sábado, 21 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 2

imagem de www.ionline.pt
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Esta brincadeira pode durar muito tempo, mas o período de união é breve. O macho segura a fêmea por trás; estende-lhe as patas dianteiras sobre o dorso até a altura dos ombros, não lhe apertando o corpo pelos flancos como fazem os outros animais. Quando operou a penetração, deixa-se normalmente cair sobre as patas traseiras até ficar quase em posição de sentado; depois vai se erguendo progressivamente, de modo que ao cessar o coito está quase de pé, com as patas da frente pousando de leve na parte traseira da fêmea. Nenhum outro movimento é perceptível durante todo o tempo da união, e após os gritinhos, grunhidos e barritos por ocasião do primeiro esforço a realizar para a montada, o coito decorre geralmente em silêncio. A operação dura de vinte segundos a quatro minutos, embora se tenham observado já períodos mais longos. Acabado o ato, o macho retira-se em silêncio; a fêmea por vezes grunhe meigamente, e manifesta o seu contentamento batendo as orelhas e agitando a cauda. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

Intervalo com elefantes

by wikipedia
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a crer nessa lenda a fêmea, na primavera, abre uma cova profunda, guarnece-a de frutos e forragens e em seguida deita-se nela. Lança então um apelo apaixonado ao companheiro e, quando este chega, os dois animais ficam um mês inteiro em permanente abraço, consagrando-se exclusivamente ao amor, excetuadas algumas interrupções de em vez em quando para dividirem entre si os alimentos preparados pela fêmea previdente. Esse maravilhoso conceito nunca foi confirmado pela observação; todavia, conforme nota Williams, os fatos reais são pouco menos emocionantes. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

Wellington

Não, eu nunca tive esperanças. Entusiasta? É, a senhora pode chamar de coleção. Melhor seria compilação. Para quê? Para nada. Para não me deixar iludir. Para não deixar de pensar. O ser humano é uma raça execrável. Criar? Pelo contrário. A nossa vocação é destruir. Sempre. Dizem que a capacidade de criar aproxima o ser humano do divino. A senhora acredita? O que realmente nos aproxima do divino é a destruição. Forças opostas que se anulam. O ser humano é a guerra. A senhora lembra daquele filme que o cara colocou um puta som no avião, pra tocar Wagner enquanto despejava bombas de napalm nos guerrilheiros do Vietnã? Quer imagem mais perfeita de criação e destruição conjugadas? O cara era deus. Você consegue imaginar o que o napalm faz? Claro que sabe. Tem aquela foto famosa, dos anos 60. A da garota nua. A senhora se lembra da expressão dela? A senhora imagina gente com os cabelos queimados, desfigurada com as queimaduras, pedaços de pele pendurados nos dedos, agonizando de dor? É. Isso é o ser humano. Outros exemplos? A gente pode passar grande parte da eternidade aqui, relacionando. Os livros são bons exemplos. Um que todo mundo conhece. A Ilíada. A senhora já leu? Toda, não? Claro. Mas a a senhora sabe do que se trata. Versos sucedendo versos, cantos sucedendo cantos descrevendo batalhas sangrentas, ou campos de batalha cobertos de cadáveres. Já leu Céline? Aos vinte e poucos anos Tolstoi acreditava que a guerra era o único meio para defender seus ideais, os ideais do seu povo, da sua nação. Foi para a guerra, passou 2 anos. Voltou desiludido. E escreveu aquele calhamaço. O Imagina o que eles presenciaram? a rajada de metralhadora rasgou o peito do sargento. Instintivamente ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. Sabe, é como se a gente estivesse lá, se fosse com a gente. Os horrores da guerra: ... à medida que cavava, o chão ia juntando água, de modo que dormi as poucas horas dentro d'água, enrolado na manta. A senhora enxerga algum sentido nisso? Um cara falava em ver as estrelas de dentro da trincheira. A solidão da guerra congela a alma. O mesmo cara disse em outra parte: era bom quando dois caras podiam ficar juntos em um desses buracos – significava companhia. É, acabou.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Criaturas (Ambroise Paré, Discours de la Licorne)



Geometria euclidiana


Pura poesia:

I - Ponto é o que não tem partes. Ou o que não tem grandeza alguma.
II - Linha é o que tem comprimento sem largura.
III - As extremidades da linha são pontos.
IV - Linha reta é aquela que está posta igualmente entre as suas extremidades.
V - Superfície é o que tem comprimento e largura.
VI - As extremidades da superfície são linhas.
VII - Superfície plana é aquela sobre a qual assenta toda uma linha reta entre dois pontos quaisquer, que estiverem na mesma superfície.
XIII - Termo se diz aquilo que é extremidade de alguma coisa.
XIV - Figura é um espaço fechado por um ou mais termos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Intervalo com elefantes e Ambroise Paré

Dia a dia com Shakespeare

o perigo de reler romeu & julieta aos 50 é constatar a idiotice das paixões adolescentes / lady macbeth nós amamos você / regane & goneril & as irmãs invejosas da gata borralheira / lear nós também te amamos de paixão / hamleto hoje você não passa de outro nome riscado no meu caderninho / alguém perguntou sobre ofélia? / sexo drogas & rock´n roll no forrobodó da noite de verão / ah como é falha a comunicação humana suspirou o mouro enquanto asfixiava a branquela / verona veneza mântua & a o lado latino da geografia da tragédia