quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mandala (de algum lugar do Google)

6 - qual foi a experiência de vida que mais me fortaleceu?

Gastrite, insônia e pressão alta. A dentista arrancou sem querer o dente sadio. A melhor amiga roubou o namorado. Furou o pneu da moto no domingo. Cancelaram a viagem na última hora. A passadeira Queimou o paletó do único terno apresentável. O porteiro pediu 100 reais emprestado. Desabou o toró. Descobriu que era adotado. O colega reclamou do mau-hálito. Depositaram antes do dia o cheque predatado. Perdeu a ação por vacilo do advogado. Perdeu o último ônibus para Guarapari. Perdeu a receita do antibiótico. Apareceu uma pereba na virilha. Vai ter que usar aparelho. Perdeu 100 reais no metrô. A mãe fala pelos cotovelos. O vaso sanitário entupiu. O desodorante e o creme dental acabaram. O colesterol está nas alturas. O namorado nunca tem tempo. O vírus corrompeu os arquivos. O paquera do site não apareceu. O vizinho ouve pagode no último volume. A imunidade anda baixa. Discutiu com a caixa do supermercado. O segurança mandou baixar o tom de voz. Clonaram o cartão de crédito. Bloquearam a internet na repartição. O chefe passou o pior serviço. A mãe-de-santo mandou se benzer.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

The dream exchange

Estou viciado no blog The Dream Exchange (http://dream-exchange.blogspot.com/). O blogueiro publica fotos masculinas, quase sempre anônimas, implícita ou explicitamente gays, de várias épocas do passado. São milhares, classificadas por datas ou períodos, desde o fim do séc. XIX até os anos 80 do séc. XX. Apesar de lindas e sempre muito poéticas, algumas delas podem desagradar ou ferir susceptibilidades morais. Por isso o blogger alerta ao visitante de tratar-se de conteúdo adulto. Sugestão: pular as imagens pornôs e mergulhar no material histórico/antropológico maravilhoso do resto.






segunda-feira, 22 de agosto de 2011

5 - se eu vivesse até os 100 anos, acharia mais importante ter a mente lúcida ou o corpo em forma? (Mini-histórias daltônicas)

Roupinha lavada e passada, comidinha na hora, bolsa de água quente aos pés da cama de madrugada, mãozinhas de menina massageando as costas. Não fosse a pitada de vidro moído na comida dia sim dia não, chegava, fácil, aos 100 anos.


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Apaixonada pelo Zorro da Sessão da Tarde. Café no copo, bolachas Maria na bandeja e o boa-noite, na ponta da língua, para oferecer ao repórter grisalho do jornal das 8.

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Aos 60, corria 2 quilômetros e tomava banho frio no inverno. Aos 70 o substituiu a natação pela hidroginástica. Aos 80, caminhada leve e alongamentos para não forçar o joelho. Chegou aos 100 completamente lúcido. Roçando os peitinhos das meninas do retiro.

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Novelos de cabelos embrulhados em papel de seda. Balas de leite derretidas, ainda do aniversário de 80 anos. Crucifixo faltando um braço e correntinha de ouro arrebentada. Vidros de remédio vazios. Sacos de pão tão bem dobradinhos que pareciam novos. Moedas velhas, fichas de telefone e arruelas na lata de Nescau escondida no fundo da mala.