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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Frase do dia

Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.

Rubem Braga, de Ai de ti, Copacabana

Tietagem pos-mortem



Imagem copiada de mardeoutubro.blogspot.com. O fotografado faleceu em 1990.

domingo, 1 de agosto de 2010

Férias

De férias rapidíssimas no Rio de Janeiro. Hospedado a casa de Z, ao lado do complexo Rubem Braga, em Ipanema, um elevador, escadas e mirante que dá acesso a uma parte do Cantagalo. Linda visão, as Cagarras na frente, de um lado a Lagoa, do outro Copacabana e ao fundo o paredão de pedra e concreto. O apartamento de Z é no prédio onde morou Rubem. Na cobertura. Tem coqueiro, mangueira, cajueiro, viverio de pássaros e, parece, de coelhos.

Ontem aprendi muito sobre ele, que só li basicamente na escola. É o escritor que mais falou sobre pássaros. Que Manoel de Barros declinou o convite dele para benzer a mangueira que não frutificava, por ser ateu. Z disse que amanhã a gente vai conhecer a cobertura.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Diadorão

O Grande Sertão: Veredas é, por unanimidade, “O” Romance. Li, reli e releio sempre que posso, sempre um caminho novo, as batidas veredas. Talvez seja também unanimidade que a história de Diadorim virar mulher depois de 600 páginas sendo o objeto de desejo homo de Riobaldo é pura forçação de barra. Em 24.07, o caderno Pensar, do Correio (não é merchandising) publicou uma resenha de Desgracida, o livro novo de Dalton Trevisan, de contos e cartas. Em uma delas, para Otto Lara Rezende, Dalton cai de pau em Guimarães Rosa. Furioso e hilário ao mesmo tempo: “Adeusinho, Diadorim, Gentil. Salve, salve, ó feroz Diadorão. E tudo faria sentido. O livro ganhava realidade em vez de artificialismo. (…) Essa viadagem enrustida me deixa tiririca”. Fiquei com vontade de copiar o texto todo no blog, mas acho que não pode.

Dalton Trevisan é outro demais.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Flannery O'Connor

Mais sobre as Histórias Desagradáveis

Ouço os primeiros comentários dos primeiros leitores. Alguns constrangidos com algumas histórias. Adapto as palavras de Flannery O’Connor: “Desagradáveis? Na minha terra (a Geórgia, sul dos EUA) esse tipo de história é contado na mesa, no jantar da família, e todo mundo morre de rir”.

Flannery, junto com Faulkner, é considerada por muitos críticos uma das maiores escritoras americanas. É mesmo maravilhosa. Dizia fazer literatura católica. Mas a impressão provocada por suas histórias (muito desagradáveis) é, principalmente, a falta de esperança na capacidade de redenção do ser humano.

Copiei um trecho de matéria, na internet, sobre a coletânea de contos É Difícil Encontrar um Homem Bom, publicado pela Editora Arx, em 2003:

O humor cáustico da autora lança uma luz crua sobre seus personagens miseráveis, carregando no grotesco. Dobras de gordura no pescoço, manchas no rosto e defeitos físicos são descritos em detalhe. Nesse elenco de aleijões morais, destacam-se as velhas damas do sul, tolas, orgulhosas e furiosamente racistas – a começar pela protagonista do conto-título, uma senhora egoísta que acaba colocando a própria família nas mãos de um assassino foragido. O ambiente religioso é sufocante, mas os personagens só invocam Deus para justificar os interesses mais mesquinhos. Em O Deslocado de Guerra, por exemplo, um refugiado polonês encontra trabalho em uma fazenda e ameaça o emprego do capataz negligente. A mulher do capataz, protestante aguerrida, só consegue ver o exilado católico como uma espécie de encarnação do demônio. O crítico Harold Bloom observa que Flannery recorria à violência de forma tendenciosa. Seu objetivo último seria conduzir o leitor, pelo choque, de volta à fé tradicional. Na última e desencantada página de cada um dos contos, porém, só o choque permanece. Não existe redenção possível para tanta violência”.

Flannery morreu em 1964, aos 39 anos, de lúpus, em sua terra natal. Ela é demais!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Imagem da décima primeira história

A entrevista

O entrevistado sai do trabalho mais cedo. Chega 10 minutos antes. Não se lembra do nome do entrevistador. Recorre à memória do celular. Mandam aguardar no estúdio. O pessoal age como médicos na sala de cirurgia em filme americano. Enquanto toca música, conversam assuntos variegados. Quando acende a luz vermelha "no ar", silêncio de sepulcro. Só a voz de veludo da apresentadora.

Troca de turno, de equipe, de programa. Chega o entrevistador. Distribui sorrisos e deseja "um feliz dia do amigo" (dia 20/07). Senta-se diante do microfone. Inicia a transmissão. O entrevistado repassa mentalmente o que dirá ou não na entrevista, ao vivo, à tarde.

O entrevistador anuncia o entrevistado. Pronuncia o nome errado, muda a sílaba tônica e engole a última vogal átona, quem manda ter nome estrangeiro. Depois da primeira música (Ivete Sangalo ou Claudia Leitte), convida o entrevistado ao microfone.

O primeiro bloco começa bem. Perguntas de praxe: o primeiro livro, porque escreve, formação acadêmica, poesia marginal, artes cênicas e plásticas. O entrevistado responde seguro. Bem-humorado. Inteligente. No meio, a primeira situação desagradável: o entrevistador pergunta se o entrevistado é funcionário público. Por causa da roupa. Risos simpáticos.

Intervalo, Renato Russo, Pais e Filhos. Entra-se no tema dos contos. Na razão da escolha do título: "não basta a desagradável realidade?" é a pergunta da vez. O entrevistado pensa nos ouvintes antes de responder: serve para refletir. Desagradável é a nossa situação. A nossa condição humana.

O entrevistador muda de assunto. Pergunta sobre novos projetos. O entrevistado ia falar do livro sobre candomblé, no prelo. Não precisou. O entrevistador abre o blog do entrevistado. Cai direto (forças do além?) no post onde o entrevistado fala do título provisório do seu próximo livro (7 histórias do além). O entrevistado cai na armadilha. É obrigado a narrar o enredo da primeira nova história (a menina atropelada). E imagina a cara do ouvinte. Mas não perde o rebolado.

Novo intervalo. O entrevistado está tenso. Nem presta atenção na música. O entrevistador navega no blog. Pergunta, em off, se é um homem nu na foto da capa. Caiu a ficha dele. O entrevistado prepara-se para abordar o tema "gênero" no próximo bloco. Mudança de rumo. O entrevistador prefere focar as imagens do convite.

O entrevistador implica com a cruz desenhada na testa da imagem do manequim do convite. O entrevistado conclui ter o entrevistador entrevisto simbologias místicas negativas. Na mosca. O clima da entrevista obnubila-se. A névoa do Letes, os vapores sulfúricos dos círculos dos infernos envolvem o entrevistado. O entrevistado mantém a calma. A entrevista era para divulgar o livro ou para afugentar os leitores potenciais?

O entrevistado explica. Trata-se de manequim de estúdio fotográfico. A cruz na testa só representa o ponto onde os alunos devem focar as lentes, a incidência da luz. O entrevistador parece insatisfeito com a resposta. A entrevista acaba, incompleta. Toca uma música regional para encerrar o programa. Bonita música.

O entrevistado sai da rádio feliz por não ter perdido a classe no atropelamento. Para sua sorte não houve ligação dos ouvintes.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A face obscura e outras histórias mais ou menos amenas

A amiga M me mandou outro dia o edital de um concurso literário. Os temas dos contos deviam conter “elementos que promovam o bem-estar e os valores morais”. Valores morais tudo bem, eu entendi; a dúvida era o que poderia promover bem-estar.

Há alguns anos achei no sebo uma coleção de romances populares dos anos 50, do tipo os antecessores das fotonovelas dos anos 60/70. Eram traduzidos do inglês britânico e escritos sob pseudônimos sugestivos e sonoros: Roberta Pynn; Maggie Bolls; Samantha Phillips, etc. Há uma história maravilhosa, chamada “A Face Obscura”. A heroína passa o romance inteiro coberta por um véu, para disfarçar uma falsa cicatriz de queimadura, presumidamente provocada pelo ex-namorado. A personagem age assim para manter acesa a chama da culpa no gajo (um médico louco) e atazanar a vida dele ad-eternum. Mais desagradável impossível.

Eu tenho vontade de adaptar a história. Transformar a heroína em herói. Ajustar o texto aos parâmetros do concurso - vingança provoca bem-estar? - inscrever-me (?) e concorrer aos R$ 2 mil do primeiro classificado.

Na coleção tem também a exótica história da gueixa, a da costureira pobre versus a família do nobre amado, a da fazendeira tuberculosa, a da carta anônima, a da falsa amiga, a das férias no México e muito mais...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Memórias da Emília

A tem me enviado histórias. Desagradáveis. Ela diz que quando as ouve lembra-se de mim. A primeira foi sobre uma criança atropelada enquanto a mãe fazia oferenda aos orixás na prainha do Lago Paranoá. A segunda foi sobre uma menina e sua cenoura. As histórias dela estão rendendo, pelo menos o título do próximo livro: "Sete histórias do Além e outras mais próximas". Mas hoje ela mandou o lindo trecho abaixo, das Memórias da Emília, de Monteiro Lobato:

...A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela ultima vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?
O visconde teve que concordar que era.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Folha de rosto das Histórias Desagradáveis, de Leon Bloy

Sobre o título Histórias Desagradáveis

O título surgiu não me lembro mais como. É sonoro, irônico, direto, atrai e repele ao mesmo tempo. Da família das Histórias Hediondas, das Histórias Extraordinárias, de Glauco Mattoso e Poe. Combinou com o clima dos contos, com a imagem da capa, até com a fonte escolhida por G.

Mas...

Foi a amiga C que descobriu: “você já leu Leon Bloy?” Não, eu nunca tinha ouvido falar. Pois é. Escritor e (mau) pintor francês da segunda metade do século XIX (Wikipedia, Infopedia). Filho de fervorosa mãe católica. Funcionário público medíocre (!), iconoclasta, socialista. Em algum momento da vida converteu-se ao catolicismo: a) por influência do escritor d'Aurevilly (também nunca tinha ouvido falar); b) por casar-se com uma prostituta ensandecida que previa o apocalipse; ou c) por amor a sua segunda esposa paupérima dinamarquesa). Entre 1893 e 1894 escreveu uma série de contos cruéis: Sueur de Sang (Suor de Sangue?) e Histoires désobligeantes (Histórias Desagradáveis). Morreu em Paris, em 1917, “delirando num fervor religioso exagerado e o seu imaginário invadido por imagens pavorosas do Apocalipse”, nas palavras da Infopedia.

Além dessa história trágica, achei também outro título igual: A Face Cruel e outras Histórias Desagradáveis, de David Nasser, jornalista da revista O Cruzeiro, publicado em 1961.

De Bloy há uma edição esgotada em português (Estampa Editorial). Opções: 1. tentar ler no meu francês neandertal, e vai durar séculos; 2. tentar encomendar no site da Estampa, em Portugal, que também pode durar uma eternidade; ou 3. Garimpar nos sebos virtuais do planeta (já encomendei o David Nasser na Estante Virtual)...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

The tale of Peter Rabbit

Recebi ontem uma linda história desagradável de E, meu eterno professor de inglês. Li quinhentas mil vezes, dos cinco aos quinze anos (precoce e retardado ao mesmo tempo). A imagem abaixo é dela, escaneada da volume 3 da coleção O Mundo da Criança (texto de Beatrix Potter, sem crédito do ilustrador).