A casa estava com infiltrações. Para consertar, me indicaram um pedreiro. Competente, rápido e de confiança. Com pressa por causa da temporada de chuva próxima eu aceitei o preço sem questionar.
Apesar de alguns estresses ele cumpriu o prazo estipulado. Não com tanto critério e qualidade como o propalado, mas aparentemente a contento. Arrancou o piso antigo, impermeabilizou com manta asfáltica, fez contrapiso, colocou novo piso, garantiu o serviço por 1 ano, recebeu e foi-se embora.
Na primeira chuva o problema voltou.
...
O pedreiro veio na semana passada para dar garantia ao serviço malfeito. Descobriu (ou reinventou) outro problema, por suposto nada a ver com o que ele tinha entregue (e cobrado os olhos da cara). Garantiu (pela enésima vez) rapidez e eficácia. Dessa vez a infiltração estaria definitivamente debelada.
...
Para orçar o novo serviço ele teria que quebrar a parede. Para quebrar a parede ele tiraria a porta-janela. E me deixar ao relento.
...
Na quarta-feira ele tirou a porta-janela. Colocou no vão uma lona plástica colada com fita crepe. Afirmou com toda convicção que aguentaria até o dia seguinte, quando começaria o quebra-quebra.
Não aguentou. Na mesma tarde o vento jogou longe o plástico. Ele veio, refez a proteção improvisada. E lançou a bomba na maior cara-de-pau: somente poderia iniciar o serviço na segunda-feira (estava terminando outra obra). Mas que não choveria até lá. Se chovesse, a gambiarra aguentaria.
Eu me sentindo otário exponencial. Era mais que óbvio que estava sendo enrolado. O trabalho do pedreiro excepcional era medíocre, irresponsável e demasiado porco.
...
Hoje à tarde veio a chuva. Felizmente, apesar de persistente, não muito forte. O suficiente para arrancar de novo a lona-plástica.
Evacuei o local às pressas. Tirei a aparelhagem de som, os CDs, uns livros. Ainda arranjei o plástico de forma que se a chuva não engrossar demais, não inunde o resto da casa.
...
Depois, a vontade era ligar para o pedreiro, mandar recolocar a porta imediatamente, assumir o prejuízo e demiti-lo por telefone mesmo.
Mas seria um pitaco inócuo. Ele não viria mais, eu teria que arcar com os gastos da recolocação da porta-janela e do futuro conserto das calhas. Sem condições.
Dizer diplomaticamente poucas e boas ao profissional irresponsável (se ele vier mesmo amanhã) e negociar para que ele volte no próximo ano, quando a chuva acabar.
Ou começar tudo do zero. Alguém conhece um pedreiro?
domingo, 29 de setembro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
diário repetitivo
Finalmente (às 22:53) a sexta-feira chegou para ficar. Saiba as razões da demora a seguir:
1.
Lembram-se do post sobre a crise convulsiva da cadela? Que eu pensava serem-lhe aqueles os derradeiros dias de vida? (se não se lembram, releiam aqui). Pois a situação inverteu-se. É como se aquilo nunca tivesse acontecido. Pandora, aos 12 anos, retomou a integral e irrestrita disposição da juventude.
Mais uma vez a lição reaprendida com ela: viver vale a pena. Sempre. A qualquer instante. A todo custo.
2.
As infiltrações apareceram logo na primeira chuva após terminada a reforma da casa nova. Deixei passar. Até o limite do suportável. Ou seja, 2 anos de goteiras, manchas de mofo no teto do quarto e cascas de pintura caindo na cabeça dos convidados.
Então pedi indicação de mão-de-obra confiável.
Veio o Kleyton. Alardeando o tempo todo a própria honestidade e a qualidade do serviço. Oferecendo garantia irrestrita. Prometendo mundos e fundos.
Kleyton quebrou, descascou, impermeabilizou, sujou, substituiu. Me fez gastar em material pelo menos 2 vezes o dinheiro que eu não tinha. Faltou, atrasou, me enrolou e me infernizou a vida por 30 dias. Como de praxe, 2 dias após a entrega do serviço (e consequente pagamento), choveu a primeira chuva da primavera no cerrado - e com ela a mesmíssima infiltração.
Kleyton detectou novos problemas. Na quarta-feira arrancou as portas e as janelas do local afetado. Na quinta-feira, após os meus pedidos desesperados, mandou o ajudante cobrir os vãos com lona plástica. Pois que estava a terminar outra obra e viria me socorrer assim que pudesse.
A lona plástica foi mal colocada. O vento arrancou-a na madrugada. Liguei ao Kleyton hoje cedo. Receando a chuva prometida para o final de semana. Ele veio ao final do dia. Prometendo solução definitiva até, no máximo, a segunda-feira próxima. Mas o plástico - ouço o farfalhar ao vento agora, na madrugada - descolou (talvez irremediavelmente) de novo.
Que os deuses e as iabás velhas segurem a chuva prometida pelo menos até segunda-feira cedo.
3.
Ainda tem a praga dos besouros. Como no Egito bíblico. É impossível acender a luz sem o ataque da horda desses coleópteros (do tamanho de uma mosca) cuja razão de existir resume-se a uma noite esvoaçando em torno de qualquer foco de luz, seguido de uma manhã de estertor com as perninhas pra cima, uma vassoura e uma pá de lixo que os varram à primeira claridade do alvorecer e um sepultamento coletivo (milhares de semelhantes ainda vivos e esperneantes) na lixeira da cozinha.
Mais as baratas voadoras que me perseguem desde a ancestralidade remota.
4.
Há também o cenário. E a burocracia infinda e kafkiana do projeto cultural. Preencho recibos, guias, cheques, formulários. Visito o teatro, converso com o técnico, pechincho, negocio, compro material, devolvo, peço notas fiscais, penso e repenso, abandono, retomo soluções. Como no diário-gerúndio de ontem:eu não vejo a hora de acabar.
5.
Os meses de julho e agosto próximos-passados (adoro essa expressão) foram punks. Jet-leg, gripe, inércia e depressão prolongadas (vide a escassa produção no blog).
A cura deu-se à base da milagrosa homeopatia do Dr. Basílio, do floral anti-pânico-social e da atividade física beirando à neurastenia. Cujas consequências são um possível cancro de pele em decorrência do excesso de sol, o latejar constante da musculatura das costas, o ombro prestes a travar de vez e o desgaste da articulação do fêmur.
6.
Adquiri uma panificadora doméstica. Daquelas que é só despejar os ingredientes e acordar na manhã seguinte com um super-pão quentinho e perfumado esperando para ser devorado.
Fazer o próprio pão é uma experiência ancestral. Sagrada.
Experimento. Invento. Subverto as regras das receitas. Pão da aveia, pão integral, pão de gergelim, pão caseiro, pão rápido, pão demorado, pão que cresce, pão que sola, pão de goiaba, pão com besouro para ser jogado fora. Ad infinitum.
Por isso eu me esmero nas atividades físicas descritas no item anterior para compensar os possíveis excessos.
7.
Para completar, o convite para participar da antologia.
Confesso: sem tempo, pique ou disposição para produzir textos novos e consistentes. Dignos dos demais autores. Apesar de toda a compreensão e condescendência do organizador do projeto. Propus o caminho aparentemente fácil: resgatar textos do blog.
Levei adiante. Acha que é fácil escolher 25 entre quase 1.200 postagens ao longo dos 3 últimos anos?
(Resultado da primeira repescagem: 159).
8.
Ia me esquecendo do projeto Saia-da-solidão-e-tire-o-atraso-em-2-cliques-e-uma-carinha.sorridente-no-skype (para bom entendedor, meia-palavra basta). Projeto este adiado indefinidamente. Por falta de quorum.
9.
Por tudo isso dei um tempo. Comprei um espumante agora há pouco. Bebido até a última gota no exato instante em que te escrevo.
Sei que falta fazer uma infinidade de coisas. Ligar para a amiga operada. Para a que iria operar. Para a amiga cujo pai está doente. Para o provável e quase impossível namorado. Para a futura nora. Para a diretora da peça. Para seduzir o protagonista da peça. Para organizar o almoço de aniversário dos 90 anos da mãe. Para adiar a aula de alemão da próxima terça-feira. Para marcar a vistoria no Detran. Renovar o seguro. Procurar receitas na internet. Preparar o material da montagem. Agradecer à veterinária. Pedir nova receita ao homeopata. Marcar a acupunturista.O massagista. O dentista. O acompanhante.
10.
Na repescagem dos textos para a antologia encontrei um que se encaixa perfeitamente no momento atual (são 0h07min). O título é "Libações". Para quem não leu ou quiser reler, clique aqui.
1.
Lembram-se do post sobre a crise convulsiva da cadela? Que eu pensava serem-lhe aqueles os derradeiros dias de vida? (se não se lembram, releiam aqui). Pois a situação inverteu-se. É como se aquilo nunca tivesse acontecido. Pandora, aos 12 anos, retomou a integral e irrestrita disposição da juventude.
Mais uma vez a lição reaprendida com ela: viver vale a pena. Sempre. A qualquer instante. A todo custo.
2.
As infiltrações apareceram logo na primeira chuva após terminada a reforma da casa nova. Deixei passar. Até o limite do suportável. Ou seja, 2 anos de goteiras, manchas de mofo no teto do quarto e cascas de pintura caindo na cabeça dos convidados.
Então pedi indicação de mão-de-obra confiável.
Veio o Kleyton. Alardeando o tempo todo a própria honestidade e a qualidade do serviço. Oferecendo garantia irrestrita. Prometendo mundos e fundos.
Kleyton quebrou, descascou, impermeabilizou, sujou, substituiu. Me fez gastar em material pelo menos 2 vezes o dinheiro que eu não tinha. Faltou, atrasou, me enrolou e me infernizou a vida por 30 dias. Como de praxe, 2 dias após a entrega do serviço (e consequente pagamento), choveu a primeira chuva da primavera no cerrado - e com ela a mesmíssima infiltração.
Kleyton detectou novos problemas. Na quarta-feira arrancou as portas e as janelas do local afetado. Na quinta-feira, após os meus pedidos desesperados, mandou o ajudante cobrir os vãos com lona plástica. Pois que estava a terminar outra obra e viria me socorrer assim que pudesse.
A lona plástica foi mal colocada. O vento arrancou-a na madrugada. Liguei ao Kleyton hoje cedo. Receando a chuva prometida para o final de semana. Ele veio ao final do dia. Prometendo solução definitiva até, no máximo, a segunda-feira próxima. Mas o plástico - ouço o farfalhar ao vento agora, na madrugada - descolou (talvez irremediavelmente) de novo.
Que os deuses e as iabás velhas segurem a chuva prometida pelo menos até segunda-feira cedo.
3.
Ainda tem a praga dos besouros. Como no Egito bíblico. É impossível acender a luz sem o ataque da horda desses coleópteros (do tamanho de uma mosca) cuja razão de existir resume-se a uma noite esvoaçando em torno de qualquer foco de luz, seguido de uma manhã de estertor com as perninhas pra cima, uma vassoura e uma pá de lixo que os varram à primeira claridade do alvorecer e um sepultamento coletivo (milhares de semelhantes ainda vivos e esperneantes) na lixeira da cozinha.
Mais as baratas voadoras que me perseguem desde a ancestralidade remota.
4.
Há também o cenário. E a burocracia infinda e kafkiana do projeto cultural. Preencho recibos, guias, cheques, formulários. Visito o teatro, converso com o técnico, pechincho, negocio, compro material, devolvo, peço notas fiscais, penso e repenso, abandono, retomo soluções. Como no diário-gerúndio de ontem:eu não vejo a hora de acabar.
5.
Os meses de julho e agosto próximos-passados (adoro essa expressão) foram punks. Jet-leg, gripe, inércia e depressão prolongadas (vide a escassa produção no blog).
A cura deu-se à base da milagrosa homeopatia do Dr. Basílio, do floral anti-pânico-social e da atividade física beirando à neurastenia. Cujas consequências são um possível cancro de pele em decorrência do excesso de sol, o latejar constante da musculatura das costas, o ombro prestes a travar de vez e o desgaste da articulação do fêmur.
6.
Adquiri uma panificadora doméstica. Daquelas que é só despejar os ingredientes e acordar na manhã seguinte com um super-pão quentinho e perfumado esperando para ser devorado.
Fazer o próprio pão é uma experiência ancestral. Sagrada.
Experimento. Invento. Subverto as regras das receitas. Pão da aveia, pão integral, pão de gergelim, pão caseiro, pão rápido, pão demorado, pão que cresce, pão que sola, pão de goiaba, pão com besouro para ser jogado fora. Ad infinitum.
Por isso eu me esmero nas atividades físicas descritas no item anterior para compensar os possíveis excessos.
7.
Para completar, o convite para participar da antologia.
Confesso: sem tempo, pique ou disposição para produzir textos novos e consistentes. Dignos dos demais autores. Apesar de toda a compreensão e condescendência do organizador do projeto. Propus o caminho aparentemente fácil: resgatar textos do blog.
Levei adiante. Acha que é fácil escolher 25 entre quase 1.200 postagens ao longo dos 3 últimos anos?
(Resultado da primeira repescagem: 159).
8.
Ia me esquecendo do projeto Saia-da-solidão-e-tire-o-atraso-em-2-cliques-e-uma-carinha.sorridente-no-skype (para bom entendedor, meia-palavra basta). Projeto este adiado indefinidamente. Por falta de quorum.
9.
Por tudo isso dei um tempo. Comprei um espumante agora há pouco. Bebido até a última gota no exato instante em que te escrevo.
Sei que falta fazer uma infinidade de coisas. Ligar para a amiga operada. Para a que iria operar. Para a amiga cujo pai está doente. Para o provável e quase impossível namorado. Para a futura nora. Para a diretora da peça. Para seduzir o protagonista da peça. Para organizar o almoço de aniversário dos 90 anos da mãe. Para adiar a aula de alemão da próxima terça-feira. Para marcar a vistoria no Detran. Renovar o seguro. Procurar receitas na internet. Preparar o material da montagem. Agradecer à veterinária. Pedir nova receita ao homeopata. Marcar a acupunturista.O massagista. O dentista. O acompanhante.
10.
Na repescagem dos textos para a antologia encontrei um que se encaixa perfeitamente no momento atual (são 0h07min). O título é "Libações". Para quem não leu ou quiser reler, clique aqui.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
diário gerúndio real
secretariando. agendando reuniões. cancelando compromissos. imprimindo guias. preenchendo formulários. redigindo relatórios. separando. recuperando. guardando & retirando papelada das pastas. copiando. rasgando. grampeando. prendendo com clipes. esperando que acabe.
...
vendendo o carro. monitorando à distância. aguardando a vez. pagando tarifas. vistoriando. autenticando firmas. transferindo. despachando. sendo educado mas cobrando posicionamentos.
...
trabalhando. criando. pensando em hipóteses, possibilidades & resultado. criticando. emitindo opiniões. ouvindo críticas & fofocas & comentários nem sempre edificantes. esquivando de comprometimentos ideológicos. torcendo para que tudo dê certo.
...
relendo. escolhendo. repescando. elaborando. editando. planejando. contando com a boa vontade & a paciência alheia.
...
sendo simpático. sendo otimista. varrendo besouros. ouvindo sem querer a conversa dos vizinhos. fazendo pães. estudando inglês. comendo na rua. tomando chá de boldo. nadando dia sim dia não. exercitando. dormindo tarde & acordando cedo. dormindo mal. cuidando da vida. procurando príncipes. desencantando. lendo meia-dúzia de linhas. pensando em escrever. desistindo por falta de tempo. assistindo seriados antigos. caindo em sono profundo.
...
vendendo o carro. monitorando à distância. aguardando a vez. pagando tarifas. vistoriando. autenticando firmas. transferindo. despachando. sendo educado mas cobrando posicionamentos.
...
trabalhando. criando. pensando em hipóteses, possibilidades & resultado. criticando. emitindo opiniões. ouvindo críticas & fofocas & comentários nem sempre edificantes. esquivando de comprometimentos ideológicos. torcendo para que tudo dê certo.
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relendo. escolhendo. repescando. elaborando. editando. planejando. contando com a boa vontade & a paciência alheia.
...
sendo simpático. sendo otimista. varrendo besouros. ouvindo sem querer a conversa dos vizinhos. fazendo pães. estudando inglês. comendo na rua. tomando chá de boldo. nadando dia sim dia não. exercitando. dormindo tarde & acordando cedo. dormindo mal. cuidando da vida. procurando príncipes. desencantando. lendo meia-dúzia de linhas. pensando em escrever. desistindo por falta de tempo. assistindo seriados antigos. caindo em sono profundo.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
poemas portugueses - casimiro de brito
![]() |
| Caverna. Praia do Benagil. Portugal. De: http://jp-lugaresfantasticos.blogspot.com.br |
Ao cimo da Fóia
Lá muito ao longe os olhos decifram
o perfil dos rios a gramática
ora suntuosa ora
seca
das praias
enquanto na memória se concentram
páginas de areia armas
sem gume símbolos da noite
Branca desesperada
...
Templo submerso
(Benagil)
O mar descobre em seu tempo
de aridez
Templo onde brilha a lenta
madrugada do mundo pedras desprendidas de
formadas
pelos elementos em isita
vigilante
Pedras ou pássaros gravados na sombra barcos
de rosto humano
Essa é a outra face da ferida
talhada no centro da terra no centro
do sol pelo fulgor das marés pela ternura
de armas marítimas
O mar o alimenta com seus frutos
de plena infinitude
O tempo a paciência
...
Os três castelos
(Praia da Rocha)
O perfil sereno o metal desprendido esculpido
nestas rochas a desolada confiança
no tempo no vínculo da morte
em movimento
A ternura generosa do
silêncio
Depuram
O nosso orgulho desmedido os nossos passos
de cinza as nossas guerras
em círculo
Dentro do pó
...
(Casimiro de Brito, de Mesa do Amor, 1977)
(Fóia é o nome do ponto mais alto do Algarve, na serra de Monchique, em Portugal. É acessível por estrada a partir de Monchique. Tem 902 m de altitude e uma proeminência topográfica de 739 m. Nos dias claros é possível ver o oceano Atlântico. Fonte: Google maps).
terça-feira, 24 de setembro de 2013
pergunta da caixinha: qual a melhor idade, e por quê?
A infância ficou envolta pela névoa translúcida da memória. Contaminada pelo sonho, retocada pelas cores psicodélicas da fantasia e da ficção e das lembranças de veracidade duvidosa. A adolescência foi só sofrimento, rejeição, desajuste, inadequação. A primeira etapa da idade adulta (dos 20 aos 30) foi uma árdua passagem da adolescência. Acrescentada de paixões, ideias, ideais utópicos. Depois dos 30 anos veio uma espécie de inquietação ainda tênue. Lado a lado com a psicanálise, as realizações, os amores e desilusões grandiosos. Veio também a pressa em adquirir, ter, produzir, mostrar, transmitir perpetuar. Aos 40 a inquietação dos 30 germinou em uma promissora consciência do ridículo de existir. Sim, o amadurecimento, como um parto a fórceps.
Perder para sempre a pureza, a inocência, a impetuosidade, a beleza, o frescor, a vitalidade, etc da juventude com a passagem para os 50 anos provocou uma crise intensa. (Em alguns casos a crise é irrevogável). Caiu a ficha da consciência da finitude.
Porém, superada a crise, a pessoa floresce. Sem arroubos, ímpetos, com menos contradições. Mudam gradualmente o olhar, a perspectiva, o horizonte. O que era esmaecido revigora-se. A essência sobrepuja-se à aparência. Mais silêncio do que forma. Arrebatamentos pequenos, médios ou grandes vêm e vão, como vão e vêm, de vez em quando, uns lampejos lúcidos de loucura. E aos 60, 70, 80? Há que se chegar lúcido e razoavelmente saudável aos 90? Só queria que daqui por diante o passar pelos dias fosse cada vez mais suave e doce e intenso e cheio de novidades.
Perder para sempre a pureza, a inocência, a impetuosidade, a beleza, o frescor, a vitalidade, etc da juventude com a passagem para os 50 anos provocou uma crise intensa. (Em alguns casos a crise é irrevogável). Caiu a ficha da consciência da finitude.
Porém, superada a crise, a pessoa floresce. Sem arroubos, ímpetos, com menos contradições. Mudam gradualmente o olhar, a perspectiva, o horizonte. O que era esmaecido revigora-se. A essência sobrepuja-se à aparência. Mais silêncio do que forma. Arrebatamentos pequenos, médios ou grandes vêm e vão, como vão e vêm, de vez em quando, uns lampejos lúcidos de loucura. E aos 60, 70, 80? Há que se chegar lúcido e razoavelmente saudável aos 90? Só queria que daqui por diante o passar pelos dias fosse cada vez mais suave e doce e intenso e cheio de novidades.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
recorte de poema de roberto piva
...
o mundo continua sendo um breve colapso logo que as
pálpebras baixem
& meu amor por ti uma profanação consciente de eternas
estrelas de rapina
(de: o jardim das delícias)
o mundo continua sendo um breve colapso logo que as
pálpebras baixem
& meu amor por ti uma profanação consciente de eternas
estrelas de rapina
(de: o jardim das delícias)
domingo, 22 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
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