segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
diário gerúndio 7
ouvindo o telúrico hermeto. ouvindo tim maia. ouvindo miriam makeba. ouvindo cantiga de santo. arrepiando a epiderme do espírito. tomando espumante rosê. gargalhando em cascata. pedindo fogo. rodopiando até cair. esfaqueando o pernil. beijando a boca com gosto de chantili da matrona bêbada. trocando os pés pelas mãos. cambaleando pela senda da virtude. tomando o rumo do erro.
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trabalhando, ó perses, divina progênie, para que a fome me deteste e me queira bem a coroada e veneranda deméter, enchendo-me de alimentos o celeiro.
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revisitando mary shelley. lanchando no fiorde com isak dinesen. solidarizando-me com a solidão de conde drácula. acampando com rimbaud na terra dos bérberes. caçando elefantes com d. h. lawrence. tomando chá com virgínia e victoria sackvillewest. espiando o banho do amante gostosão de lady chatterley. transcrevendo as alucinações do alheio. enviando torpedos pelo celular. assistindo filminhos cult. derramando lágrimas furtivas no escurinho do cinema. comendo empada de palmito & despachando a eternidade.
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pirateando verger, herscovitz & o pessoal do ceao. aprendendo gramática na internet. caminhando no parque sob a garoa. ouvindo histórias trash no elevador. superando com dionisos o vazio deixado por apolo.
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trabalhando, ó perses, divina progênie, para que a fome me deteste e me queira bem a coroada e veneranda deméter, enchendo-me de alimentos o celeiro.
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revisitando mary shelley. lanchando no fiorde com isak dinesen. solidarizando-me com a solidão de conde drácula. acampando com rimbaud na terra dos bérberes. caçando elefantes com d. h. lawrence. tomando chá com virgínia e victoria sackvillewest. espiando o banho do amante gostosão de lady chatterley. transcrevendo as alucinações do alheio. enviando torpedos pelo celular. assistindo filminhos cult. derramando lágrimas furtivas no escurinho do cinema. comendo empada de palmito & despachando a eternidade.
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pirateando verger, herscovitz & o pessoal do ceao. aprendendo gramática na internet. caminhando no parque sob a garoa. ouvindo histórias trash no elevador. superando com dionisos o vazio deixado por apolo.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
diário gerúndio 6
preparando o final apoteótico do conto de natal com mortos-vivos. curtindo my funny valentine na voz do anjo chet baker. relembrando chocolate jesus. lendo sobre legba. aguardando mensagens do além que não vêm. teclando horrores & assistindo filminhos tarja preta dos anos 80. discutindo a relação pelo facebook. reciclando comida & bebida do reveion. tomando uísque em plena segunda-feira. morrendo de saudade. bisbilhotando a casa-aquário. tentando escrever palavras edificantes para o ano que se inicia.
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ouvindo carolina na voz de isaurinha garcia. expurgando o baú das lembranças. ensaboando a sereia na banheira da suíte master. recolhendo os louros & varrendo o papel picado do ano que se foi. experimentando contatos do segundo e terceiro graus. planejando o tour pelo território insondável do não-ser. reproduzindo comportamentos intra-uterinos. categorizando o sexo dos anjos & dos reles mortais. recapitulando elogios. repescando simone de beauvoir na estante das prioridades.
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arrotando lentilhas da prosperidade. corrigindo erros crassos nas postagens antigas. relendo ray bradbury. fotografando a chuva do décimo-primeiro andar. ouvindo a plenitude do universo de elza soares. cancelando compromissos sociais. esperando o príncipe que nunca chega. entendendo aspectos dos planetas trans-saturnianos. garimpando imagens fantasmagóricas no dream exchange. descalçando as sandálias de prata & calçando havaianas. invocando carmem miranda na brincadeira do copo. constatando o inútil senso de realidade.
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ouvindo carolina na voz de isaurinha garcia. expurgando o baú das lembranças. ensaboando a sereia na banheira da suíte master. recolhendo os louros & varrendo o papel picado do ano que se foi. experimentando contatos do segundo e terceiro graus. planejando o tour pelo território insondável do não-ser. reproduzindo comportamentos intra-uterinos. categorizando o sexo dos anjos & dos reles mortais. recapitulando elogios. repescando simone de beauvoir na estante das prioridades.
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arrotando lentilhas da prosperidade. corrigindo erros crassos nas postagens antigas. relendo ray bradbury. fotografando a chuva do décimo-primeiro andar. ouvindo a plenitude do universo de elza soares. cancelando compromissos sociais. esperando o príncipe que nunca chega. entendendo aspectos dos planetas trans-saturnianos. garimpando imagens fantasmagóricas no dream exchange. descalçando as sandálias de prata & calçando havaianas. invocando carmem miranda na brincadeira do copo. constatando o inútil senso de realidade.
sábado, 31 de dezembro de 2011
história de natal (10)
(...)
No instante em que a aba do chapéu de nosso pai tocou a palma da mão de nossa mãe, o halo, o cone se desfez. Desmanchou-se também o sentido, a intenção do gesto, amoleceram os dedos, a musculatura, a mão, e o braço de nossa mãe tombou ao longo do corpo. Justo nesse momento, por coincidência ou não, as luzes da sala oscilaram, falharam, piscaram e se apagaram. Assim, ao invés do natural relaxamento de todos, acompanhado do desfazimento do túnel-cone e do gesto de nossa mãe, e terminada a travessia de nosso pai, ao invés de terminar, a tensão prolongou-se, pois o coincidente piscar das luzes foi um sinal, um alerta de que mais acontecimentos viriam, ou explicações, o desfecho previsível. O piscar das luzes estendeu a tensão, impediu de se descongelarem os gestos dos convidados, as cinzas dos cigarros serem batidas nos cinzeiros, as mãos descansarem as taças na mesa, os últimos goles descerem pela garganta, os caroços de azeitona serem jogados pela janela, os guardanapos limparem os cantos das bocas. Nós já estávamos acostumados, a corrente elétrica oscilava, por exemplo, quando mais que dois de nossos irmãos mais velhos demoravam-se ao chuveiro, quando se ligava mais de uma máquina ao mesmo tempo, a ordenhadeira, o descaroçador, a bomba hidráulica, etcétera, a máquina velha do gerador sobrecarregava-se, e era só o tempo das pupilas se acostumarem com o escuro, se dilatarem, para que um de nossos irmãos mais velhos se dirigisse à casa das máquinas e religasse o gerador, às vezes nem era necessário levar a lanterna, tão acostumados estávamos, sempre, assim o pique de luz não deveria ter sido surpresa, afinal todas as luzes da casa estavam acesas, o pisca-pisca da árvore de natal e das guirlandas, o aparelho televisor e o de som, o refrigerador na temperatura máxima de congelamento, mas justo na noite de natal, justo na noite em que nosso pai voltava, depois de tanto tempo desaparecido, a queda de energia nos tomou desprevenidos, porque o escuro se desencadeou o depois, as consequências foram definitivas.
No instante em que a aba do chapéu de nosso pai tocou a palma da mão de nossa mãe, o halo, o cone se desfez. Desmanchou-se também o sentido, a intenção do gesto, amoleceram os dedos, a musculatura, a mão, e o braço de nossa mãe tombou ao longo do corpo. Justo nesse momento, por coincidência ou não, as luzes da sala oscilaram, falharam, piscaram e se apagaram. Assim, ao invés do natural relaxamento de todos, acompanhado do desfazimento do túnel-cone e do gesto de nossa mãe, e terminada a travessia de nosso pai, ao invés de terminar, a tensão prolongou-se, pois o coincidente piscar das luzes foi um sinal, um alerta de que mais acontecimentos viriam, ou explicações, o desfecho previsível. O piscar das luzes estendeu a tensão, impediu de se descongelarem os gestos dos convidados, as cinzas dos cigarros serem batidas nos cinzeiros, as mãos descansarem as taças na mesa, os últimos goles descerem pela garganta, os caroços de azeitona serem jogados pela janela, os guardanapos limparem os cantos das bocas. Nós já estávamos acostumados, a corrente elétrica oscilava, por exemplo, quando mais que dois de nossos irmãos mais velhos demoravam-se ao chuveiro, quando se ligava mais de uma máquina ao mesmo tempo, a ordenhadeira, o descaroçador, a bomba hidráulica, etcétera, a máquina velha do gerador sobrecarregava-se, e era só o tempo das pupilas se acostumarem com o escuro, se dilatarem, para que um de nossos irmãos mais velhos se dirigisse à casa das máquinas e religasse o gerador, às vezes nem era necessário levar a lanterna, tão acostumados estávamos, sempre, assim o pique de luz não deveria ter sido surpresa, afinal todas as luzes da casa estavam acesas, o pisca-pisca da árvore de natal e das guirlandas, o aparelho televisor e o de som, o refrigerador na temperatura máxima de congelamento, mas justo na noite de natal, justo na noite em que nosso pai voltava, depois de tanto tempo desaparecido, a queda de energia nos tomou desprevenidos, porque o escuro se desencadeou o depois, as consequências foram definitivas.
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