1. para refletir sobre a própria e a produção alheia:
[...] enfim mais um reprovável expermemento da aliteratura
contempustânea em suas viciosas viagens à ronda do seu próprio nombigo
(Haroldo de Campos, Galáxias, 1963/1976)
2. sempre que possível:
[...] O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!
(João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas)
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quarta-feira, 26 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
citação do dia
[...] passava boa parte do tempo navegando na internet, o grande matador de tempo que havia substituído a televisão, conspicuamente passiva, por sua ilusão sedutora de produtividade [...]
(Lionel Shriver, O grande irmão)
(Lionel Shriver, O grande irmão)
quarta-feira, 5 de março de 2014
da máquina de fazer espanhóis
[...] sabes que os peixes têm uma memória de segundos. aqueles peixes bonitos que vês dentro dos aquários pequenos, sabes que têm uma memória de uns segundos, três segundos, assim. é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada três segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada três segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. compreendes. a cada três segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação.
(Valter Hugo Mãe, A máquina de fazer espanhóis)
(Valter Hugo Mãe, A máquina de fazer espanhóis)
terça-feira, 4 de março de 2014
das galáxias
[...] quando o
escrever se trava no escrever quando o escrever é travo é cravo é
amargo no escrever e é tinta e treva é tinta e febre é tanta e fezes
que a escrita agora se reescreve se reenerva se refebra onde o visto
se conserva [...]
(Haroldo de Campos, Galáxias, 1974/1984)
escrever se trava no escrever quando o escrever é travo é cravo é
amargo no escrever e é tinta e treva é tinta e febre é tanta e fezes
que a escrita agora se reescreve se reenerva se refebra onde o visto
se conserva [...]
(Haroldo de Campos, Galáxias, 1974/1984)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
o ser humano é só carne e osso e uma tremenda vontade de complicar as coisas
aprendi tudo ao contrário depois, ser religioso é desenvolver uma mariquice no espírito, um medo pelo que não se vê, como ter medo do escuro porque o bicho-papão pode estar à espreita para nos puxar os cabelos. esperar por deus é como esperar pelo peter pan e querer que traga a fada sininho com a sua minissaia erótica tão adequada à ingenuidade das crianças. o ser humano é só carne e osso e uma tremenda vontade de complicar as coisas.
valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis
valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
anish kapoor:
![]() |
PVC, 33.6×99.89×72.23 metres, Grand Palais 2011
|
[...] existe uma maravilhosa ideia cristã de voltar a outra ideia mítica, quando o apóstolo Tomé estica as mãos para tentar tocar as feridas de Cristo e Cristo diz noli me tangere (não me toque). Quer dizer que o que seus olhos veem, suas mão sempre tentarão confirmar. Grande parte do debate sobre o imaterial [na arte] decorre da confusão entre a mão e o olho, mas também é uma maneira de dizer que, quando o que você está olhando parece incerto, seu corpo demanda uma espécie de reajuste, ele requer certeza. De modo que algo ocorre ali onde você se encontra, no espaço ao seu redor, o tempo muda. Acho que o tempo torna-se mais lento. A verdade mística da arte é o tempo.
(Trecho de entrevista a Marcello Dantas, curador, publicada no catálogo da exposição Ascension, CCBB Rio, Brasília e São Paulo, em 2006/2007)
sábado, 7 de dezembro de 2013
curiosidades do mundo antigo: numa pompílio
Com tanta literatura moderna e contemporânea à mão nas prateleiras das melhores livrarias, eu mergulhando na leitura dos clássicos de sebos.
Como diz um amigo: perda de tempo. O mundo de hoje não tem nada a ver com essas velharias mortas e enterradas há mais de 2 mil anos.
(Note-se: o amigo incongruente que me critica é estudioso das tragédias gregas, deleita-se em ouvir Sófocles e Eurípides em grego arcaico e faz suas abluções secretas a Dionisos).
...
Concordo com o amigo. A Problemática Humana (com maiúsculas mesmo) é infinitamente mais complexa e variada do que na época de Plutarco.
Mas dane-se. Trata-se de História. Eu gosto. Mesmo sendo taxado de anacrônico e alienado. Mesmo gastando um tempo enorme em decifrar inversões e elipses, na linguagem caduca de alguns trechos. Mesmo perdendo o bonde expresso da contemporaneidade.
...
A Vida dos homens ilustres, em 15 volumes, foi adquirida por uma pechincha. Encadernação em capa dura azul marinho com apliques em dourado, ilustrações como as acima, folhas quebradiças, lombadas empoeiradas e costuras roídas pelas traças.
...
A ideia inicial era uma postagem para cada uma das celebridades. Escrevi 3 textos: sobre Teseu, Rômulo e Licurgo. Abandonei o projeto por constatar que em parte o amigo acima tinha razão. Há pouco a dizer sobre eles no nosso mundo-vórtex de informação.
Mas, como exercício para romper o bloqueio criativo, prosseguirei. Vale como uma aulinha. Como se estivéssemos Leitor(a) e eu em uma sala de curso pré-vestibular.
Chega de justificativas.
...
Hoje falaremos sobre o chato do Numa Pompílio. Conforme qualquer enciclopédia física ou virtual, Numa governou Roma entre 754 e 671 a.C. Sucedeu a Rômulo, o fundador e primeiro governante romano (Rememore ou saiba mais clicando aqui).
Numa foi responsável por uma grande reforma político-religiosa. Pelo que entendi, elementos dessa reforma serviram de esteio para o cristianismo primitivo surgido alguns séculos depois.
Nasceu no dia da fundação de Roma, em 21 de abril. Era tão perfeitamente disposto a toda virtude que não precisou de mestres para governar. Além disso, sendo naturalmente inclinado e dedicado a toda virtude, poliu-se ainda mais pelo estudo das boas disciplinas (quais seriam elas?) e pelo estudo da paciência e da filosofia.
Após a morte da esposa Tácia, com quem viveu por 13 anos, Numa isolou-se dos homens. Mudou-se para o campo e passou a frequentar as florestas e bosques consagrados aos deuses, nas terras dos sabinos. Lá (Plutarco afirma com uma certa ironia) conheceu a ninfa e deusa Egéria, que o recebeu como marido e o proveu de insights sobre o amor e o conhecimento das coisas celestes.
...
O prudente Plutarco estende-se no tema para isentar-se ou justificar o descrédito. Lista fatos e evidências que poderiam reger o relacionamento entre humanos e divindades na época.
Exemplos:
1. As divindades preferem os homens aos pássaros ou os cavalos;
2. As divindades sentem prazer inenarrável em um papo cabeça com humanos. Desde que estes sejam perfeitamente bons ou os santos e religiosos;
3. Quanto ao relacionamento carnal propriamente dito, é bem difícil acreditar que as divindades sintam tesão nos humanos;
4. É plausível que uma divindade masculina se aproxime de uma mortal e a emprenhe. Mas um homem coabitar com uma divindade feminina e ter comistão corporal com ela é impossível (ele não explica a razão).
(Segundo o velho Caldas Aulete:
Comistão, s.f. (ant.) mistura // F. lat. Commixtio.)
...
Depois de arrazoar sobre a literalidade das relações deuses/deusas/homens /mulheres, Plutarco afirma que era tudo metáfora: as divindades trazem amizade aos homens puros e virtuosos; dessa amizade nasce o amor intelectual; por isso a dúbia denominação de amantes.
Ok, Plutarco, você me convenceu. Mas poderia ter parado aí. Para qual era a tua intenção em voltar à literalidade, enumerando os pouco espiritualizados e às vezes apimentados casos gays de deuses greco-romanos - Apolo e seus garotos Forbante, Jacinto, Admeto e Hipólito; Pã e seu boy-poeta Píndaro; Sófocles e Esculápio; et-cétera?
...
A falsa prudência era firula estilística. No capítulo IX, Plutarco explica que os capítulos anteriores sobre sexualidade eram uma espécie de parêntesis. Uma pausa de efeito. A fim de criar impacto para a revelação bombástica humana demasiado humana:
Na verdade Numa era uma raposa velha. Aproveitou-se politicamente do diz-que-diz sobre seu envolvimento com a ninfa-desusa para obter vantagens políticas que propiciaram as reformas político-religiosas e o conduziram às páginas amareladas de Plutarco.
Veremos o assunto na próxima postagem.
sábado, 30 de novembro de 2013
inferno de dante - o sexto fosso do círculo oitavo
Para finalizar o tema do Inferno dantesco falta falar do sexto fosso do círculo oitavo. Onde eu mais me identifiquei.
...
Como dito anteriormente, o sexto fosso do círculo oitavo é destinado aos hipócritas.
Como nos outros sítios, o sexto fosso é povoado por gente importante e famosa da época. Gente que usou e abusou da hipocrisia para alcançar Fama, Glória e Poder.
Mas não nos iludamos. A hipocrisia não é privilégio das altas esferas. Ela também (e como!) grassa entre nós, reles mortais. Sabe aquela maledicênciazinha inconsequente? tipo fofoca? apontar os defeitos do melhor amigo para o segundo melhor amigo, sem que o primeiro melhor amigo saiba? utilizar-se de um discurso e comportamento legal, compreensivo, contemporizador, mas no fundo desejando que o circo pegue fogo? manipular sentimentos alheios? Como no ditado: usar 2 pesos e 2 medidas em benefício próprio? Ou, no popular: dar uma de santinho, de bom moço (ou moça) só para se dar bem na fita?
Pois isso é pecado. Dos graves. Isso é hipocrisia.
Se você, Leitor(a), se enquadra em um ou mais dos exemplos acima e não se arrepender - o nosso destino será o sexto fosso do oitavo círculo. Estaremos condenados a vestir por toda a eternidade uma linda capa dourada com capuz - cujo forro de chumbo pesará toneladas e tornará qualquer movimento ou deslocamento nosso um verdadeiro suplício.
...
A imagem usada por Dante para a expiação dos pecados dos hipócritas é das mais sutis em sua tragicidade. Ali não há as óbvias lacerações de tridentes dos capetas, chuva de fogo, caldeiras de piche ardente, serpentes peçonhentas, cães ou diabos estraçalhando a carne. Só a lentidão, o peso dos movimentos. Por toda a eternidade
...
À primeira vista o personagem Dante não compreende o martírio. A visão da multidão de almas cobertas de elegantes mantos dourados andando muito lentamente, devido ao peso do chumbo, compunge (mais uma vez) o poeta:
Gente encontramos, fúlgida, dourada,
a desfilar em torno, lentamente
mostrando a face triste e macerada.
Capas trajava, de capuz à frente
dos olhos, (...)
(...)
Ah, manto eterno, fatigante e rico!
(Conforme a nota explicativa do tradutor, Cristiano Martins: O manto que revestia os hipócritas era eterno, porque eterno é o castigo do Inferno; fatigante, porque seu peso deixava extenuados os seus portadores; e rico, porque, dourado externamente, parecia de ouro).
Dante ainda duvida do suplício. Mas prosseguem os versos, para deixar indubitável o sofrimento:
Mas vós, quem sois, que aos olhos vos estila
o pranto, na aflição desesperada?
E que castigo é o vosso, que cintila?
E um deles: Esta túnica dourada,
de chumbo que é, pesou-nos tanto às vezes
que fez ranger, pendente, a nossa ossada.
...
A hipocrisia, talvez seja o pecado mais acessível, mais genérico a nós, mortais. Talvez seja o que tenhamos mais consciência e ao mesmo tempo maior dificuldade em nos livrarmos.
...
Vejamos o que o velho Caldas Aulete impresso tem a dizer sobre:
Hipocrisia. s. f. vício pelo qual se manifesta uma piedade, virtude ou sentimento que se não tem; afetação de qualidades que se não possuem; fingimento, falsidade.
O Dicionário Priberam virtual é mais liberal. Hipocrisia vem do grego Hupokrísia, que significa desempenho de um papel. Depois segue o convencional: fingimento de bondade de ideias ou opiniões apreciáveis; devoção fingida.
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
Quem de vós, Leitor, por exemplo, elogiou fingida, desabrida ou educadamente a estreia sofrível de uma atriz amiga (com segundas sedutoras intenções); ou um pintor bonitinho mas ordinário em sua primeira exposição; ou um jantar mal temperado mas oferecido por alguém influente que lhe promoverá no trabalho, uma roupa, uma maquiagem desconjuntada do(a) acompanhante, um texto confuso e repleto de incorreções gramaticais - só para se eximir da crítica honesta, só por interesse próprio, ou para evitar ser colocado em uma berlinda ou incômodo desnecessários?
...
(Arrependei-vos, ou nos encontraremos em breve...)
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
...
Há alguns dias terminei de tresler o apoteótico Inferno. Impressionado, sempre, com tudo o que acontece lá. Certo de me arrepender, qualquer hora dessas, e me livrar de qualquer motivo ser conduzido àquelas paragens.
Meu propósito era encerrar a releitura da Divina Comédia no Inferno. Só para sentir de novo na pele os infortúnios dos pecadores.
Mas prossegui. Acompanhei Dante e Virgílio na complicada passagem para o Purgatório.
O Purgatório é o lugar onde as almas que se arrependeram expiam seus pecados. É um lugar de imagens belíssimas (o mar ao alvorecer, revoadas de anjos, painéis pintados na rocha pelo próprio Deus, etc - mas é bastante chatinho - repleto de longos discursos morais relativos ao arrependimento.
A penitência no Purgatório dura o tempo em que as almas viveram em pecado, antes de se arrependerem - ou seja - viveu até os 80 anos? Serão mais 80 de expiação. Convenhamos, tempo curtíssimo se tomarmos como parâmetro a Eternidade.
Há ali muitas outras possibilidades de alojamento pós-mortem. Talvez numa próxima pós-tagem. Em breve.
E depois, quem sabe, um ou outro sobressalto que possa vir a ocorrer no Paraíso (que não seja o exagero de anjos, o encontro com um santo a cada esquina ou amor extático e às vezes repetitivo, do poeta por Beatriz).
...
Como dito anteriormente, o sexto fosso do círculo oitavo é destinado aos hipócritas.
Como nos outros sítios, o sexto fosso é povoado por gente importante e famosa da época. Gente que usou e abusou da hipocrisia para alcançar Fama, Glória e Poder.
Mas não nos iludamos. A hipocrisia não é privilégio das altas esferas. Ela também (e como!) grassa entre nós, reles mortais. Sabe aquela maledicênciazinha inconsequente? tipo fofoca? apontar os defeitos do melhor amigo para o segundo melhor amigo, sem que o primeiro melhor amigo saiba? utilizar-se de um discurso e comportamento legal, compreensivo, contemporizador, mas no fundo desejando que o circo pegue fogo? manipular sentimentos alheios? Como no ditado: usar 2 pesos e 2 medidas em benefício próprio? Ou, no popular: dar uma de santinho, de bom moço (ou moça) só para se dar bem na fita?
Pois isso é pecado. Dos graves. Isso é hipocrisia.
Se você, Leitor(a), se enquadra em um ou mais dos exemplos acima e não se arrepender - o nosso destino será o sexto fosso do oitavo círculo. Estaremos condenados a vestir por toda a eternidade uma linda capa dourada com capuz - cujo forro de chumbo pesará toneladas e tornará qualquer movimento ou deslocamento nosso um verdadeiro suplício.
...
A imagem usada por Dante para a expiação dos pecados dos hipócritas é das mais sutis em sua tragicidade. Ali não há as óbvias lacerações de tridentes dos capetas, chuva de fogo, caldeiras de piche ardente, serpentes peçonhentas, cães ou diabos estraçalhando a carne. Só a lentidão, o peso dos movimentos. Por toda a eternidade
...
À primeira vista o personagem Dante não compreende o martírio. A visão da multidão de almas cobertas de elegantes mantos dourados andando muito lentamente, devido ao peso do chumbo, compunge (mais uma vez) o poeta:
Gente encontramos, fúlgida, dourada,
a desfilar em torno, lentamente
mostrando a face triste e macerada.
Capas trajava, de capuz à frente
dos olhos, (...)
(...)
Ah, manto eterno, fatigante e rico!
(Conforme a nota explicativa do tradutor, Cristiano Martins: O manto que revestia os hipócritas era eterno, porque eterno é o castigo do Inferno; fatigante, porque seu peso deixava extenuados os seus portadores; e rico, porque, dourado externamente, parecia de ouro).
Dante ainda duvida do suplício. Mas prosseguem os versos, para deixar indubitável o sofrimento:
Mas vós, quem sois, que aos olhos vos estila
o pranto, na aflição desesperada?
E que castigo é o vosso, que cintila?
E um deles: Esta túnica dourada,
de chumbo que é, pesou-nos tanto às vezes
que fez ranger, pendente, a nossa ossada.
...
A hipocrisia, talvez seja o pecado mais acessível, mais genérico a nós, mortais. Talvez seja o que tenhamos mais consciência e ao mesmo tempo maior dificuldade em nos livrarmos.
...
Vejamos o que o velho Caldas Aulete impresso tem a dizer sobre:
Hipocrisia. s. f. vício pelo qual se manifesta uma piedade, virtude ou sentimento que se não tem; afetação de qualidades que se não possuem; fingimento, falsidade.
O Dicionário Priberam virtual é mais liberal. Hipocrisia vem do grego Hupokrísia, que significa desempenho de um papel. Depois segue o convencional: fingimento de bondade de ideias ou opiniões apreciáveis; devoção fingida.
Fingimento de bondade de .ideias ou de opiniões apreciáveis.
2.
Devoção fingida.
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
hi·po·cri·si·a
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
...(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
Quem de vós, Leitor, por exemplo, elogiou fingida, desabrida ou educadamente a estreia sofrível de uma atriz amiga (com segundas sedutoras intenções); ou um pintor bonitinho mas ordinário em sua primeira exposição; ou um jantar mal temperado mas oferecido por alguém influente que lhe promoverá no trabalho, uma roupa, uma maquiagem desconjuntada do(a) acompanhante, um texto confuso e repleto de incorreções gramaticais - só para se eximir da crítica honesta, só por interesse próprio, ou para evitar ser colocado em uma berlinda ou incômodo desnecessários?
...
(Arrependei-vos, ou nos encontraremos em breve...)
hi·po·cri·si·a
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
substantivo feminino
1.
Fingimento de bondade de .ideias ou de opiniões apreciáveis.
2.
Devoção fingida.
Palavras relacionadas:
.
.
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
hi·po·cri·si·a
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
(grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel)
substantivo feminino
1.
Fingimento de bondade de .ideias ou de opiniões apreciáveis.
2.
Devoção fingida.
Palavras relacionadas:
.
.
"hipocrisia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/hipocrisia [consultado em 30-11-2013].
...
Há alguns dias terminei de tresler o apoteótico Inferno. Impressionado, sempre, com tudo o que acontece lá. Certo de me arrepender, qualquer hora dessas, e me livrar de qualquer motivo ser conduzido àquelas paragens.
Meu propósito era encerrar a releitura da Divina Comédia no Inferno. Só para sentir de novo na pele os infortúnios dos pecadores.
Mas prossegui. Acompanhei Dante e Virgílio na complicada passagem para o Purgatório.
O Purgatório é o lugar onde as almas que se arrependeram expiam seus pecados. É um lugar de imagens belíssimas (o mar ao alvorecer, revoadas de anjos, painéis pintados na rocha pelo próprio Deus, etc - mas é bastante chatinho - repleto de longos discursos morais relativos ao arrependimento.
A penitência no Purgatório dura o tempo em que as almas viveram em pecado, antes de se arrependerem - ou seja - viveu até os 80 anos? Serão mais 80 de expiação. Convenhamos, tempo curtíssimo se tomarmos como parâmetro a Eternidade.
Há ali muitas outras possibilidades de alojamento pós-mortem. Talvez numa próxima pós-tagem. Em breve.
E depois, quem sabe, um ou outro sobressalto que possa vir a ocorrer no Paraíso (que não seja o exagero de anjos, o encontro com um santo a cada esquina ou amor extático e às vezes repetitivo, do poeta por Beatriz).
sábado, 23 de novembro de 2013
waking life
"O hiato que há entre Platão ou Nietzche e o humano mediano é maior do que há entre o chimpanzé e o humano mediano".
...
"Existem dois tipos de sofredores: aqueles que sofrem por falta de vida e os que sofrem da abundância excessiva da vida".
(Do filme Waking Life, 2001, Richard Linklater)
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
lionel shriver
A moça sempre se considerou correta com seus próprios sentimentos e com os sentimentos do marido. Porém está mentindo para ele. Pior, traindo. Ainda naquela primeira fase, em que o fascínio da paixão anula quaisquer decisões que não conduzam ao objeto e à realização da traição. A moça está em plena crise ao ver o relacionamento sólido (e os seus valores corretos) desmoronarem-se. No início ela acreditava que a traição seria um comportamento atípico. Agora (na página 115) a ficha dela caiu: está se achando uma reles "vadia fingida e traiçoeira". Só. No meio da turbulência emocional da moça, a frase totalmente anti-autoajuda, que fiquei tentado em colar no espelho do banheiro, para eu ler todos os dias ao acordar:
Quando o que você faz não se coaduna com quem você pensa que é, com certeza deve haver algo errado (e provavelmente otimista) a respeito de quem você pensa ser.
(Trata-se do romance O mundo pós-aniversário, da escritora americana Lionel Shriver).
Quando o que você faz não se coaduna com quem você pensa que é, com certeza deve haver algo errado (e provavelmente otimista) a respeito de quem você pensa ser.
(Trata-se do romance O mundo pós-aniversário, da escritora americana Lionel Shriver).
domingo, 20 de outubro de 2013
divina comédia - inferno - sétimo círculo (1)
![]() |
| (Gustave Doré, Inferno, XIV) |
(Escrevi essa introdução para falar sobre casamentos. A ideia inicial perdeu-se. Tive pena de apagar o parágrafo, que permaneceu arquivado - ou perdido na pasta dos rascunhos - sabe-se lá quanto tempo).
...
Outro dia me propuseram um trabalho inspirado na Divina Comédia. Mais especificamente no Inferno. Sei, já há milhões de trabalhos artísticos, performáticos, teatrais, midiáticos sobre. Sei também que Madame torcerá mais uma vez o nariz para o projeto (Madame é aquela que vive me admoestando para deixar de lado as velharias e me permitir novidades).
...
O projeto gorou. Mesmo assim retomei pela quarta ou quinta vez a descida aos círculos do Inferno. O texto é emocionante. Agora a maturidade possibilita acompanhar com mais empenho os poetas, degrau a degrau, na descida assombrosa.
...
Assim, ao invés de amores e casamentos, falarei sobre o terrível Sétimo Círculo. Aquele onde se encontram os violentos contra deus, a arte e a natureza. Continuamente fustigados por uma chuva de fogo.
O Sétimo Círculo do Inferno é guardado pelo Minotauro. É dividido em 3 sessões, ou "giros". No primeiro encontram-se os violentos contra o próximo: tiranos, assassinos, salteadores. Submersos em um rio de sangue fervente. Os tiranos estão imersos até à venta; Os assaltantes, até o peito. Os assassinos, a cabeça, acima do pescoço.
O giro segundo é o dos violentos contra si mesmos e/ou violentos contra os próprios bens: os suicidas, transformados em árvores; e os dissipadores, perseguidos e estraçalhados por cães ferozes.
O terceiro giro é onde se encontram os violentos contra deus, a arte e a natureza, continuamente fustigados por uma chuva de fogo. São eles os blasfemos, condenados a vagar por um deserto de areias incandescentes, sob chuva de fogo (um temporal de lâminas ardentes). Os violentos contra a arte, dobrados sobre si mesmos, e carregando uma bolsa bordada com os brasões de suas famílias e contendo os objetos por eles destruídos eram os usurários.
E os os pecadores contra a natureza, ou seja: os sodomitas. Objeto e tema da próxima postagem.
domingo, 1 de setembro de 2013
canção de temporadas antigas: bijouterias
Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de Virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem
Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir
Urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos
Ao meu bem mostrarei
No coração
Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem os tiques
As manias
Transparentes
Transparentes
Feito bijuterias
Pelas vitrines
Da Slopper da alma
(João Bosco / Aldir Blanc)
Virá alguém
Eu sou de Virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem
Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir
Urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos
Ao meu bem mostrarei
No coração
Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem os tiques
As manias
Transparentes
Transparentes
Feito bijuterias
Pelas vitrines
Da Slopper da alma
(João Bosco / Aldir Blanc)
sábado, 27 de julho de 2013
aflição
"Sim, afligia muito querer e não ter. Ou não querer e ter. Ou não querer e não ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra enfim dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto".
Caio Fernando Abreu, Depois de Agosto
Caio Fernando Abreu, Depois de Agosto
sexta-feira, 21 de junho de 2013
mia couto (2)
"Vivemos
longe de nós, em distante fingimento. Desaparecemo-nos. Porque nos
preferimos nessa escuridão interior? Talvez porque o escuro junta as
coisas, costura os fios do disperso. No aconchego da noite, o impossível
ganha a suposição do visível. Nessa ilusão descansam os nossos
fantasmas".
Mia Couto. O pescador cego. Do livro: Cada homem é uma raça.
Mia Couto. O pescador cego. Do livro: Cada homem é uma raça.
mia couto
História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens".
Do conto "O apocalipse privado do tio Geguê", em: Cada homem é uma raça.
Do conto "O apocalipse privado do tio Geguê", em: Cada homem é uma raça.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
frase para encerrar a noite com chave de ouro
Qualquer coisa na escrita me sugere o prazer da caça: no vazio da página se ocultam infinitos sobressaltos e espantos.
(do diário do caçador Arcanjo Baleiro - Mia Couto, A confissão da Leoa)
(do diário do caçador Arcanjo Baleiro - Mia Couto, A confissão da Leoa)
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
passado, memória, lembranças
...
As pessoas gostam de dizer que cada momento da vida nos depara uma bifurcação no caminho: sento na escrivaninha em vez de ir até a janela, onde talvez teria sido atingido por uma tijolada, ou em vez de ir passear no parque, onde teria encontrado uma mulher linda, um ladrão, um homem vendendo seguros ou ninguém; se estou indo para o mercadinho, posso virar nessa rua e não na outra, e tudo vai mudar para sempre. Mas você já imaginou se a mesma coisa for verdadeira na outra direção? Indo para trás, também há escolhas a fazer a cada passo do caminho, e cada item revivido na memória é apenas o primeiro elo de uma nova corrente mnemônica, e cada nova corrente mnemônica recria um passado diferente, construindo um álbum de fotos diferente, desembrulhando outra caixa de tesouros esquecidos - um passado diferente, que deve por força ser o passado de um presente diferente, de um futuro diferente, de uma pessoa diferente.
(Sam Savage, Cartas de um escritor solitário)
As pessoas gostam de dizer que cada momento da vida nos depara uma bifurcação no caminho: sento na escrivaninha em vez de ir até a janela, onde talvez teria sido atingido por uma tijolada, ou em vez de ir passear no parque, onde teria encontrado uma mulher linda, um ladrão, um homem vendendo seguros ou ninguém; se estou indo para o mercadinho, posso virar nessa rua e não na outra, e tudo vai mudar para sempre. Mas você já imaginou se a mesma coisa for verdadeira na outra direção? Indo para trás, também há escolhas a fazer a cada passo do caminho, e cada item revivido na memória é apenas o primeiro elo de uma nova corrente mnemônica, e cada nova corrente mnemônica recria um passado diferente, construindo um álbum de fotos diferente, desembrulhando outra caixa de tesouros esquecidos - um passado diferente, que deve por força ser o passado de um presente diferente, de um futuro diferente, de uma pessoa diferente.
(Sam Savage, Cartas de um escritor solitário)
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