A nota esclarecedora postada dia 2 de fevereiro (referente à serventia de um dicionário analógico) pouco dirimiu a dúvida da leitora
indócil. Segundo ela, o emérito professor ali citado falou muito e pouco disse. Dessa vez, sem representar ou mencionar os milhões de leitores, a leitora solicitou mais esclarecimentos. E, se possível, ao menos um exemplo:
Atendendo à demanda, transcreverei agora as palavras do Autor (ou do Editor?), na apresentação do livro:
Um dicionário analógico, ou de ideias afins (...) parte de um pressuposto siméttico àquele que rege a função de um dicionário de língua, como oconhecemos. Este é uma ferramenta de busca de significados e informações de uso para palavras que conhecemos; ou seja, partimos de uma palavra conhecida para buscar-lhe as acepções e usos possíveis. O dicionário analógico (...) pressupõe que, ao contrário, temos noção de um significado, temos uma intenção de uso, mas não nos ocorre uma palavra satisfatória. O [dicionário] thesaurus, a partir de um contexto de possíveis significados, oferece uma nuvem de palavras em torno desse significado, ou seja, palavras análogas num maior ou menor grau de proximidade e exatidão, para que nessa nuvem possamos achar a palavra - ou expressão - que melhor nos convém, em qualquer de suas mais prováveis funções gramaticais.
Exemplo (escolhido de forma aleatória):
857. (Objeto ou causa de riso) Anedota, piada, 1o. de abril, gracejo, besteirol, bexiga, pilhéria, tirada, gag, mogiganga, pantomima, espetáculo, chocarrice, palhaçada, gracinha, graçola,comédia, farsa, rabo-leva, bonecos de engonço, trejeito, esgares, careta, macaquice, bobice, truanice, bugiaria, bufão, marzoco, truão, catimbau, palhaço, totó, mascarado, xexé, figura de presepe, bobo alegre, bobo do rei, pessoa ridícula e desfrutável = petisco, piegas, ratazana, bugio, mono, macaco, carniça, chalaça (espírito) 842, arre-burrinho (853).
...
Leitora indócil, admitamos, consultar o dicionário analógico é difícil pra caramba. Os termos não vêm em ordem alfabética, como em um dicionário comum. São precedidos de números, como o negritado no exemplo acima. Números esses que nos transportam a outros números, a outras nuvens de similitudes.
O dicionário analógico pode ser consultado de duas formas distintas:
1) Na primeira, deve-se identificar a área conceitual na qual se encaixa a palavra ou expressão que se quer encontrar. Depois de identificada, busca-se nessa área o grupo analógico mais próximo daquele que provavelmente conteria o termo procurado. Nesse caso, a busca é realizada pela árvore classificatória dos grupos analógicos, ou seja, utilizar-se de uma tabela de classificação das palavras (classes: relações abstratas, espaço, matéria, etc; e divisões: existência, ordem, quantidade, forma, pessoais, etc). Cada categoria ou subcategoria dessas é numerada e reporta um termo ou expressão no corpo do dicionário.
2) A segunda maneira de consultar o dicionário analógico é buscar no(s) grupo(s) analógicos o local do termo ou expressão conhecida. Nesse caso utiliza-se o índice geral, que relaciona cada um dos quase 100 mil termos e expressões do dicionário ao(s) grupo(s) em que se encontra. Esses termos estão catalogados em um Quadro Sinóptico de Categorias, que detalha todos os grupos, por área de conceito. No quadro, existem classes (relações abstratas, espaço, matéria, vontade individual, etc); divisões (a classe das afeições é compartimentada em divisões: afeições em geral, afeições pessoais, simpáticas, morais, religiosas, etc) que, por sua vez, fragmentam-se em subdivisões (obrigações, sentimentos, condições, práticas, etc). Cada um desses grupos têm seu âmbito definido por uma palavra-chave.
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Ufa! O Autor (ou o Editor?) exemplifica e simplifica a aparente complexidade acima. Porém, confesso, leitora ansiosa, tenho queimado dúzias de neurônios sem ainda compreender. Não se pega o jeito, o traquejo, da noite para o dia. Assim que a desenvoltura permitir, asseguro-vos, exemplificarei com próprias (e enriquecidas, potencializadas) palavras.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
nota esclarecedora
Uma leitora, que preferiu não se identificar e, segundo ela, porta-voz de milhões de leitores, encaminhou uma mensagem:
O que é um dicionário analógico?
Transcreverei aqui as palavras do professor emérito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, acadêmico correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e autor do prólogo do Dicionário Analógico mencionado no post passado, o professor Leodegário A. de Azevedo Filho:
O Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, como todo dicionário analógico, tem função inversa à de um dicionário comum, o qual, a partir de uma palavra conhecida informa seus significados. Neste, busca-se uma palavra, entre muitas análogas, em uma área de significados conhecida e classificada numa frondosa árvore de classificações. (...) No caso em questão, vai-se, além disso [da lexicologia] analisando-se o relacionamento de um conjunto de palavras semanticamente agrupadas, levando-se em conta todas as categorias gramaticais do idioma.
O que é um dicionário analógico?
Transcreverei aqui as palavras do professor emérito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, acadêmico correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e autor do prólogo do Dicionário Analógico mencionado no post passado, o professor Leodegário A. de Azevedo Filho:
O Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, como todo dicionário analógico, tem função inversa à de um dicionário comum, o qual, a partir de uma palavra conhecida informa seus significados. Neste, busca-se uma palavra, entre muitas análogas, em uma área de significados conhecida e classificada numa frondosa árvore de classificações. (...) No caso em questão, vai-se, além disso [da lexicologia] analisando-se o relacionamento de um conjunto de palavras semanticamente agrupadas, levando-se em conta todas as categorias gramaticais do idioma.
dicionários
Em um post de novembro do ano passado (sobre gripe e cinema) comentei sobre o documentário "Raízes do Brasil", dirigido por Nelson Pereira dos Santos, sobre a vida do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Chamou a atenção a parte em que Chico Buarque (filho do cinebiografado) conta como ganhou do pai o Dicionário Analógico e de Ideias Afins.
Invejei na hora. Perdi o sono desejando o tal dicionário. Procurei na internet, nos sebos virtuais e só encontrei um, aparentemente interessante, porém por preço astronômico, muito além do meu poder aquisitivo.
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Alguns dias depois, em uma conversa sobre outros assuntos, sem mais nem menos, meu filho (que, duvido muito, acompanha este blog), me falou que tinha encontrado, por preço razoável, em uma megalivraria - adivinhem o quê? - o Dicionário Analógico e de Ideias Afins, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Com apresentação de Chico Buarque.
Só não encerrei a conversa na hora e corri para a livraria porque estávamos em uma expedição, no meio do nada, a pelo menos 1000 quilômetros de qualquer civilização.
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Assim que desembarquei em Brasília, mal desfiz as malas, descambei para a livraria. Estava lá, ele, novinho em folha, 2a. edição. Meu coração disparou.
A apresentação de Chico Buarque conta a mesma história narrada no documentário citado acima. Porém com detalhes engraçados. Transcrever as primeiras frases é o mais eficaz para descrever a emoção boba que me tomou:
"Pouco antes de morrer, meu pai me chamou no escritório e me entregou um livro de capa preta que eu nunca havia visto. Era o dicionário analógico de Francisco Ferrreira dos Santos Azevedo. Ficava quase escondido, perto dos cinco grandes volumes do dicionário Caldas Aulete (...). Isso pode te servir, foi mais ou menos o que ele então me disse, no seu falar meio grunhido".
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Na mesma prateleira, ao lado do "Ideias Afins" (ah, as armadilhas do capitalismo selvagem!) estava o Dicionário de Sinônimos e Antônimos, de Antônio Houaiss.
Não resisti ao impulso consumista. Comprei os dois. Ok, em 10 vezes, sem juros, no cartão.
Ainda na fila para pagar o estacionamento do shopping eu não disfarçava o estado de beatitude. Manuseava os livros como se fossem relíquias.
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Fiz como o pai do Chico. Coloquei o Francisco Ferreira ao lado dos 5 volumes (capa azul-marinho e letras douradas desbotadas na lombada) do Caldas Aulete. Junto, os sinônimos e antônimos do Houaiss. Como se estivessem em um altar.
É ridículo, mas vou confessar. Possuir o Dicionário Analógico me fez sentir como se tivesse compartilhado aquele momento, quando o carrancudo pai-Sérgio passasse um bastão que de alguma forma o filho-Francisco tivesse que levar adiante. Como se nele, no dicionário, eu pudesse encontrar chaves que destrancariam (e destrancarão) portas insondáveis.
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(Não acabou. Bisbilhotando, de bobeira, um sebo virtual, encontrei e encomendei, em capa preta e dura, com relevo, por inacreditáveis 4 reais [acrescidos de 16 reais de frete], a 1a. edição (em bom estado de conservação, páginas e lombadas amareladas pelo tempo). Que, permitam os deuses, chegará nos próximos dias, para se juntar ao meu tesouro inofensivo de representações.
domingo, 15 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
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