quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

apontamentos para o retorno do herói

O herói largou a mochila no meio da sala. As mãos vazias, como se diz, uma à frente, a outra atrás. Constava, única riqueza, o único despojo, o único espólio, as próprias histórias, talvez menos vividas que inventadas, tanto tempo longe, e que lhe sugeriam um rumo à existência.

Sozinho ele partira. Sozinho retornara.

Não houve para o herói cão, velho servo, ama-de-leite, filho imberbe, esposa, pretendentes, artimanhas ou lutas sangrentas para reaver a casa. Somente a correspondência entupindo a caixa do correio e a fresta sob a porta.

E, amontoada por sobre o sofá e a mesa-de-centro, e se espalhando sobre o tapete, escorrendo pelo chão da sala e do resto da casa, a teia áspera de cada dia, cada hora, cada minuto tecida pela ausência.

sábado, 1 de dezembro de 2012

o herói diante do espelho

é estúpido eu me ver nu no espelho grande do banheiro logo cedo
o riso de quem bebeu demais
o olhar de quem cheirou demais
a pança de quem jantou demais
de quem fodeu demais depois do jantar
de quem bebeu, cheirou, fodeu
depois dos jantares dos últimos dez anos

eu quem frequentava palestras, seminários, workshops
cursos à distância e os presenciais
quem reaquecia o ânimo da galera desatenta
e concluía discursos motivacionais com uma piada inteligente
quem distribuía charutos, os brindes
e servia espumante na festa de confraternização dos subgerentes

eu que até ontem, depois do jantar
fui simpático, engraçado, bem-humorado, de-bem-com-a-vida
eu que sempre contribuí, facilitei
viabilizei projetos
propus soluções
superei metas
sem nunca perder o foco

eu quem cedo ou tarde galgarei o melhor cargo
que sentarei na cabeceira da mesa de reuniões
que estacionarei o carro na vaga privativa
que serei imprescindível e terei direito às melhores comissões
não sou eu o idiota refletido no espelho grande do banheiro

não é minha a cara frágil
o olhar apavorado
de quem teme uma congestão
uma doença venérea
um ataque cardíaco
um avc
uma congestão intestinal 
um mau jeito na coluna
uma gastrite, uma úlcera, um câncer no estômago

não é minha essa cara aparvalhada
de quem teme novos desafios
a contenção de gastos
a redução do quadro
a reestruturação do plano de saúde
as variações da bolsa
a apólice do seguro de vida
o complemento da aposentadoria por invalidez
a prestação da casa própria
a demissão 
o processo por danos morais
(afinal, nunca se sabe, essas putas, esses filhos das putas)
depois do jantar

eu ligo a torneira de água quente e espero o vapor embaçar o vidro
eu espero o vapor embaçar a ridícula imagem refletida

antes de qualquer coisa eu devia fazer a barba
tomar um anti-ácido
pedir suco de melancia com laranja e adoçante
um energético

e vestir o terno, a camisa branca e a gravata dependurados no cabide dos bem-sucedidos

definitivamente não sou eu esse parvo, esse gordo ridículo
úmido, peludo, recurvado
coçando a bunda e mal reprimindo um peido
cintura larga, a barriga escondendo
o pau murcho, encolhido
inútil como o pau de um menino velho

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

instinto natural

Chego em casa tarde. Estranho os bichos não estarem à espera quando abro a porta. O cão velho dá sinal de vida. Abana o rabo contra as paredes da casinha.

Nada da gata.

Coloco a ração, troco a água. Quando estou tirando os sapatos, ouço um chiado esquisito, longo, doloroso. Repetido alguns instantes depois. Procuro. Um rato?

Era um pardal. Debaixo da cama. Semi-morto. Vigiado pela gata. Orgulhosa e assustada com a primeira caça de grande porte.

Alguém me disse que não se deve repreender o animal. Ela agiu por puro instinto. A caça debaixo ou sobre a cama é uma oferenda ao dono.

Ajo psicológica e pedagogicamente. Agradeço à gata com um afago. Controlo a repulsa. Seguro o pardal ainda vivo. Que dá outro grasnado, chiado, sei lá - agonizante.

O que fazer? Abreviar o sofrimento dele? Anestesiá-lo com um pano embebido em álcool e torcer-lhe o pescocinho? Quem disse que dou conta?

Depositei o moribundo no vaso de gerânios, do lado de fora da casa. Esperando, covarde, que ele se recuprere milagosamente com o toque da vara de condão da fada-do-luar. Ou que uma coruja buraqueira termine o serviço iniciado pela gata.

Assim, direta, crua, objetiva é a natureza.

...

Meia hora depois. Enquanto escrevo esta história, a coruja pia na janela. Em seguida mais chiados do pardal. Interrompidos, talvez, por garras afiadas e bico adunco. Ou envolvido pelo edredon de nuvens da fada-do-luar.

...

De manhã o pardal não estava mais entre os gerânios. Sem sinal de penas. Sinal que não foi comido pela coruja. Fico feliz por ter-lhe salvo (mesmo covardemente) a vida.

Chega o cão, todo feliz. Abanando o rabo. Com algo na boca. Deposita com toda delicadeza o "algo" aos meus pés. Era o pardal. Morto, óbvio. Todo babado, meio depenado. O cão o lambia como se fosse um pirulito.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

o neurologista, a tia e o atentado

1.
No início dos anos 90, o neurologista inglês Oliver Sacks ficou conhecido no Brasil por conta do filme Tempo de Despertar (sobre o tratamento revolucionário de pacientes catatônicos em um hospital psiquiátrico nova-iorquino).

Na onda do filme, foram publicados vários livros dele, dos quais li “Um antropólogo em Marte”. O texto acessível e envolvente discorre sobre patologias esquisitas provocadas por disfunções cerebrais. Por exemplo: um pintor que, após um acidente automobilístico, passa a enxergar o mundo em preto-e-branco; um cirurgião que só se alivia de tiques nervosos ao pilotar seu monomotor; um cego que, ao recuperar a visão, percebe que não sabe ver; uma professora autista que ama os animais, mas sente-se perplexa diante das emoções humanas, como um antropólogo em Marte.

2.
Tia Hemicênia (nome que nunca descobrimos a origem) era professora. Das boas. Das antigas. Alfabetizou, educou e ensinou pelo menos 3 gerações de alunos. Famosa no tempo dela pela capacidade de incutir nos alunos, com carinho, ou a ferro e fogo, as agruras, os espinhos, os mistérios da língua portuguesa e a escapar de suas inúmeras armadilhas.

Tia Hemicênia me ensinou a ler. Apresentou-me, aos 7 anos, a obra completa de Monteiro Lobato, infinitos volumes de capa dura, verde, com os títulos e vinhetas prateados. Depois, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Maria Clara Machado, José Mauro de Vasconcelos, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Bernardo Élis, Cassiano Ricardo e tantos outros.

Tia Hemicênia vivia 24 horas atenta aos erros ortográficos e gramaticais: nos trabalhos escolares, no rádio, novelas e telejornais, nas manchetes de revistas, placas de anúncios, embalagens - nada escapava ao seu crivo. Ficava possessa, furiosa quando os encontrava. Escrevia às redações, telefonava às emissoras, às empresas, ou, quando ocorria ao vivo, ela pagava um sermão didático ao infrator.

3.
Quando eu os encontro na leitura, broxo na hora. Execro o autor. Mando e-mail. Envio torpedo. Mensagem privada. Intolerância herdada de tia Hemicênia.

No entanto, condescendo aos erros relacionados às armadilhas da língua. Ou às confusões da pressa. Principalmente quando nos escritos efêmeros da internet. Afinal, atire a primeira pedra quem nunca os cometeu.

Busco o bom senso: alguns são menos erros que desvios da Norma, que como todo mundo sabe, pode variar quando visitada pelo falante comum ou pela elite dominante (como afirmam os estudiosos). A língua é dinâmica e a gramática é burocrática.

4.
Porém, escrever “flecha” com “x”? “xingar” com “ch”? “Texto” com “s”? Fulano e sicrano “chegou”? dói na alma. É demais. Me dá (Dá-me) tonteira, ânsia de vômito e faz tia Hemicênia se revirar no túmulo.

5.
Admitir o erro é o primeiro passo no caminho do acerto.

Pois eu, herdeiro direto da intolerância de Tia Hemicênia, admito. Expio. Bato no peito três vezes: minha culpa, minha tão grande culpa (adoro essa construção). Nos últimos 10 dias eu pequei os 4 pecados do item 4: escrevi “flecha” com “x” em uma correspondência oficial. Por duas vezes, escrevi “xingar” e “xinguei” com “ch”; e emendei a concordância absurda em um mesmo texto publicado no blog. Ontem - horror dos horrores! - escrevi “texto” com “s” em pleno compartilhamento do facebook.

Perdi o sono. Erro de digitação? Corretor ortográfico do programa desativado? Pressa? Displicência? Desatenção? Estresse? Dor de dente? Dor de cotovelo? Lapso senil? Ignorância? Desculpas sempre haverá.

Então surgiu a lembrança do Dr. Sacks da parte 1. Será que fui acometido de alguma síndrome neurológica ainda não descoberta, que apaga momentaneamente a atenção? Que cega o senso crítico? Que converte, de uma hora para outra, um pretenso autor em monstro capaz das piores taras e atrocidades, assassino da própria língua-mater?

6.
Depois de tia Hemicênia eu aprendi a ler o texto 2, 3, 20 vezes antes de torná-lo público. De preferência, passar pelo revisor. Aprendi que, depois de publicado, não se volta atrás, não se corrige de forma digna. Que erratas são atestados de negligência. Que, por mais anuentes, os leitores não perdoarão jamais. Que, por mais banais, os erros fragilizam o autor, expondo-o à chacota, ao apedrejamento, às feras, à pena capital.

Por isso, peço: ao leitor (se é que ainda haja algum), desculpas pelo indesculpável. Aos críticos, vista grossa, ao menos essa vez. Ao Dr. Oliver Sacks, please, encontrar a cura dessa patologia hodienda. À tia Hemicênia, por amor ao vernáculo, que interceda junto às Musas pela salvação da minha  alma (atrofiada) de escritor.

sábado, 24 de novembro de 2012

sobre gripe e cinema


cena de cold fish (shion ono, 2010)
Minhas gripes são avassaladoras. Ocorrem em ciclos mais ou menos regulares, anuais. Culminam um processo lento que se inicia com a euforia dos primeiros meses do ano, os momentos de melancolia e isolamento intercalados no correr dos segundo e terceiro trimestres e a crise propriamente dita. Dura entre 7 e 10 dias. Nas semanas depressivas que precedem as festividades de fim-de-ano.

Tirando os sintomas (pressão arterial baixa, espirros, calafrios, tosse seca, nariz e garganta entupidos, dor no peito, sonolência, febre, moleza, mal-estar geral e dor de cabeça), a pausa causada pela gripe anual possibilita interiorização bastante produtiva.

Geralmente eu leio. Livros chatos, cujas leituras vêm se arrastando por meses (aquele sobre a vaidade), mas que eu não consigo largar de mão. Livros que ninguém mais lê (na louca, encomendei de um sebo virtual a vida dos homens ilustres, de Plutarco). Abro exceção para ler autores novos, novíssimos e revelações (sem citar impressões, nomes e títulos). Best-sellers, tops da lista dos mais vendidos, indicados pelos amigos (os hilários tons de cinza), etc.

A gripe atual está particularmente forte. Uma espécie de morte-em-vida (horas e horas deitado, sem energia nem para buscar um copo d'água na cozinha). Por isso, eu a dediquei ao cinema. Assisto filmes de manhã à noite. Cinema Nacional. Clássicos. Épicos. Japoneses. Gays. Trash. Comédias. Faroestes. Pornôs. Documentários. Ação. Romance. Aventura. Comédia. Animações. Com ou sem legenda, dependendo do idioma. Em tecnicolor ou preto-e-branco.

Ontem não houve concessão para besteirol. De uma enfiada, vi: Narradores de Javé (Eliane Caffé, 2003); Noite Vazia (Valter Hugo Khouri, 1964); Raízes do Brasil I e II (Nelson Pereira dos Santos, 2003); A hora e a vez de Augusto Matraga (Roberto Santos, 1964); de quebra, o clássico Belle de jour (Luis Bruñuel, 1967). Obs.: A ostra e o vento (Walter Lima Júnior, 1997) eu desisti no início: era além das minhas forças.

Os "Narradores" e "A ostra" podem ser esteticamente enquadrados na categoria dos filmes nacionais não vistos dos anos 80 ou 90. A sensação final é de desperdício: ótimos atores. Fotografia e trilhas sonoras incríveis. Bons argumentos. Roteiros promissores mas mal alinhavados. Diálogos sofríveis. Direção a desejar e finalização apressada.

Exceção para o "Raízes" (subtítulo: uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda). Disfarçado em um daqueles filmes caseiros, de família. Com direito a cervejada, criançada na piscina (?) e churrascão. Só que "da" família. Cujos membros circulam, à vontade, em botequins, rodas de samba, ambientes acadêmicos e ministeriais. Até Carlinhos Brown (que nem conheceu o pai do sogro) depõe no documentário. A certa altura, o charmoso Chico folheia um "dicionário de termos afins", que ganhou do pai (deu vontade de ler). A primeira parte do documentário é envolvente, viva, muito graças à graça das falas das filhas e neta cantoras e da matriarca Memélia. A segunda é muito chata. A autobiografia cronológica de Sérgio é lida pelas filhas, entremeada de História do Brasil e trechos do Raízes do Brasil.

"Noite vazia" e "A hora e a vez" estão na categoria dos Clássicos do Cinema Nacional. "Noite vazia" tem um quê da estética nouvelle vague (longas tomadas, imagens paradas, expressões estáticas, maquiagem pesada, muita luz-e-sombra, alta tensão interna, excesso de cenas urbanas noturnas, silêncios e, como o próprio título sugere, o vazio existencial dos personagens e do próprio filme).

"A hora e a vez" é puro cinema novo. Arrebata. Primeiro, pela fidelidade ao conto de Guimarães Rosa. O cuidado com os diálogos, a caracterização dos personagens, as locações do sertão, a cenografia, figurinos, a música de Geraldo Vandré etc etc. A interpretação de Leonardo Villar e de Jofre Soares é de babar. Ruim só a cópia: borrada e com uma logo do site o tempo inteiro no canto inferior direito da tela.

Hoje, para começar, escolhi Cold Fish (Shion Sono, 2010). Talvez o Cafundó (Paulo Betti, 2005). Homem-aranha, Batman, A saga de Shrek (ainda não descobri onde baixar os 4 filmes) ou algum besteirol gls, dublado, do Coca-e-pipoca. E torcer para a gripe acabar. Pois segunda-feira a vida tem que voltar ao normal.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

reflexões do anti-herói

Fosse melhor dotado de corpo, diria meu pai, eu teria sido um homem público. Houvesse uma gota que transbordasse a taça da coragem, do ímpeto e da inteligência, o mundo teria ganho um líder. Ou um criminoso.

Meu miolo é mole para a filosofia. A arte me enfada. Os números e as ciências me são intransponíveis. Lutar me cansa, só de pensar. Mesmo assim eu me iludo: serei o protagonista de ao menos um feito memorável. Que seja o de arancar da cara a máscara da mediocridade.

Minha verdadeira vocação é o palhaço.

Tenho cometido mais erros que o admissível. Desde os básicos até os profundíssimos. Por sorte, atualmente só os da primeira categoria: conversar sozinho; beber além da conta; jogar a guimba do cigarro pela janela.

Um, único erro profundíssimo me consome: existir. Desse eu um basta, como  a namoradinha grávida o deu, na correnteza.

Existo vago, desprovido de alma. Testemunha involuntária de crimes hediondos. De prevaricações de folhetim. A pouca-vergonha que me envolve me corrói. Percorro, sozinho, todas as noites, o mundo intermediário, povoado por ausências. Pelos fantasmas das frustrações e das lembranças.

domingo, 18 de novembro de 2012

libação

Libar é um verbo estranho. Relacionado ao sentido do sagrado. Eu libo, tu libas, ele liba, nós libamos, vós libais, eles libam.

Eu libo à insônia e à sonolência. À macarronada, ao churrasco e ao vegetarianismo. À orgia e ao celibato. Ao sábado de sol e chuva. Ao domingo de tédio. À segunda-feira de desesepero.

Ao doido Lear que me habita. Libo aos bobos vitoriosos e bobos derrotados. Aos momentos felizes e à insatisfação em cada hora, cada minuto, cada instante do dia. Ao lírico e ao ridículo. À pompa e à circunstância. Ao compromisso e ao desleixo. Ao sério e ao excesso. Ao desespero de ser. À integridade inata e ao politicamente correto.
 
Também libo aos mortos em geral. Aos mortos que povoam o sono e a vigília. Aos mortos que viverão na memória. Aos mortos que, mais cedo do que tarde, serão esquecidos. Aos mortos que insistem em permanecer vivos. Aos mortos que dançam sob a chuva do entadecer. Aos mortos insepultos. Aos que morrem dormindo. Aos mortos ressuscitados que padeceram e voltarão no terceiro dia.

Eu libo às aberrações e aos amores fugazes. Às emoções, os sentimentos e sensações. Aos plantonistas e aos coveiros. Ao haver e ao dever dos contadores. Ao fluxo menstrual das vendedoras de cremes rejuvenescedores. Às floristas. A todos aqueles que convivem com a Inevitável.

Eu libo aos sufocamentos e às transcendências. À superação do ser e à submissão do espírito. Ao funâmbulo que despenca da corda bamba estendida entre os décimos-segundos andares de dois edifícios do Centro.

Eu libo às danças: ao tango e à doença de São Guido. Aos atores e aos impostores. Eu libo às divas e aos canastrões acometidos do mal de alzhaimer. Às prostitutas blenorrágicas e aos poetas clássicos. Aos romances vividos ou escritos. Aos contos de terror inacabados. Às personagens secundárias e aos protagonistas mal-amados.

Voltando ao início, eu libo a Dionisos. Ao sol, à chuva. À vida em geral. À escuridão da noite. Ao cinzento da madrugada. Sucedida, sempre, da claridade dos dias.



sábado, 17 de novembro de 2012

butoh no parque 3




(Clorofeelings, resultado de oficina, Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012)

butoh no parque 2







 
(Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012)

butoh no parque 1



Jinen Butoh, Astushi Takenouchi e Hiroko Komiya, apresentação no Parque Olhos D'água, Brasília, 17.11.2012