domingo, 18 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
(leminski)
um dia sobre nós também
vai cair o esquecimento
como a chuva no telhado
e sermos esquecidos
será quase a felicidade
(la vie en close, 1994)
vai cair o esquecimento
como a chuva no telhado
e sermos esquecidos
será quase a felicidade
(la vie en close, 1994)
(leminski - lápide 2 - epitáfio para a alma)
aqui jaz um artista
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
(la vie en close, 1994)
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
(la vie en close, 1994)
(leminski - lápide 1 - epitáfio para o corpo)
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
(la vie en close, 1994)
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
(la vie en close, 1994)
(leminski)
A morte, a gente comemora.
No meu peito, cai a Roma,
que, caída embora,
nenhum bárbaro doma.
As romas que assim tivermos
e os esplendores da pessoa,
a impropriedade dos termos,
a quem doer, doa.
(de: la vie en close, 1994)
No meu peito, cai a Roma,
que, caída embora,
nenhum bárbaro doma.
As romas que assim tivermos
e os esplendores da pessoa,
a impropriedade dos termos,
a quem doer, doa.
(de: la vie en close, 1994)
22
![]() |
| Pieter Brueghel, O triunfo da Morte, 1562 (detalhe) |
ó morte, tu vens de todas as partes
nos assediar: teu estandarte
tremula sobre o universo inteiro,
ninguém jamais te faz frente
pela força ou pela astúcia, porque
tu sabes muito bem nos aterrorizar.
estejas perto ou longe
com a funda ou com a roqueira,
tu destróis todos os nossos anteparos;
os cargos, tu os calcas aos pés:
tu preparas o caixão antes, lá
onde é esperado muito mais tarde.
(dos Versos da Morte, de Hélinand de Froidmont, escritos no séc. XII, traduzidos por Heitor Megale)
sexta-feira, 16 de março de 2012
33
![]() |
| Hans Baldung, A Morte e a donzela, 1517 |
a morte acalma os furiosos
e arrefece os excitados;
os combates, a morte termina
e põe em cruz os falsos cruzados;
a morte resolve todos os processos
e faz encalhar os acordos,
e distingue rosas de espinhos,
palha de grão, farelo de farinha
e vinhos puros de vinhos aguados.
seu olhar atravessa as cortinas,
só a morte sabe e adivinha
exatamente nossas qualidades.
(dos Versos da Morte, de Hélinand de Froidmont, escritos no séc. XII, traduzidos por Heitor Megale)
quinta-feira, 15 de março de 2012
diário de férias do velho sátiro
Vasculho a areia. À procura de pedaços de pentes de ouro das sereias. Seixos. Conchas de formato excêntrico. Garrafas com mensagens de náufragos ou bilhetes apaixonados. Encontro recipientes pet & sacolas de supermercado & canudos coloridos & preservativos no lixo não-reciclado.
...
Garotos para todos os gostos & orçamentos disputam o lugar ao sol. Ou uma espreguiçadeira desocupada. Disfarço o olhar súplice nas franjas do chapéu & nos adereços do anonimato. Mastigo amendoins torrados como se fosse ambrosia. Entre goles de néctar diet.
...
Flecho o ar. Em todas as direções. Atinjo o inesperado. O barulho fofo da presa se esborrachando. Tateio. Encontro. Sujo as pontas dos dedos no sangue da expectativa.
...
Espio pela fenda do sono & do torpor. A quem se destinam as tantas mensagens que o fauninho escreve?
...
Ah, se ele imaginasse o frio que faz de madrugada nesse lado da cama...
...
Garotos para todos os gostos & orçamentos disputam o lugar ao sol. Ou uma espreguiçadeira desocupada. Disfarço o olhar súplice nas franjas do chapéu & nos adereços do anonimato. Mastigo amendoins torrados como se fosse ambrosia. Entre goles de néctar diet.
...
Flecho o ar. Em todas as direções. Atinjo o inesperado. O barulho fofo da presa se esborrachando. Tateio. Encontro. Sujo as pontas dos dedos no sangue da expectativa.
...
Espio pela fenda do sono & do torpor. A quem se destinam as tantas mensagens que o fauninho escreve?
...
Ah, se ele imaginasse o frio que faz de madrugada nesse lado da cama...
terça-feira, 13 de março de 2012
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