sábado, 29 de janeiro de 2011

Geraldo


Se eu mudaria alguma coisa na minha vida? Se só me restassem mais 5 anos? Difícil essa. Se fossem 5 dias era mais fácil. Não sei. Veja bem. Em 5 anos acontece muita coisa. Não é por acaso que essa pergunta caiu para mim. O acaso não existe. Já ouviu falar em conspiração universal? Não? É só jogar no Google: conspiracão do universo. Você encontra milhares de textos. Tudo é interligado - desde um cocô de formiga até a explosão de uma anã branca. Não é demais? Tem a ver também com efeito borboleta. Não sabe? Sim. A teoria inspirou o filme. Muito bom. Muito interessante. O deslocar do ar provocado pelo bater das asas de uma borboleta na floresta amazônica provoca uma nevasca em Londres, uma cheia no rio Ganges, um iceberg despregar-se na Groenlândia. Você acha que depois de pensar assim a vida não toma outro rumo? Saber que por mais insignificante, você é peça fundamental? Que sem você o universo se desequilibra? Que não adianta buscar, que só aparecerá alguém na sua vida na hora certa? Que as pessoas são parte do movimento do Universo? Uns chamam isso de Destino. De Deus. De Ciência. Não! É pura filosofia. Puro pensamento. Claro. Tem o outro lado da moeda. Claro. É. Eu também sei. Desequilibrar para reequilibrar de nova forma em seguida. O tempo todo. Indefinidamente. É a dinâmica do universo. Viu a conspiracão? A pergunta era sobre o tempo. Sobre o que eu mudaria na vida se só me restassem 5 dias. 5 anos. E eu falei sobre conspiração do universo. Sobre efeito borboleta. Até sobre Deus. E cheguei onde? Nele. No tempo. Entendeu agora? A resposta certa por linhas tortas. Não entendeu? Nada. É. Eu não faria nada. Ou, melhor, eu reagiria aos impulsos do universo. Ser mais objetivo? Certo. Tem um filósofo que diz: a afirmação pode se originar da negação. A recíproca também é verdadeira. Ao afirmar ele poderia negar. E anular a própria afirmação, não é incrível isso? Já se passaram 4 minutos? Então. Eu me negaria a mudar. Nem que me restassem só 5 meses. 5 dias. 5 horas. Pois certamente algo me mudaria. Então. Para concluir. Devolvo a pergunta: o que você faria se te dissessem que é tudo sonho? Ilusão? Não precisa responder. É para pensar. Obrigado. Posso fumar?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Maritza

Comunicação. Na Puc. É. Sou filha dele. É. Dos frigoríficos. Eu perdi muito tempo na vida escondendo isso. O Fred tem razão. A pessoa é para o que nasce. O Fred? Meu psicanalista. Vamos deixar de hipocrisia. Minha família é podre de rica sim. Não nego. Não. Não quero herdar o lugar de mamãe. Vocação zero para socialite. Substituir Soninha Frota não é para qualquer uma. Você sabe. É. Na verdade eu não preciso de passar por isso. Mas eu quero. Tipo conseguir as coisas por meu próprio mérito, sabe? Pelo menos uma vez. Disputar a vaga de igual para igual com essas pessoas comuns. Antes de vir papai me disse: filha, se quiser eu converso com o Pinheiro. Não, paizinho, respondi. Isso é só comigo. É. Eu sou muito franca. Eu quero sim. Estou aqui para provar para mim mesma. E para o mundo. É. Eu sou capaz. Capaz de ajudar as pessoas. Como? Ainda não sei. Mas aqui eu posso descobrir. Aprender. Eu gosto de falar com o povo. Eu sou povo. Como? Pode rir. Papai veio do povo. Nem terminou o 3º ano. É. Todo mundo sabe. Ele faz questão de dizer. Cortou muita carne de 2ª no açougue do vovô. São João do Meriti. A televisão é o melhor lugar. Imagina poder mudar o mundo em 1 minuto no horário nobre? Em um diálogo de novela? Um toque da Ana Maria? É. Eu sei. A vaga é no Departamento de Pessoal. Sei. Meu modelo é papai. Subir degrau por degrau. Então eu espero. Agradeço a oportunidade. Se não for essa haverá outras. Se Deus quiser. É. Eu tenho certeza que Deus quer. Dê lembranças minhas ao Pinheiro. Por favor, querida. Da parte de Maritza. É. Filha do Carvalho. Dos Frigoríficos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fonseca

Em que enrascada eu me meti quando era mais novo? Deixa eu ver. Posso pular essa? hehe. É sério? 5 minutos? Pode inventar? Tá bom. Brincadeira. Pra quê vocês querem saber? É entrevista ou interrogatório? hehe. Tá. Entendi. Faz parte. Bem. Vou contar. Por alto. Vai que tem alguém aqui envolvido. hehe. Eu sou especialista em enrascada. No microfone? Tá. Pode-se dizer que eu sou especialista em enrascada. É. Desde pequeno. Bom. A primeira que eu me lembro foi no armazém. Do Seu Antônio. Levei uma surra. Mas neguei. Até a morte. Pô. Qual menino que nunca fez isso? hehe. Roubar uma maria-mole? Bem. Essa não vale. Teve a das namoradas. Eu engravidei as duas. Saí fugido. A filha do delegado e a do prefeito. Ao mesmo tempo. hehe. Tá. Só mais uma. Me lembrei de uma boa. A do atestado. Não seria uma boa ocasião? Como assim? Sei. Testar nossa capacidade de quê? Essa vale a pena contar. Só mais dois minutos? Bom. Mas eu tenho direito, né? 5 minutos. Cravados. Bem. Pode interromper sim. Só quando o tempo acabar. Eu queria viajar não tinha folga aí fui a um médico chegado que engessou meu braço e me deu atestado de 3 dias e quando eu tava lá no bem bom da praia eu encontro - Acabou? Bem. Não querem saber? Meu chefe. hehe. Meu chefe em pessoa. Acredita? Ué. Já posso ir? Como assim? Pô, Não gostaram? Pô. Pelo menos deixa eu ouvir os outros.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O garoto, a chuva e o cara do Land Rover



Eu disse pra mãe que eu não queria ir. Que preferia ficar sozinho. Eu detesto a serra. Ainda mais chovendo. Ela nem me olhou na cara. Quem você acha que é pra querer alguma coisa, sua bichinha? Que eu tirasse o cavalinho da chuva. Que eu só tinha 17. Que eu não ia ficar sozinho no apartamento dando pra deus e o mundo sem camisinha. Que eu tratasse de arrumar a mochila rapidinho. E ai de mim se eu encostasse um dedo na Bela de novo. A mãe sabe ser escrota. O jeito foi ir.
Séculos no engarrafamento na subida da serra. O namorado da Bela me espremendo. No banco de trás. Sem abrir o vidro. O cara apertando a coxa na minha. O bração no meu ombro. Cheiro de desodorante vagabundo. Vontade de descer e ir à pé.
Pedi pra mãe ligar o rádio. Pro tempo passar. Rezando pra dar bastante notícia da chuva. Pra eles se convencerem que era melhor voltar. A mãe cantando junto com a música. O erro! Ainda bem que eu trouxe o notebook. 
Tomara que pelo menos tenha uma festinha legal. Um DJ que não toque música anos 80. Só com gente bonita. Sem aquele bando de velho babão se jogando na pista. Bando de velho safado se fingindo de legal pra comer os garotos da idade dos filhos deles.
Se eu conseguisse, eu vivia sem sexo. De boa. A gente sempre espera ser maravilhoso. Encontrar o cara certo. Tipo príncipe. Mas 99,99% é sapo. Tem até uns coroas gostosos. Até legais. Mas depois que gozam esquecem que a gente existe. Sempre é mais ou menos igual.
Quem sabe aparece um que eu ame de verdade. Que não seja possessivo. O problema é que eles gostam de ficar em casa. Se me amar, tudo bem. Eu fico. Com jeito eles fazem o que a gente tá a fim.
O pai tá de saco cheio. Pelo jeito queria ter ficado em casa. Tomando uisquinho. Fumando maconha escondido. Se pudesse ele tinha despachado a gente. E ficado com uma garota de programa. Ou um garoto, sei lá. O pai não deve ser tão diferente dos coroas da internet. 
O mundo vai se acabar em chuva. O carro derrapou na estradinha de terra até a pousada. A mãe me obrigou a ajudar o namorado da Bela a descarregar o portamalas. Debaixo do maior toró. Eu vou dormir no colchonete extra. Num quarto com a Bela e o namorado. 
Não dá pra passear na mata. Nem na cachoeira. Nem ficar na varanda. A internet tá lentérrima. Se desconectar eu me mato. Imagina o inferno. O fim de semana inteiro. Enfurnado na pousada jogando baralho. O pai enchendo a cara de cerveja. A mãe enchendo a paciência. Sai da frente dessa porra de  internet e vai jogar com a Bela e o namorado. Eu fingindo não ouvir a Bela na cama do namorado de madrugada. 
O namorado da Bela perguntou se eu ia sair assim. Assim como? Com esse toró. Eu ia sim. Encontrar um cara do site. Também passando o feriado na serra. 35 anos. Ainda bem que eu trouxe a capa de chuva do Flávio. De Nova York. A Bela foi contar pra mãe. Mandei ela pra aquele lugar.
Foi complicado descer. A enxurrada fazia uma cachoeira ao lado da estrada. Em baixo o rio quase cobrindo a ponte. 
Fiquei debaixo de uma marquise até o cara do Land Rover aparecer. Legal ele. Bonitão. Sorriso lindo. Faz rafting e rapel. E pega onda. Não me deixou fumar no carro. Perguntou se eu era menor. Menti: 19. Não deu outra. Colocou a mão na minha perna. Chamou pra tomar uma cerveja na pousada dele. 
Rolou. Foi demais. Depois a gente viu notícia da enchente na tevê. Dava em todos os canais. Já tava tarde. O cara me levou pra pousada. Não deu pra passar. A gente teve que voltar porque a ponte já tava coberta de água. Droga. Acho que me meti num rolo. 
O jeito era avisar a mãe. Disse que ia dormir na casa de um amigo. Que amigo? da internet. Ouvi a mãe gritando pro pai vir me buscar.  Eu disse que ele não ia conseguir passar na ponte. Ela não acreditou. 
Passou mais de uma hora e a mãe me ligou. Pra saber porque a gente tava demorando. Porque o pai não atendia o celular. 
Antes da meia-noite a mãe ligou de novo. O pai não tinha voltado. A pousada tava ilhada. Ninguém saía e ninguém chegava. Disse se cuida, meu filho. Ela devia estar mesmo assustada. Pra me chamar de meu filho. 
O cara tava preocupado. Achando estranho aquela chuva toda. A gente procurou na internet. Tinha um aviso de risco deslizamento na Defesa Civil, bombeiros, sei lá. Complicado. Pra mim era perfeito. Só pensava que ia dormir a noite inteira com o cara dos meus sonhos.
De madrugada o cara me acordou. Tou voltando pro Rio. Teve deslizamento de morro. A ponte cedeu. O rio inundou a periferia. Arriscado ficar. Se quiser te dou uma carona.
Liguei pra mãe. Depois pro pai. Fora de área. O da Bela também. Eu não tinha o número do namorado dela. Senti um pouco de medo. Paciência. Nada a fazer. Topei voltar com o cara. Na estrada eu tentaria de novo.
A gente chegou já amanhecendo. Barreira caída na estrada. Sinal nenhum da mãe. O ap do cara é legal. Santa Teresa. Ligou a tevê. Só noticiário da chuva. 
Eu nem prestei atenção. Tava cansado. Cochilei abraçado com o cara.
Mas aí começou o horror. A lama descendo do morro. Arrastando tudo. Carro, casa, vaca, cachorro na enxurrada. Helicóptero. Bombeiro. Gente soterrada. Gente isolada. Gente desabrigada. Gente morta. Terrível. Nem dava pra acreditar. O lugar onde a gente tava. há pouco tempo atrás. O lugar onde a mãe e o pai e a Bela ficaram.
Me deu um desespero. Nada do celular atender. O cara me levou em casa. Liguei pra tia. Também sem notícia. Perguntei se podia ir pra lá. Disse pra eu me acalmar. Que era melhor esperar. Que se desse passava lá em casa mais tarde.
Só podia mesmo ser irmã da mãe. Me dispensou. Pra proteger o priminho de mim. Evitar contato. Contágio. Numa hora dessas? Bando de gente hipócrita. 
Fiquei conversando com o Flávio, que tava em Recife. Contei pra ele. Ele também viu na televisão. Falei do cara do Land Rover. Que eu tava apaixonado. O Flávio disse que eu devia ligar pra ele. 
Pô, cara, eu tou aqui agoniado. Sozinho. Sem saber o que fazer. O cara perguntou se tinha comida em casa. Que eu me acalmasse. Que minha família devia estar bem. Que a torre do celular devia ter caído. Que eu devia mesmo ficar em casa esperando notícia. Que mais cedo ou mais tarde eles apareceriam. Que ele ia procurar saber notícia com um amigo do corpo de bombeiros. Que se eu quisesse, trazia um lanche. 
Eu quis. Sanduíche, batata frita, catchup, coca-cola. Pedi que viesse logo. Aí eu esperei. Sentado no chão da cozinha. Pronto pra atender no primeiro toque do interfone. 
Acho que a mãe tem razão. Eu sou mesmo bem doido. Em vez de ficar triste, pensei uma porção de maluquice. O notebook debaixo da lama. O pai e a mãe e a Bela mortos. Como ia ser a minha vida? Eu herdava o ap. E se tivesse que identificar os corpos? Será que eu ia morar com a tia? Nem morto. Com o cara do Land Rover. 
Quando ele me abraçou me deu um negócio esquisito. Chorei. Descontrolado. De soluçar.  Igual criança. O cara continuou me abraçando. Chorei de molhar a camisa dele. Queria derreter. Entrar dentro dele. Que ele me carregasse no colo. Esquecer a droga da chuva, da tragédia, da catástrofe. Queria só que ele me abraçasse. Pra sempre.

O peru aposentado e o estagiário gansinho

Era uma vez, no tempo em que os bichos falavam, um peru. Tinha chegado ao terreiro adolescente. Seu único amigo na época era o patinho feio. O gavião pegou o patinho. O patinho gostou. Foram viver juntos. Deixando o peru sozinho. Envelhecendo no meio da galinhada.
Canalizou a solidão para os estudos. Formou-se aos 19. Aos 20, concursado. Aos 30, abandonou o mestrado. Desde os 40, frequentava a sauna da fazenda duas vezes ao mês. Aos 53 aposentava-se, secretário do burro, gerente-chefe do celeiro.
Aconteceu na festa de despedida. Antes dos salgadinhos, dos refrigerantes, da torta e das latas de cerveja guardadas na geladeira da copa, para serem liberadas após o encerramento do expediente.
Enquanto o burro discursava, o peru notou o estagiário. Penugem arrepiada. Cara de bebê safadinho. O peru sentiu vontade de pegar o gansinho no colo, levar pra casa, colocar pra dormir, dar de mamar, fazer miojo de noite, andar de roda gigante no parque, tão fofo.
Como assim? sentimento paterno? Qual nada. Era a fúria contida do amor prestes a explodir. O peru queria mesmo era afogar o gansinho, pobreza de trocadilho. Perdeu o fio da meada da fala do burro. Só despertou do devaneio com o coro da bicharada exigindo: dis-cur-soo!
O peru emocionou-se. Duas lágrimas. Depois abraços, cumprimentos, lista com telefones, e-mails dos colegas, não se esqueça da gente! Presente: pijama! Piada. Não era. O peru era fino. Que chique! era isso mesmo que eu queria. Sem tirar os olhos do gansinho. Ou pegava o estagiário ou cortava os pulsos ali mesmo.
18 horas, cerveja liberada. O peru tomou o primeiro copo. O segundo. Nem beliscou o sanduíche de metro. No terceiro, alegrinho, passou a beber na lata. Achava sexy o barulho de abrir – ptssssssh! – imitou, meio gay, seguido de gargalhada que os colegas nunca tinham ouvido.
O estagiário dedilhava o violão. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha. Em homenagem ao aposentado. O peru cego de desejo. Queria avançar, perigosamente, animado pela cerveja, estômago vazio.
Ofereceu o primeiro pedaço da Marta Rocha adivinhem a quem? Ao gansinho. Os colegas exclamaram, oh!, misto de reprovação e de quem queria ver o circo pegar fogo. O peru foi rápido: para saudar o sangue mais novo. O futuro da repartição. Aplausos.
O peru esperou o melhor momento e crau! puxou papo com o gansinho. Uma cantada ali mesmo, na frente de todo mundo, sentado na mesa do chefe. Que se danassem, era o último dia. Mas foi tão poético que o gansinho não entendeu. Ou fingiu não entender. Aquele peru bêbado com idade para ser pai, quiçá avô dele.
Não precisa dizer que o peru foi pra casa sozinho. Bêbado como um peru de véspera. Deitou-se sem tomar banho. Nem tirou as meias. Sonhou com o gansinho-estagiário.
No dia seguinte, no primeiro dia da vida nova de aposentado, o peru acordou tarde. Nem sentiu a dor de cabeça, o gosto de guarda-chuva, a sede da ressaca. Foi direto na lista dos colegas, junto com o presente, o pijama.
Enlouquecido de ansiedade, o peru ligou para o gansinho. Caiu na caixa postal. Deixou recado: oi, preciso falar com você, me liga quando puder.
O peru esperou até à noite. O gansinho ligou? Nem eu. Então tormenta era aquilo? Seria tormenta o sentimento que o peru tinha evitado tanto tempo? Desde o tempo do patinho feio, na adolescência? O peru sentiu inveja do patinho feio que não esperou. Que entregou-se de corpo e alma ao sentir na cara a primeira gota da chuva, o primeiro impulso do amor.
Então o peru rompeu com a reserva, a discrição, o senso de ridículo, o medo de rejeição, etc etc etc. Ligou de novo.
O gansinho atendeu. Conversaram. Primeiro sem muito assunto, a ressaca, a festa, o primeiro dia sem trabalhar. Pô, sempre te achei um cara legal, o gansinho disse. Sinal para o peru avançar. Tanto tempo perdido, só ter reparado no gansinho no último dia de trabalho, hehe. O papo engatilhou. Combinaram assistir a um filme. Tomar açaí no shopping. Sair pra dançar qualquer dia desses.
Era um começo.
Depois de desligar, o peru aposentado viveu feliz para sempre.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Rosicler


Rosalinda. Não é bonito? Tá, eu sei que a gente nunca diz o nome verdadeiro. Você ta sendo legal. Se eu pudesse mudar? Eu gosto. Desde de criança. Mudar pra quê? Minha amiga se chamava Kelly. Tinha a Chrys. A Thayanne. Tá, eu também acho esquisito. Tem nome que só combina com gente velha. Tem nome que não combina com a pessoa. Imagina puta chamada Sebastiana? Catarina? Virgínia? Socorro? É Lu. Kathy. Vivi. Rose. Abelarda? Você é mesmo muito engraçado. Tá, na escola me chamavam de Rosafeia. Pura inveja. Desses peitinhos. Desde os 10 anos. Tá, eu era feiosa de cara. Ó a foto. Igual à Chiquinha do Chaves. Diferença, né? Rosagostosa? Cê não presta mesmo. Igualzinho aos meninos da escola. Rosatesuda, ai! Que falta de ar. Pára! Eu vou me mijar de rir. Mijar não. Cê já tá bebinho, né? Não, queridão, pode me chamar de Rosa. Rosinha, tá? Deita aqui no colinho. Neném quer mamar? Tá bom, eu queria mesmo era me chamar Rosicler.