Há pulgas nos estofados. Dinossauros nas costuras do colchão. Torpedeiros e tanques de guerra escondidos entre as dobras do cortinado.
Escrevo e depois rasgo uns errados de mim. Me acabo nos chocolates e nas diatribes interiores. Quebro copos, durmo sem banho, como comida fria, apago as luzes, ligo a música alto. Impertinente, deito-me nu na varanda para respirar a poeira das estrelas.
(Onde mesmo eu li isso?)
Boto labaredas pelas ventas. Uivo e corro com os lobos. Grasno com os corvos pelas estepes. Roo até o cerne das unhas. Tusso hemoptises e desacerto o alvo dos amores frustrados. Acho que tomei arsênico, barbitúricos ou gin-tônico em excesso.
Serpentes de silicone, morninhas e úmidas, me lambem a virilha durante os sonhos. Acordo inundado de nostalgia, com as mãos cansadas e um tremor nos cantos dos olhos. Olhos esses que só me mostram no espelho a indecência de um tritão decrépito.
Perdi de novo a oportunidade de espiar brincadeira dos fauninhos na praia ao alvorecer. Só de cueca uns, ou mesmo nus, espargindo água gelada uns nos outros. Da próxima vez programarei o despertador para as 5:00 a.m.
Agora eu já posso recordar. A travessia foi tranquila. As águas eram muito azuis. A mulher ao meu lado murmurava uma canção antiga. O vento era suave e me desarrumava os cabelos e fazia com que a ponta da echarpe me batesse o tempo todo à boca. O continente afastava-se, rápido, às minhas costas. Adiante, o mar, as ondas, os nevoeiros, as tempestades e as noites de estrelas. Depois ainda, e algum dia espero não muito distante, o costado da ilha que talvez nunca conseguirei mapear.
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terça-feira, 30 de julho de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
terça-feira, 17 de abril de 2012
diário de férias do velho sátiro
Monolitos subaquáticos trazidos pela noite amanheceram encalhados na areia.
...
Durmo. Acordo. Durmo. Ninguém para compartilhar o desespero do sono nem amenizar o pesadelo de permanecer desperto.
...
Tomo eau d'Estige com gás e arroto os límulos e os cetáceos do almoço.
...
Arranco da pele o fauninho como se raspasse a crosta de cracas do casco, as escamas, como se extirpasse os forcados dos tritões, os anzóis enferrujados, os arpões, os esporões fincados no flanco.
...
Agora dei para responder em voz alta perguntas em mim mesmo formuladas. Também declamo, nu, na frente do espelho: então eu vi o mar se expandir / como o tempo incontável e as ondas imensuráveis / ora com as marcas de maré na areia sulcada / ora com a linha de túmulos de alga. O eco reverbera no espelho da pia e escorre, frio e viscoso, pelo mármore do piso.
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Durmo. Acordo. Durmo. Ninguém para compartilhar o desespero do sono nem amenizar o pesadelo de permanecer desperto.
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Tomo eau d'Estige com gás e arroto os límulos e os cetáceos do almoço.
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Arranco da pele o fauninho como se raspasse a crosta de cracas do casco, as escamas, como se extirpasse os forcados dos tritões, os anzóis enferrujados, os arpões, os esporões fincados no flanco.
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Agora dei para responder em voz alta perguntas em mim mesmo formuladas. Também declamo, nu, na frente do espelho: então eu vi o mar se expandir / como o tempo incontável e as ondas imensuráveis / ora com as marcas de maré na areia sulcada / ora com a linha de túmulos de alga. O eco reverbera no espelho da pia e escorre, frio e viscoso, pelo mármore do piso.
domingo, 15 de abril de 2012
diário de férias do velho sátiro
Perco o sono. Aliás a insônia aqui dura mais que a eternidade.
...
Caminho sob a chuva. A água e os fungos e a maresia são a minha segunda pele nessas madrugadas que nunca acabam.
...
A mulher dos cabelos de serpente interrompe a conversa ao telefone para me responder: não há o que fazer durante baixa temporada no inferno.
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Caminho sob a chuva. A água e os fungos e a maresia são a minha segunda pele nessas madrugadas que nunca acabam.
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A mulher dos cabelos de serpente interrompe a conversa ao telefone para me responder: não há o que fazer durante baixa temporada no inferno.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
diário de férias do velho sátiro
Perco a conta dos dias chuvosos e a esperança do estio. Desperdiço a eternidade esperando impossibilidades. Enquanto o extraordinário não chega eu converso sem olhar nos olhos da mulher dos cabelos de serpentes.
...
Recorto olhos das páginas das revistas. Separo os ases dos coringas. Subo e desço escadas carregando rochedos. Decifro palavras borradas de lágrimas e gotas de chuva. Distingo mortos e vivos nas fotografias das férias passadas. Bebo toda a vodca e arroto bilhetes nas garrafas vazias. Gozo nos rabiscos de corações flechados na porta do banheiro. Enfio a cara no travesseiro e rogo pelo fauninho. Adormeço com as harpas do som ambiente e o sinal do telefone ocupado.
...
Com fungos nas reentrâncias. Escoriações na pele das coisas. Parasitas nos pêlos púbicos. Detritos e carcinomas nos cascos. Galáxias de furúnculos no céu da boca. A alma lambuzada de pus e sangue e bile e suor e urina e lava e chumbo derretido.
...
Esqueci o óbolo colado nas pálpebras. Perdi a última barca. Faltarei ao jantar e inventarei desculpas para declinar o pernoite na mansão dos mortos. Perséfone nunca me perdoará.
...
Recorto olhos das páginas das revistas. Separo os ases dos coringas. Subo e desço escadas carregando rochedos. Decifro palavras borradas de lágrimas e gotas de chuva. Distingo mortos e vivos nas fotografias das férias passadas. Bebo toda a vodca e arroto bilhetes nas garrafas vazias. Gozo nos rabiscos de corações flechados na porta do banheiro. Enfio a cara no travesseiro e rogo pelo fauninho. Adormeço com as harpas do som ambiente e o sinal do telefone ocupado.
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Com fungos nas reentrâncias. Escoriações na pele das coisas. Parasitas nos pêlos púbicos. Detritos e carcinomas nos cascos. Galáxias de furúnculos no céu da boca. A alma lambuzada de pus e sangue e bile e suor e urina e lava e chumbo derretido.
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Esqueci o óbolo colado nas pálpebras. Perdi a última barca. Faltarei ao jantar e inventarei desculpas para declinar o pernoite na mansão dos mortos. Perséfone nunca me perdoará.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
diário de férias do velho sátiro
Cisnes grasnam no charco. Os mugidos do cio de Pasífae trazidos pelo vento misturados aos trovões. Sapos e salamandras entram pelos ralos e pelos 7 orifícios da minha cabeça. O eunuco entoa cançonetas de vaudeville enquanto espana o pêlo dos lêmures empalhados.
...
Acordei de madrugada com os agouros de um curiango. Interrompendo a carícia e o gozo do sonho. O eunuco aninhou-se em meu peito. Fechei os olhos e fui levado pela ausência. Quando acordei ele partira. Os únicos sinais de sua presença eram a foto do fauninho picada em mil pedaços no cinzeiro, um ramalhete de jacintos murchos na pia e a palavra θάνατος gravada com batom vermelho no granito do lavabo. Pena eu não entender patavina de grego.
...
Por falar em augúrios, assistimos à revoada dos pterodátilos. Sobrevoaram as ruínas em círculos largos e espiralados e depois desapareceram na bruma entre os rasgos dos relâmpagos. Impossível precisar a hora: aqui a eternidade não se deixa medir.
...
Fossem críveis as predições de Casssandra eu declinaria as férias de mil-e-um dias no Hades com tudo pago e sem direito a acompanhante.
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Acordei de madrugada com os agouros de um curiango. Interrompendo a carícia e o gozo do sonho. O eunuco aninhou-se em meu peito. Fechei os olhos e fui levado pela ausência. Quando acordei ele partira. Os únicos sinais de sua presença eram a foto do fauninho picada em mil pedaços no cinzeiro, um ramalhete de jacintos murchos na pia e a palavra θάνατος gravada com batom vermelho no granito do lavabo. Pena eu não entender patavina de grego.
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Por falar em augúrios, assistimos à revoada dos pterodátilos. Sobrevoaram as ruínas em círculos largos e espiralados e depois desapareceram na bruma entre os rasgos dos relâmpagos. Impossível precisar a hora: aqui a eternidade não se deixa medir.
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Fossem críveis as predições de Casssandra eu declinaria as férias de mil-e-um dias no Hades com tudo pago e sem direito a acompanhante.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
diario de férias do velho sátiro
A chuva brilhava nas silhuetas das árvores. O vento fustigava os galhos. O risco prateado dos relâmpagos no céu preto entrecortava os trovões. O rugir das ondas engolia os arrecifes, destruía o calçamento, emborcava os pedalinhos, desbarrancava a avenida, as residências da orla, derrubava as pilastras dos templos, as fortificações, as muralhas. E atiçava o apetite dos lobos.
...
Saí para a varanda. Tirei a roupa. Quebrei o abajur, as garrafas de uísque e os copos. Invoquei raios fulminantes. Gritei. Amaldiçoei. Chorei. Gargalhei. Uivei. Gemi. Tossi. Gozei. Estrebuchei sobre os cacos de vidro no piso de granito. Molhado. Ganindo. Exausto. Os deuses zombaram dos meus chavões histriônicos e indolentes e abjetos e adiposos e frouxos e flácidos e repugnantes.
...
O vento e a chuva e o granizo revolveram o quarto. Desfolharam os livros. Encharcaram as roupas nas malas. Molharam as fotos, os bilhetes do fauninho, os mapas rodoviários, o guia turístico, as revistas e os jornais velhos, a bíblia na gaveta da escrivaninha. Borraram a tinta dos poemas. Lavaram meu desespero manchando o chão da varanda.
...
Dormi embebido em fel e súlfur. Acordei com a voz dos mortos me chamando através da persiana.
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Saí para a varanda. Tirei a roupa. Quebrei o abajur, as garrafas de uísque e os copos. Invoquei raios fulminantes. Gritei. Amaldiçoei. Chorei. Gargalhei. Uivei. Gemi. Tossi. Gozei. Estrebuchei sobre os cacos de vidro no piso de granito. Molhado. Ganindo. Exausto. Os deuses zombaram dos meus chavões histriônicos e indolentes e abjetos e adiposos e frouxos e flácidos e repugnantes.
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O vento e a chuva e o granizo revolveram o quarto. Desfolharam os livros. Encharcaram as roupas nas malas. Molharam as fotos, os bilhetes do fauninho, os mapas rodoviários, o guia turístico, as revistas e os jornais velhos, a bíblia na gaveta da escrivaninha. Borraram a tinta dos poemas. Lavaram meu desespero manchando o chão da varanda.
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Dormi embebido em fel e súlfur. Acordei com a voz dos mortos me chamando através da persiana.
sábado, 31 de março de 2012
diário de férias do velho sátiro (4)
Continua a chover. Os lobos apertam o cerco. Ouvi aterrado os uivos, os ganidos, e não preguei o olho durante a madrugada. Medo da fome, da sede, das epidemias, dos salteadores e da solidão.
...
Sobrescrevo postais com paisagens marinhas ao pôr-do-sol. Embrulho lembrancinhas em plástico-bolha. Declamo ditirambos pelos corredores do hotel. Minha voz reverbera no vazio e soa cava como se saída do búzio de um tritão.
...
Lanço a rede. Capturo palavras zoobotânicas: narcina; násica; náutilo; nectarina; nefrope; nelumbo; nenúfar; néstis; nitídula; nosodendro; núcula. Mesmo assim o cerne do nada não surge.
...
Desenho falos na porta do labavo. Escando estrofes pornográficas no elevador. Visito mictórios. Espio pelas fechaduras dos quartos vazios. Espreito na penumbra do hall. Persigo vultos no jardim. Volto para o quarto encharcado. Engulo todas as pílulas com um gole de conhaque.
...
Os garotos partiram. Antes que os lobos os estraçalhassem. Antes que pústulas os cobrissem. Antes que a febre os cozinhasse por dentro. Antes que as ratazanas roessem suas orelhas. Antes que eu cuspisse neles o visgo do meu desejo.
...
Sobrescrevo postais com paisagens marinhas ao pôr-do-sol. Embrulho lembrancinhas em plástico-bolha. Declamo ditirambos pelos corredores do hotel. Minha voz reverbera no vazio e soa cava como se saída do búzio de um tritão.
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Lanço a rede. Capturo palavras zoobotânicas: narcina; násica; náutilo; nectarina; nefrope; nelumbo; nenúfar; néstis; nitídula; nosodendro; núcula. Mesmo assim o cerne do nada não surge.
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Desenho falos na porta do labavo. Escando estrofes pornográficas no elevador. Visito mictórios. Espio pelas fechaduras dos quartos vazios. Espreito na penumbra do hall. Persigo vultos no jardim. Volto para o quarto encharcado. Engulo todas as pílulas com um gole de conhaque.
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Os garotos partiram. Antes que os lobos os estraçalhassem. Antes que pústulas os cobrissem. Antes que a febre os cozinhasse por dentro. Antes que as ratazanas roessem suas orelhas. Antes que eu cuspisse neles o visgo do meu desejo.
quarta-feira, 21 de março de 2012
diário de férias do velho sátiro (3)
Ruíram as pontes. Erodiram-se os caminhos. Desabaram as torres. Afundaram-se as naus. O parnaso está cercado de lama & detritos & ratazanas & cadáveres bovinos em decomposição.
...
Jantei frutos-do-mar no Posídon. O valete respingou néctar em minhas anotações. O maitre recomendou literatura anglo-americana & música barroca & filmes pornôs para passar o tempo até a tempestade dos séculos amainar.
...
O garoto-dos-pés-bi-ungulados deixou recado. Que eu sacrificasse aos deuses e ele reconsideraria a possibilidade de retornar. Onde encontrarei 12 touros pretos & 12 brancos imaculados a essa hora da madrugada?
...
(Sobrevivo potencializando anti-epifanias).
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Jantei frutos-do-mar no Posídon. O valete respingou néctar em minhas anotações. O maitre recomendou literatura anglo-americana & música barroca & filmes pornôs para passar o tempo até a tempestade dos séculos amainar.
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O garoto-dos-pés-bi-ungulados deixou recado. Que eu sacrificasse aos deuses e ele reconsideraria a possibilidade de retornar. Onde encontrarei 12 touros pretos & 12 brancos imaculados a essa hora da madrugada?
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(Sobrevivo potencializando anti-epifanias).
segunda-feira, 19 de março de 2012
diário de férias do velho sátiro (2)
Distribuí carne fresca às harpias empoleiradas. Fígado à águia que insiste em me bicar o ventre. Só falta jogar os restos da pizza aos pombos.
...
Pelo jeito não vai dar praia. Da espreguiçadeira assisto a fúria da tempestade & trovões & relâmpagos & ventania & ondas de ressaca. Acendo um cigarro. Acompanho com o dedo as entrelinhas do livro das horas. Espalho a caspa & a poeira & os farelos das traças acumulados nas páginas.
...
O nome & as preferências do garoto variam. Conforme o gosto do freguês. Bebemos todo o uísque do Olimpo. Dormimos abraçados no escurinho do cavalo de madeira. Ele tinha partido quando acordei. A sede de Sísifo me exaspera. A festa dos titãs acontece no oco das minhas têmporas.
...
O garoto de ontem levou a máquina fotográfica & o dinheiro trocado.
...
Caminharei pela areia. Com os fones de ouvido & os óculos escuros. Espalharei ao vento o papel picado das fotos & dos bilhetes do fauninho. Comprarei pente & espelho para a mulher de cabeleira de serpentes que vigia a entrada da minha solidão.
...
Fecho o livro. Apago o cigarro. Solfejo as andorinhas no fio. O cão dorme com as cabeças apoiadas nos meus pés.
...
Pelo jeito não vai dar praia. Da espreguiçadeira assisto a fúria da tempestade & trovões & relâmpagos & ventania & ondas de ressaca. Acendo um cigarro. Acompanho com o dedo as entrelinhas do livro das horas. Espalho a caspa & a poeira & os farelos das traças acumulados nas páginas.
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O nome & as preferências do garoto variam. Conforme o gosto do freguês. Bebemos todo o uísque do Olimpo. Dormimos abraçados no escurinho do cavalo de madeira. Ele tinha partido quando acordei. A sede de Sísifo me exaspera. A festa dos titãs acontece no oco das minhas têmporas.
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O garoto de ontem levou a máquina fotográfica & o dinheiro trocado.
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Caminharei pela areia. Com os fones de ouvido & os óculos escuros. Espalharei ao vento o papel picado das fotos & dos bilhetes do fauninho. Comprarei pente & espelho para a mulher de cabeleira de serpentes que vigia a entrada da minha solidão.
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Fecho o livro. Apago o cigarro. Solfejo as andorinhas no fio. O cão dorme com as cabeças apoiadas nos meus pés.
quinta-feira, 15 de março de 2012
diário de férias do velho sátiro
Vasculho a areia. À procura de pedaços de pentes de ouro das sereias. Seixos. Conchas de formato excêntrico. Garrafas com mensagens de náufragos ou bilhetes apaixonados. Encontro recipientes pet & sacolas de supermercado & canudos coloridos & preservativos no lixo não-reciclado.
...
Garotos para todos os gostos & orçamentos disputam o lugar ao sol. Ou uma espreguiçadeira desocupada. Disfarço o olhar súplice nas franjas do chapéu & nos adereços do anonimato. Mastigo amendoins torrados como se fosse ambrosia. Entre goles de néctar diet.
...
Flecho o ar. Em todas as direções. Atinjo o inesperado. O barulho fofo da presa se esborrachando. Tateio. Encontro. Sujo as pontas dos dedos no sangue da expectativa.
...
Espio pela fenda do sono & do torpor. A quem se destinam as tantas mensagens que o fauninho escreve?
...
Ah, se ele imaginasse o frio que faz de madrugada nesse lado da cama...
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Garotos para todos os gostos & orçamentos disputam o lugar ao sol. Ou uma espreguiçadeira desocupada. Disfarço o olhar súplice nas franjas do chapéu & nos adereços do anonimato. Mastigo amendoins torrados como se fosse ambrosia. Entre goles de néctar diet.
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Flecho o ar. Em todas as direções. Atinjo o inesperado. O barulho fofo da presa se esborrachando. Tateio. Encontro. Sujo as pontas dos dedos no sangue da expectativa.
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Espio pela fenda do sono & do torpor. A quem se destinam as tantas mensagens que o fauninho escreve?
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Ah, se ele imaginasse o frio que faz de madrugada nesse lado da cama...
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