sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

da série portfólio - desenhos diversos 1 - a ratazana - década de 1990


42 x 29 cm (fotos Almir Israel)

curiosidades do mundo antigo - homens ilustres - camilo

A vida de Fúrio Camilo (389 a 308 a.C) é tão ou mais chata que a de Publícola (caso haja interesse, leia clicando aqui). Só que ao invés dos intermináveis malabarismos políticos, a vida de Camilo são capítulos e capítulos descrevendo detalhes de batalhas (sempre com muitos sacrifícios e preces aos deuses) contra os gauleses, definitivamente expulsos de Roma pelo biografado após a primeira bem sucedida e a segunda frustrada tentativas de invasão.

(Haverá motivo para os romanos ilustres serem tão desinteressantes em contrapartida aos surpreendentes helênicos? Ou será preconceito, preferência pessoal pelos últimos?).

Mesmo com toda a chatice, resolvi fazer uma releitura dinâmica para não deixar passar nenhuma fofoca. Nada. Nem um retrato desenhado... Passemos então para a vida de Péricles, que não deve ser confundido com pagodeiro nem com jogador de futebol. Em breve.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

da série portfólio: o triunfo da morte

O triunfo da morte: sobre Brueghel (foto: Rui Faquini)
Título: O triunfo da morte: sobre Brueghel
Dimensões: 210cm x 160cm
Técnica: acrílica e tinta automotiva sobre compensado
Ano: 1991
Prêmio aquisição do XII Salão Nacional de Artes Plásticas - Prêmio Brasília.
Acervo do Museu de Arte de Brasília - MAB

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

curiosidades do mundo antigo - homens ilustres - temístocles


Temístocles é o primeiro biografado do segundo volume da Vida dos homens ilustres, de Plutarco. Foi um general e político ateniense que viveu entre 526 e 463 a.C. Seus maiores feitos foram transformar Atenas na maior potência naval helênica e vencer Xerxes, o rei dos persas, na famosa batalha de Salamina.

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Desde a infância Temístocles era ambicioso de grandes realizações e nascido para o manejo dos negócios. Achava um saco estudar as artes de entretenimento honesto e elegante (como a música), mas quando o assunto era política ou negócios públicos ele tinha orgasmos. Nas folgas dos estudos, jamais brincava nem permanecia ocioso, como faziam as demais crianças, mas era sempre encontrado decorando ou compondo sozinho algum discurso.

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Até o capítulo XXXIII são descritas as peripécias de guerra que culminaram com a derrota de Xerxes e dos persas em Salamina. Porém, vamos logo ao que interessa nessas postagens cobertas pela poeira dos séculos: fofocas.

Temístocles foi adversário político de Aristides. Dizem as más línguas que as divergências começaram em razão da disputa pelo amor do belo Estesislau. Depois desse ciúme inicial (parece que o bonitão escolheu Aristides), ambos continuaram para sempre a tomar partidos contrários até, a certa altura, Temístocles banir para sempre Aristides de Atenas e finalmente pegar Estesislau.

Certa vez, depois da fama adquirida com a vitória contra os persas, outro gatão sarado chamado Antifates, que esbanjara (se recusara, altivamente a ele, sem dar-lhe importância) Temístocles na época em que ele era desconhecido, veio fazer-lhe a corte. Temístocles dispensou o bofe, mais ou menos assim: querido, quando eu quis você não me deu bola; gora que estou por cima da carne seca, vai ver se eu estou lá na esquina. Essa frase atravessou os séculos. Sendo recriada e revivida recentemente na voz do Félix da novela.

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Mais um pouco de história séria:

O povo grego era muito volúvel. Em um dia amavam e idolatravam um homem público. No dia seguinte, por qualquer mexerico, passavam a odiá-lo com todas as forças, geralmente condenando-o ao ostracismo, que significava exílio por no mínimo 5 anos. Foi o que se sucedeu a Temístocles. Depois de ter feito tanto pela glória ateniense, depois de muita perambulação, foi chegar ao seio do povo persa, os antigos inimigos.

Porém, como bom político que era, logo conquistou a graça do sucessor de Xerxes. Passou a trabalhar para o rei, conquistou cidades, aconselhou, legislou. Mas quando foi obrigado a lutar contra os gregos, Temístocles ofereceu um solene sacrifício aos deuses, no qual festejou seus amigos de quem se despediu, pondo fim à vida ao beber sangue de touro junto com uma espécie de veneno que mata o homem dentro de 24 horas.

O rei persa admirou a lealdade do grego, ordenando construir-lhe uma sepultura magnífica na praça da cidade de Magnésia, e fixando algumas honrarias para os descendentes do homenageado, que duraram muitos séculos.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

anish kapoor:



[...] existe uma maravilhosa ideia cristã de voltar a outra ideia mítica, quando o apóstolo Tomé estica as mãos para tentar tocar as feridas de Cristo e Cristo diz noli me tangere (não me toque). Quer dizer que o que seus olhos veem, suas mão sempre tentarão confirmar. Grande parte do debate sobre o imaterial [na arte] decorre da confusão entre a mão e o olho, mas também é uma maneira de dizer que, quando o que você está olhando parece incerto, seu corpo demanda uma espécie de reajuste, ele requer certeza. De modo que algo ocorre ali onde você se encontra, no espaço ao seu redor, o tempo muda. Acho que o tempo torna-se mais lento. A verdade mística da arte é o tempo.

(Trecho de entrevista a Marcello Dantas, curador, publicada no catálogo da exposição Ascension, CCBB Rio, Brasília e São Paulo, em 2006/2007)

omissão proposital

(Duas páginas depois da citação sobre a questão da grande diferença de idade no amor (para ler, clique aqui), Berta Ruck desfaz o encanto: Mr. Nickolls era um sedutor barato. Era casado e não se divorciava porque a esposa era a sócia majoritária da empresa. Só queria aproveitar da beleza e juventude da secretária. Por isso não pediu a inocente e jovem Febe em casamento. Porém no capítulo seguinte a autora volta à carga com o tema. O pai viúvo de Susie e avô de Febe pediu em casamento Rosa, a filha da vizinha Mrs. Lane. A noiva tinha completado 17 anos).

johnny cash




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

curiosidades do mundo antigo - homens ilustres - publícola


Publícola significa "o amado do povo". Esse foi o codinome dado a Marco Valério, general e cônsul do Império Romano, por seis vezes, a partir de 350 a.C.

Foi uma leitura desatenta. Sabe quando você lê parágrafos e parágrafos e lá pela metade da próxima página percebe que não entendeu patavina do escrito? pois é. Assim foi a leitura da vida do ilustre Publícola. Eu só me lembro que o texto é uma sucessão de malabarismos políticos. Como pano de fundo, uma Roma beirando ao caos. Vivia-se um período de efervescência política e insatisfação popular e de terror. Tipo barril de pólvora com pavio curto. Tiranos revezavam-se no poder. Incêndios, traições, assassinatos. Foi Valério Publícola quem colocou ordem no barraco.

Nem uma fofoca, nem uma excentricidade. Tão sem-graça era a vida de Publícola que nem retrato tinha no livro. Só os acima: o de Vitélio, o tirano que deixou arder o templo de Júpiter Capitolino (o maior e o mais importante de Roma à época) e o de Vespasiano, que o mandou reconstruir.

Assim terminamos o primeiro volume. Quem abre o segundo é Temístocles, gerneral responsável por tornar a cidade de Atenas na maior potência naval do mundo helênico.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

diário da terça-feira

Hoje foi um dia de inércia. De incapacidade diante da vida. De quase desespero diante da papelada intocada sobre a mesa. Dia de desistências abstratas. De ficar quieto, paradinho, esperando o dia passar.

Dia nem tão improdutivo assim. Escovei as bolas de pelo da gata. Falei ao telefone. Ouvi Jeff Buckley e apaguei de vez uns escritinhos fuleiros.

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Trouxe frutas do supermercado. Um melão muito amarelo. Uma banda de melancia vermelha como um sorriso. Bananas, laranjas, uvas na promoção. Trigo moído, cebolas, proteína de soja & tomates, pois amanhã será dia de quibe assado.

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Dia de assistir ao jardineiro capinar o mato e expulsar os morcegos do sótão. De regar os vasos com água misturada com fertilizante. De constatar que as lagartas estão acabando com as orquídeas. Dia de desperdiçar tempo diante da tela do computador. De tentar remendar os flashes e as lembranças do sonho da noite agitada. De conferir o extrato bancário e pedir ao homeopata reforço na dose do natrium.

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(O irmão me emprestou Os rios profundos, romance do peruano José María Arguedas, traduzido por Josely Vianna Baptista, da Companhia das Letras. Perdi na última viagem. Encomendei outro no sebo para repor a perda. Chegou hoje. Expectativa frustrada: linda edição contendo uma horrorosa tradução portuguesa).

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No final da tarde, em um ímpeto eufórico, dei um basta à morte-em-vida. Enchi a cuia com a erva-nova-trazida-diretamente-de-porto-alegre, aqueci a água até chiar na chaleira e subi para malhar. Carreguei nos pesos. Aumentei as séries e as repetições. Suei literalmente a camisa. Ouvindo Rage Against the Machine no último volume, até saturar os espaços vazios da existência.

para vestir a carapuça e/ou calar a boca de muita gente

A jovem Febe está apaixonada por um homem misterioso. Tenta fazer com que a tia solteirona Susie descubra a identidade do seu primeiro e verdadeiro amor. Eis o diálogo:

- Já desisti de adivinhar, Febe. Quem é, pelo amor de Deus?
- Ninguém que alguém aqui já tenha visto. Chama-se Mr. Nickolls. Há um mês que trabalho no escritório particular dele. É o chefe da firma.
Susie se levantou, de golpe.
- Mas filha, ele não é muito mais velho que você?
- Se é! E muitos anos, graças ao Céu, suspirou a moça de 18 anos, enlevada. É um desses galanteadores de cabelos cinzentos, experientes, que fazem os outros rapazes parecerem toscos. E contudo, às vezes, é igual a um cabrito: um Peter Pan. Mas seja lá como for, quando estamos juntos eu nem me lembro a idade dele - se são 15 ou 50 anos. É o que acontece quando se gosta de um homem, titia.

de:
Berta Ruck, A solteirona
Vol. 118 da Biblioteca das Moças
Companhia Editora Nacional, S. Paulo, 1955