Que toquem os tambores, insuflem as penas, as fitas, que brilhem os vidrilhos, que dancem Chico, Catirina, os vaqueiros, os caboclinhos e as crioulas, que abra o cortejo Cazumbá para acompanhar mestre Teodoro.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Seu Teodoro
Que toquem os tambores, insuflem as penas, as fitas, que brilhem os vidrilhos, que dancem Chico, Catirina, os vaqueiros, os caboclinhos e as crioulas, que abra o cortejo Cazumbá para acompanhar mestre Teodoro.
sábado, 14 de janeiro de 2012
os mortos-vivos (parte 11)
Ocorreu no intervalo de tempo entre o apagar das luzes, no instante em que a aba do chapéu de nosso pai tocou a palma da mão erguida de nossa mãe, e o em que as luzes reacenderam, imprevistas, ofuscando as nossas pupilas acostumadas ao escuro. Não durara mais que hora ou duas, no máximo, e nesse intervalo, fosse possível, provável ou exequível, teria passado, já, a noite de natal, teria decorrido a eternidade, quando nossa mãe abriu a boca para falar.
os mortos-vivos (parte 12)
Para nós, os mais pequenos, os mortos-vivos só existiam quando, proibidos que éramos, por nossa mãe, de nos levantar da cama, até o término da distribuição dos presentes, normalmente à hora do almoço, nossos rostos amassados no vidro da janela do quarto, nós os víamos, vinte ou trinta, velhos e velhas, homens, mulheres, crianças, na manhã chuvosa da véspera do natal, no gramado entre o curral e a varanda da casa, de pé, imóveis, bamboleando, emitindo um som contínuo, abaixo do tom, quase um zumbido. No entanto, viemos a saber depois, aqueles eram uma parcela ínfima, composta por familiares falecidos, amigos, agregados, empregados, antigos conhecidos. Os mortos-vivos eram centenas, milhares, a perambular pelas estradas, pastos, trilhas de gado ao sopé dos morros, debaixo das pontes, às margens dos córregos, de fazenda em fazenda, nas portas das igrejas e dos armazéns, nos povoados, e somente se distinguiam dos vivos pelas roupas um pouco fora de moda e pelo cheiro de cânfora, formol, naftalina, misturado ao da carne em decomposição e, à noite, pelo brilho fraco, avermelhado, dos olhos, nos fundos das olheiras quase negras.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
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