitman / xavier de maistre viajou em torno do próprio quarto / clarice na cozinha / área de serviço / e dependências de empregada
...
marilyn desempenhou o papel de loura burra / durante toda a vida / mesmo longe dos refletores / e das câmaras de filmagem
...
o personagem do filme escreve porque não gosta da realidade / tenta criar outra / onde possa se encaixar / beckett desfaz esse sentido romântico da escrita / reduz a realidade à essência / esvaziando o ser humano / soterrando-o / imobilizando-o em sua verdadeira natureza / no vazio da existência
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rimbaud passava férias no inferno / aposentou-se por lá / dante excursionou do inferno ao paraíso / com escala no purgatório / dostoievski invernou na casa dos mortos / eça registrou a inauguração do canal de suez / borroughs / ginsberg / kerouak cruzaram a américa / seguindo a trilha de whitman / xavier de maistre viajou em torno do próprio quarto / clarice na cozinha / área de serviço / e dependências de empregada
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marilyn desempenhou o papel de loura burra / durante toda a vida / mesmo longe dos refletores / e das câmaras de filmagem
quinta-feira, 24 de março de 2011
Era sábado
era sábado / nublado / abafado / acordamos tarde / e tomamos café / e ficamos observando o tempo / penetrando nele / respirando a secura do ar / a modorra da manhã / parecia que ia chover / as frutas implodiam de maduras / sensação de clarice / depois das baratas / depois de ouvir rádio na madrugada / para que as palavras, as horas, as músicas, as notícias fossem lastro / para nos prender ao mundo / os fatos concretos, os fatos objetivos, a realidade viva / contra o inefável / a especialidade dela era capturar a essência das coisas / extrair a imaterialidade do real / transformá-la em uma sequência de palavras / que soam como mantras / que resgatam de dentro do ser o ponto de contato com o divino / dizer isso é mais óbvio que falar que água não tem cor
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Sobre o coelho
Trechos de e-mail para M, que escreve coisas novas:
Deus pra mim não existe, aprendi ainda criança. Apesar da família oficial católica, o pai marxista apaixonado. E a mãe insensível aos apelos papais. Ele morreu sem se confessar. Ela tornou-se espírita.
Por falar em deus, comecei a assistir ontem Anticristo, de Lars Von Triers. Não vi quando estreou, eu estava deprimido, era melhor deixar passar ao largo. Lindo e contundente o pedaço que vi. Mas dormi. Depois, pesadelos.
Acordei cedo, peguei a estrada engarrafada. 75 minutos pra andar 35 km. Ouvindo a rádio MEC dessintonizada, o programa Áurea Música. Vivaldi, Musorgski. Nem vi o tempo passar.
Ouvir música é o arremedo de conversar com o deus de M. Me faz sentir apaziguado. Clarice já tinha dito isso.
.....
Um coelho branco, de orelhas rosadas e olhos vermelhos pasta no terreno baldio em frente a porta da minha casa provisória. Coelhão fugido de algum viveiro próximo, coelhão que fatalmente virará comida de cachorro, comida de coruja. Penso no Coelho de Lewis Carroll: é tarde! é tarde! Fecho os olhos e enxergo o buraco onde Alice caiu. Parecido com a toca da raposa, no filme de Triers. O coelhão fica parado do outro lado da cerca, de olho nas couves, nos alfaces, nos tomates-cereja inacessíveis. Contenta-se com o mato esturricado do lote vazio. Morro de curiosidade de saber como ele mantém o pelo tão macio, tão branco, sem um carrapicho, nessa aridez, nessa poeira, nessa secura do cerrado.
.....
Pouco a dizer. Espreguiçar. Tomar café. Talvez fumar. Cantarolar Cazuza, pedir ao deus de M (!) que me dê paciência e coragem. Alegria para percorrer mais esse dia.
.....
PS: um lindo filme de amor no Cine Brasília. Bertolucci, o Assédio (em inglês: Besieged; em italiano: L'Assedio). Às 19 h.
Deus pra mim não existe, aprendi ainda criança. Apesar da família oficial católica, o pai marxista apaixonado. E a mãe insensível aos apelos papais. Ele morreu sem se confessar. Ela tornou-se espírita.
Por falar em deus, comecei a assistir ontem Anticristo, de Lars Von Triers. Não vi quando estreou, eu estava deprimido, era melhor deixar passar ao largo. Lindo e contundente o pedaço que vi. Mas dormi. Depois, pesadelos.
Acordei cedo, peguei a estrada engarrafada. 75 minutos pra andar 35 km. Ouvindo a rádio MEC dessintonizada, o programa Áurea Música. Vivaldi, Musorgski. Nem vi o tempo passar.
Ouvir música é o arremedo de conversar com o deus de M. Me faz sentir apaziguado. Clarice já tinha dito isso.
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Um coelho branco, de orelhas rosadas e olhos vermelhos pasta no terreno baldio em frente a porta da minha casa provisória. Coelhão fugido de algum viveiro próximo, coelhão que fatalmente virará comida de cachorro, comida de coruja. Penso no Coelho de Lewis Carroll: é tarde! é tarde! Fecho os olhos e enxergo o buraco onde Alice caiu. Parecido com a toca da raposa, no filme de Triers. O coelhão fica parado do outro lado da cerca, de olho nas couves, nos alfaces, nos tomates-cereja inacessíveis. Contenta-se com o mato esturricado do lote vazio. Morro de curiosidade de saber como ele mantém o pelo tão macio, tão branco, sem um carrapicho, nessa aridez, nessa poeira, nessa secura do cerrado.
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Pouco a dizer. Espreguiçar. Tomar café. Talvez fumar. Cantarolar Cazuza, pedir ao deus de M (!) que me dê paciência e coragem. Alegria para percorrer mais esse dia.
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PS: um lindo filme de amor no Cine Brasília. Bertolucci, o Assédio (em inglês: Besieged; em italiano: L'Assedio). Às 19 h.
domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Fotos inéditas da Flip, em Paraty
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Saudosismo
Virou o tempo, vento frio no Arpoador. Penso na boca banguela de Lévi-Strauss cantada pelo Caetano antes dele ficar chato. É exagerado, o Rio é lindo. Só a neblina cinzenta nas pedras quase pretas. As mulheres pretas, os homens pretos, talvez de tanto ler sobre candomblé eu ainda enxergo aqui com os olhos do antropólogo, os carregadores nas esquinas, os quitutes, as mucamas, as ruas de Machado.
Daqui a pouco no ônibus pra Paraty. Mais para ver o movimento que assistir as palestras. Não rolou a visita à cobertura de Rubem Braga nem o chope no turístico Garota de Ipanema. Vi de longe o Drummond de bronze, melancólico, um Pixinguinha caricatural no Centro. Passeios de turista, doce sem-graça na Colombo, lindos surfistas de neoprene e silicone no Posto 9. Meus livros do segundo grau, mis recuerdos, ressuscitam a cada esquina.
Daqui a pouco no ônibus pra Paraty. Mais para ver o movimento que assistir as palestras. Não rolou a visita à cobertura de Rubem Braga nem o chope no turístico Garota de Ipanema. Vi de longe o Drummond de bronze, melancólico, um Pixinguinha caricatural no Centro. Passeios de turista, doce sem-graça na Colombo, lindos surfistas de neoprene e silicone no Posto 9. Meus livros do segundo grau, mis recuerdos, ressuscitam a cada esquina.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Brinquedo novo
É ridículo, mas real. Ontem R ligou, avisando que a matéria sairia hoje. Ansiedade óbvia, esperei junto com C a banca abrir pra comprar o jornal. Saiu. Bem escrita, bem colocada, linda foto (modéstia!) para minha total felicidade. Mandei para M, que elogiou. Foi uma farra no trabalho, o jornal passado de mão em mão, e, pelos comentários, todo mundo lendo. Eu morrendo de sem-graça e ao mesmo tempo com cara de criança que ganhou bicicleta no natal. Para quem tiver curiosidade, está lincada ao lado. A primeira de muitas. Por isso o título do link no plural...
domingo, 25 de julho de 2010
Lançamento do livro
Muita gente, colegas do trabalho, família, amigos da velha e da jovem guarda, muitos autógrafos. Todos os participantes do projeto lá: a revisora, a fotógrafa, o designer gráfico, o modelo da capa e do banner do blog. Faltou só a produtora/assessora de imprensa, a trabalho no Rio. Foi alegre, animado, descontraído, graças à simpatia, eficiência e atenção do pessoal do Café Savana. E eu feliz, desmanchado em sorrisos.
Frase hilária da médica cardiologista que me examinou recentemente (presente no evento por coincidência, tinha ido só comer um quiche), e que me deixou acima das nuvens, por dois motivos: se você escreve tão bem quanto está o seu coração, logo logo teremos um novo expoente na literatura brasileira. Que os deuses a ouçam. Tanto pelo coração quanto pela escrita...
O fotógrafo encomendado distraiu-se com as fartas taças de prosecco servidas e conversas mais agradáveis e esqueceu-se de fotografar o evento. No fim, dois ou três cliques oficiais pra compor o processo do FAC e ilustrar o blog (Em breve, aguardem!).
O objeto livro ficou lindo – bem impresso, bem acabado, pronto para a segunda e mais difícil parte da história que é inserir no mercado, distribuir de porta em porta, divulgar na mídia especializada, mandar para pessoas, esperar críticas, fazer outros eventos, etc. E ainda escrever e produzir as histórias novas.
Na segunda-feira cedo resolverei os problemas burocráticos com o patrocinador. Depois arrumar as malas e tomar o rumo de Paraty. Como penetra, turista, para bisbilhotar. E quem sabe, superar a timidez e mostrar as Histórias Desagradáveis.
Frase hilária da médica cardiologista que me examinou recentemente (presente no evento por coincidência, tinha ido só comer um quiche), e que me deixou acima das nuvens, por dois motivos: se você escreve tão bem quanto está o seu coração, logo logo teremos um novo expoente na literatura brasileira. Que os deuses a ouçam. Tanto pelo coração quanto pela escrita...
O fotógrafo encomendado distraiu-se com as fartas taças de prosecco servidas e conversas mais agradáveis e esqueceu-se de fotografar o evento. No fim, dois ou três cliques oficiais pra compor o processo do FAC e ilustrar o blog (Em breve, aguardem!).
O objeto livro ficou lindo – bem impresso, bem acabado, pronto para a segunda e mais difícil parte da história que é inserir no mercado, distribuir de porta em porta, divulgar na mídia especializada, mandar para pessoas, esperar críticas, fazer outros eventos, etc. E ainda escrever e produzir as histórias novas.
Na segunda-feira cedo resolverei os problemas burocráticos com o patrocinador. Depois arrumar as malas e tomar o rumo de Paraty. Como penetra, turista, para bisbilhotar. E quem sabe, superar a timidez e mostrar as Histórias Desagradáveis.
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