sábado, 23 de novembro de 2013
waking life
"O hiato que há entre Platão ou Nietzche e o humano mediano é maior do que há entre o chimpanzé e o humano mediano".
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"Existem dois tipos de sofredores: aqueles que sofrem por falta de vida e os que sofrem da abundância excessiva da vida".
(Do filme Waking Life, 2001, Richard Linklater)
domingo, 17 de novembro de 2013
ainda sobre o inferno dantesco - o sétimo círculo
Recapitulando:
No sétimo círculo do inferno expiam aqueles que praticaram violência: homicidas, suicidas e violentos contra deus. Para cada tipo de violência é delimitado um giro, vale ou sessão.
No primeiro giro (banhado pelo Flagetonte, rio de sangue fervente) estão os homicidas.
Os suicidas (violentos contra si mesmos) expiam no segundo giro. É um local sem vida. Árvores secas e sem folhas, onde inúmeras harpias fazem ninhos, são as almas dos suicidas.
No terceiro giro estão 3 categorias de violentos contra deus: os blasfemos, os usurários e os sodomitas. Os habitantes do terceiro giro estão condenados a permanecer em um grande areal ardente, sob constante chuva de fogo.
Os blasfemos recebem o castigo deitados; os usurários, sentados; os sodomitas são obrigados a caminhar sem descanso.
...
A título ilustrativo, vale aqui um conceito etimológico (e seu desdobramento) pra lá de caducos:
Sodomita: adj. e s.m. e s.f. Habitante ou natural de Sodoma. / s.m. e s.f. Pessoa que pratica a sodomia. Natural de Sodoma. so·do·mi·ta (latim sodomitae, -arum, do latim Sodoma, -orum, .topônimo [cidade palestiniana]) adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros"sodomita". Sodomia: s.f. Perversão sexual; coito anal; pederastia.
(in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)
...
Isso era no ano de 1300. O imaginário católico era bastante restrito quanto ao tema da diversidade sexual. Felizmente, de Dante para a quase metade da segunda década do século XXI as coisas mudaram. Talvez não tão rápido quanto o necessário, mas mudaram. Apesar da corja dos malafaias, dos felicianos, et cetera. Quem diria que o atual Papa gostaria de saber o que pensam os fiéis sobre o aborto, o casamento e a adoção por casais gays?
...
O sentido da palavra sodomita perdeu quaisquer resquícios de credibilidade. Passou, de pecado mortal para, no mínimo, mote de programa humorístico politicamente incorreto de TV aberta domingueiro.
Dessa forma, com o fechamento do terceiro giro do sétimo círculo do inferno, o guardião Minos, os centauros e os capetas concursados serão demitidos ou remanejados. Ou aumentarão as estatísticas do desemprego local, nacional e mundial. As atividades daquele setor se encerrarão para sempre. As almas ali remanescentes deverão procurar em 6 meses outro círculo para habitar. Ou deverão adaptar-se à redução de quadro e às estratégias propostas pelos novos gestores.
...
Mas não nos iludamos, pecadores! Há ainda que se temer o sexto fosso do círculo oitavo, aquele onde a última moda é a sobrecapa longa com capuz, toda em chumbo e revestida de ouro.
No sétimo círculo do inferno expiam aqueles que praticaram violência: homicidas, suicidas e violentos contra deus. Para cada tipo de violência é delimitado um giro, vale ou sessão.
No primeiro giro (banhado pelo Flagetonte, rio de sangue fervente) estão os homicidas.
Os suicidas (violentos contra si mesmos) expiam no segundo giro. É um local sem vida. Árvores secas e sem folhas, onde inúmeras harpias fazem ninhos, são as almas dos suicidas.
No terceiro giro estão 3 categorias de violentos contra deus: os blasfemos, os usurários e os sodomitas. Os habitantes do terceiro giro estão condenados a permanecer em um grande areal ardente, sob constante chuva de fogo.
Os blasfemos recebem o castigo deitados; os usurários, sentados; os sodomitas são obrigados a caminhar sem descanso.
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A título ilustrativo, vale aqui um conceito etimológico (e seu desdobramento) pra lá de caducos:
Sodomita: adj. e s.m. e s.f. Habitante ou natural de Sodoma. / s.m. e s.f. Pessoa que pratica a sodomia. Natural de Sodoma. so·do·mi·ta (latim sodomitae, -arum, do latim Sodoma, -orum, .topônimo [cidade palestiniana]) adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros"sodomita". Sodomia: s.f. Perversão sexual; coito anal; pederastia.
(in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)
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Isso era no ano de 1300. O imaginário católico era bastante restrito quanto ao tema da diversidade sexual. Felizmente, de Dante para a quase metade da segunda década do século XXI as coisas mudaram. Talvez não tão rápido quanto o necessário, mas mudaram. Apesar da corja dos malafaias, dos felicianos, et cetera. Quem diria que o atual Papa gostaria de saber o que pensam os fiéis sobre o aborto, o casamento e a adoção por casais gays?
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O sentido da palavra sodomita perdeu quaisquer resquícios de credibilidade. Passou, de pecado mortal para, no mínimo, mote de programa humorístico politicamente incorreto de TV aberta domingueiro.
Dessa forma, com o fechamento do terceiro giro do sétimo círculo do inferno, o guardião Minos, os centauros e os capetas concursados serão demitidos ou remanejados. Ou aumentarão as estatísticas do desemprego local, nacional e mundial. As atividades daquele setor se encerrarão para sempre. As almas ali remanescentes deverão procurar em 6 meses outro círculo para habitar. Ou deverão adaptar-se à redução de quadro e às estratégias propostas pelos novos gestores.
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Mas não nos iludamos, pecadores! Há ainda que se temer o sexto fosso do círculo oitavo, aquele onde a última moda é a sobrecapa longa com capuz, toda em chumbo e revestida de ouro.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
estado de coma
Estado de Coma foi meu primeiro livro. De poesias e desenhos. Ambos hoje sofríveis, mas com a força e a vida de um adolescente confuso, perdido e no mínimo corajoso. Isso foi em 1979.
Era uma tiragem ambiciosa: 500 exemplares. Parte do livro foi impressa em mimeógrafo. Outra, clandestina, nas máquinas xerox da empresa onde eu trabalhava como office-boy. A única edição esgotou-se. Alguns exemplares foram vendidos nas mesas do Beirute e do Arabeske. A grande maioria foi distribuída para a multidão de pedestres, camelôs, hippies, travestis, funcionários públicos, vagabundos, etc que circulavam no calçadão da plataforma superior da rodoviária.
O lançamento foi uma quase-performance (naquela época eu nem sabia que isso existia): eu, cabeleira à la Doces Bárbaros, vestido de bata indiana e calçado com sandálias de corda, declamando e lançando folhas dos poemas ao vento, no mirante da Torre de Televisão. Nem é preciso dizer que fui retirado à força, pelo segurança do local, por parecer menos um performer e poeta promissor que um suicida potencial.
Que eu saiba, ainda existem 2 exemplares. Um deles foi colorido à mão e transmitido como herança intelectual ao filho. O outro (descobri outro dia), está com um amigo artista plástico que, à época da publicação, trabalhava como escriturário na mesma empresa onde eu era boy, e que em algum momento foi espelho para a minha trajetória artística.
Mas a grande surpresa foi o bilhete acima. Minha mãe me entregou, emocionadíssima, outro dia. Quase 35 anos depois de escrito. Eu nunca soube dele, ocultado por ela sabe-se lá os motivos. Só elogios, em linguagem simples, coloquial, carinhosa. Não conheci o autor (Antônio Geraldo Ramos Jubé, poeta goiano falecido em 2010) e nem faço ideia de quem seja o destinatário Edison.
A primeira crítica será muito bem guardada. Pois, além do conteúdo histórico-afetivo, foi datilografada por tia Hemicênia, que sempre deu todo o apoio às manifestações canhestras do sobrinho.
domingo, 10 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
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