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domingo, 12 de junho de 2011

George Orwell

O Abate de um Elefante: Ouçam o áudio - gravação da crônica de George Orwell - em chicoecarvalho.blogspot.com

Intervalo com elefantes 2

vietnamswans.com
(...)
Este mesmo elefante era ainda notável por outra habilidade original. O guarda, quando o montava, instalava-se numa grande colcha que lhe cobria o lombo. Quando descia dava-lhe ordem para retirar a colcha, o que o animal fazia não com a tromba, porém contraindo e distendendo alternativamente os músculos das costas. O movimento da pele pouco tensa fazia deslizar a colcha pelo flanco, até cair no chão. O elefante estendia-se então com cuidado e inteiramente sobre a relva, dobrando-a como se faz com um guardanapo; finalmente enrolava-a com a tromba e atirava o volume para as costas, onde ele ficava tão seguro como se fosse colocado por mãos humanas. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

Elephant day

"Elephant Day", northern Thailand - http://www.bbc.co.uk/news
(...) É assim que o retórico Eliano conta como 12 animais, dos mais bem ensinados, foram um dia levados a um teatro, onde fizeram uma perfeita demonstração de passos variados, umas vezes marchando em círculo, outras dividindo-se em vários grupos e jogando à passagem flores para cada lado. No fim da representação, sempre imperturbáveis, foi-lhes oferecido, pelos romanos, um banquete régio. Enormes leitos foram colocados na arena, cobertos de ricas tapeçarias e decorados com pinturas. Ao lado dos leitos foi servido um banquete em mesas de marfim e madeira de cedro, em baixela exclusivamente de ouro e prata. Os 12 elefantes aproximaram-se com dignidade; 6 estavam vestidos de homem e 6 de mulher. Com imenso à vontade instalaram-se nos coxins, e uma vez todos protos estenderam a tromba e comram os acepipes para eles preparados, com dignidade e graça notáveis. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Intervalo com elefantes

Além do seu emprego como animal de carga, puxador e montada para caçar, o elefante prestou em outros tempos ao homem serviços inesperados. Vimo-lo, por exemplo, em diferentes circunstâncias, servir de carrasco. O amestramento dos elefantes para esse papel era um tanto macabro, pois obrigavam-no a ensaiar diversas vezes com uma vítima imaginária. Começavam dando-lhe ordem para "matar o patife"; então o elefante enrolava a tromba em torno do corpo virtual do malfeitor, depositava-o no chão e lentamente pousava as patas da frente no lugar onde estariam os seus membros. Ao fim de alguns minutos dessa manobra o elefante imobilizava-se, com a tromba erguida acima da cabeça. E quando lhe pediam que terminasse a execução, o animal pousava uma das patas dianteiras sobre o abdomen da imaginária vítima, e a outra sobre a sua cabeça, destruindo assim todo o vestígio de vida. Havia ainda outro costume, que consistia em utilizar dois elefantes para inclinar uma para a outra duas árvores próximas; a vítima era então amarrada às árvores por meio de cordas, um braço e uma perna de cada lado. A um dado sinal os elefantes soltavam as árvores e o criminoso era dividido em 2. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963).

sábado, 4 de junho de 2011

3 ou 4 formas de matar elefantes (4)

Nick Brandt, Elephant Drinking,www.artmo.com
"Em breve, perto de uma poça lamacenta, um pouco à nossa frente, descobrimos as pegadas de um macho enorme, que se rolara na lama, salpicando os troncos de várias árvores próximas e aparentemente muito velhas. (...) a alguns metros dali, afastando os ramos espinhosos de uma jujubeira, encontrei-me diante do elefante macho mais alto e maior que ainda tinha visto. O animal apresentava-se de flanco, a mais de uma centena de metros; sua atenção estava sendo atraída por uns cachorros que, despreocupados da sua presença corriam em torno dele, enquanto o velho parecia contemplar surpreendido aquelas singulares criaturas.
Parando o cavalo apontei-lhe a espádua e abati-o no primeiro tiro. A bala atingiu-lhe o alto da omoplata, tornando-lhe a marcha para sempre impossível; e antes mesmo que o tiro ressoasse nos meus ouvidos, vi claramente que o elefante estava entregue. Os cães romperam então a ladrar à volta dele; porém, sentindo-se reduzido à impotência, o velho macho pareceu decidido a não se afadigar, e dirigindo-se a passos lentos, coxeando, para uma árvore próxima, ali se postou quieto a observar os seus perseguidores com ar filosófico e resignado.
Resolvi consagrar um pouco de tempo à contemplação daquele nobre animal, antes de o abater; e tendo desselado os cavalos à sombra de uma árvore, sob a qual iria instalar o meu quartel-general para a noite e o dia seguinte, acendi imediatamente o fogo e pus água a ferver; minutos depois meu café estava pronto. Ali fiquei, sentado na floresta como em minha casa, saboreando calmamente meu café, enquanto um dos mais belos elefantes da África, encostado a uma árvore próxima, esperava o meu alvedrio.
Era, sem dúvida, um espetáculo impressionante; olhando aquele prodigioso veterano da flortesta, eu pensava nos fulvos cervos que gostava de perseguir na minha região natal, achando que se o destino me levara para um caminho mais árduo e perigoso em terra distante eu não perdera na troca, pois agora era dono de florestas imensas, que me ofereciam uma caça infinitamente mais nobre e mais apaixonante.
Tendo por muito tempo admirado o elefante, resolvi fazer experiências sobre os pontos vulneráveis, e acercando-me mais, coloquei-lhe diversas balas em diferentes partes do enorme crânio, que não pareceram absolutamente afetá-lo: apenas respondeu aos tiros recebidos com um movimento da tromba à maneira de saudação, ao msmo tempo que com a ponta desse órgão palpava levemente a ferida, num gesto especial e muito emocionante. Surpreendido e perturbado ao descobrir que apenas lograva torturar o animal e prolongar-lhe os sofrimentos, enquanto ele suportava a provação com tanta calma e dignidade, decidi acabar logo com aquilo. Abri então fogo contra ele, pelo flanco esquerdo, visando atrás do ombro, mas também ali minhas balas não produziram de começo nenhum efeito. Disparei 6 tiros, com minha arma de 2 ranhuras cuos ferimentos deveriam finalmente ser mortais, mas o elefante nem assim deu sinais de prostração; em seguida visei a mesma região com 3 tiros da minha holandesa de 6. Grossas lágrimas lhe escorreram então dos olhos, que fechou e tornou a abrir; sua imensa carcaça foi agitada de tremores convulsos, e caindo sobre o flanco o animal expirou. Suas defesas, de maravilhosa curvatura, eram as mais pesadas que eu ainda vira; pesavam cada uma cerca de 40 quilos. (R. Gordon Cumming - Five years of a Hunter's Life in the far Interior of South Africa - de 1850 - citado em Os Elefantes, Richard Carrington, 1963).

3 ou 4 formas de matar elefantes (3)

Mesmo o caçador menos experiente escassamente deixará de atingir um elefante à distância de 30 metros, considerada normalmente adequada; porém é necessária grande habilidade para alcançar um ponto vital. As obras sobre a caça grossa incluem de um modo geral figuras como as acima, indicando os pontos que o caçador deve visar; constataremos que, apesar do tamanho do animal, as duas regiões principais a atingir são extraordinariamente reduzidas. Para o principiante, o coração é em geral considerado como o alvo mais seguro; porém, à medida que desenvolve as suas aptidões o caçador pode pretender incluir-se na élite (1), abatendo a sua presa com uma bala no cérebro. Quem domina a arte de atingir o cérebro pode estar certo da profunda admiração dos seus camaradas, ao passo que os especialistas da bala no coração têm também seus partidários. Os caçadores menos hábeis cujas balas se pedem, em grande humilhação deles, nos pulmões, nas entranhas, nos órgãos genitais e em outras regiões onde, sem ser mortal de imediato, o ferimento pode causar ao elefante grande sofrimento, ficam definitivamente fora de classe. Infelizmente há muitos caçadores desta categoria. 
O coração é quase sempre visado de flanco, e a região que lhe fica justamente por cima é tão fatal quanto este. Se a bala atinge o alvo, o elefante pode percorrer 200 metros, ou até mais antes de cair. A bala no cérebro atua mais rapidamente, mas o alvo é difícil de alcançar por causa da rede de sinus que comporta o crânio e da massa importante formada pelos maxilares, os dentes e os alvéolos das defesas, que protege a caixa craniana. Pode-se apontar de frente, entre os olhos do elefante, ou de lado, entre o olho e o orifício da orelha. Um tiro direto abate o animal imediatamente, e se é preciso matar os elefantes ( o que é infelizmente necessário para a luta preventiva, sem falar da duvidosa moralidade desse esporte ), se temos de os matar é esse indiscutivelmente o processo mais humano. A carabina mais empregada é a de calibre 37,5 ou 45 mm, porém os caçadores experimentados podem usar armas menores ainda. O famoso caçador de elefantes W. D. M. (Karamojo) Bell matou 15 animais da mesma manada com carabinas de 27,5 e 30,3 mm na caça destinada à luta preventiva, mas para os esportistas isso não é admissível.
(1) em francês, no original
(Richard Carrington, Os Elefantes, 1963).

3 ou 4 formas de matar elefantes (2)

imagem de: http://ryanharebit.tumblr.com/tagged/wtf
"Dois homens inteiramente nus, sem o menor trapo, montam a cavalo. Tomam essa precaução para não serem embaraçados pelos arbustos ou silvados quando fogem de um inimigo vigilante. Um dos cavaleiros, no lombo do cavalo, umas vezes com e outras sem sela, segura com uma das mãos uma chibata ou curta vara, manobrando habilmente as rédeas com a outra; o companheiro instalou-se atrás dele, armado apenas de um sabre... Com a mão esquerda aperta o punho do sabre, cuja lâmina está envolta, aproximadamente, ao longo de 35 centímetros, em corda de chicote. É esta parte que ele segura na mão direita, sem medo de se ferir; e embora a lâmina do sabre, em sua parte inferiro, seja cortante como uma navalha de barba, ele usa a arma sem bainha.
Quando encontra o elefante ocupado a pastar, o cavaleiro aproxima-se dele, o mais perto possível do focinho; ou, se o animal foge, barra-lhe o caminho em todas as direções, gritando: 'Sou eu, fulano de tal, e este é o meu cavalo, que tem tal nome; foi em tal lugar que matei teu pai e em tal outro que matei teu avô; agora vim para te matar a ti, que não passas de um idiota comparado com eles'. O homem supõe realmente que o elefante compreende esse discurso; o animal perseguido, enfurecido pelo barulho que o segue de perto, tenta apanhar o cavaleiro servindo-se da tromba, e, distraído nesse propósito segue por toda a parte o cavalo, fazendo atrás dele cem voltas e reviravoltas, sem cuidar de fugir a direito o que seria a sua única possibilidade de salvação. Depois de o ter assim feito correr uma ou duas vezes atrás do cavalo, o cavaleiro acerca-se o mais possível do elefante, deixa cair em terra o companheiro justamente atrás dele, do lado de fora; e enquanto atrai a atenção do elefante para o cavalo, o homem a pé vibra-lhe por trás um grande golpe de sabre acima do calcanhar, para atingir aquilo a que no homem se chama o tendão de Aquiles. Chega então o momento crítico: o cavaleiro dá imediatamente meia volta, ajuda o companheiro a montar atrás de si e larga a galope em perseguição do resto da manada, caso tenham atacado mais de uma presa; um agageer hábil mata às vezes três do mesmo bando. Se o sabre é bom, e o homem não é medroso, o tendão fica completamente cortado; mas de qualquer maneira fica suficientemente atingido para que o animal quebre a parte restante no esforço que desenvolve. Seja como for, o animal fica incapaz de dar um passo até que o cavaleiro volte, ou o seu companheiro se antecipe a trespassá-lo com azagaias e lanças; o animal então desaba, e não tarda a sucumbir à hemorragia.
... apesar da habilidade dos cavaleiros, o elefante às vezes agarra-os com a tromba, derrubando em seguida o cavalo, e depois calca o homem com as patas e arranca-lhe os membros um a um; muitos caçadores morrem dessa maneira". (James Bruce - cerca de 1770 - em Os Elefantes, Richard Carrington, 1963).

3 ou 4 formas de matar elefantes (1)

"Veldfire" Acrylic on Linen by Fuz Caforio
An elephant leading the herd away from the fire - em http://hedgiesjoy.blogspot.com


"Durante a estação seca, quando as ervas ressequidas, de 3 e 4 metros de altura, são extremamente inflamáveis, uma grande manada de elefantes pode encontrar-se no meio dessas altas ervas sem que ninguém os veja, a não ser que olhe por cima de algum lugar elevado. Se um caçador indígena os descobrir, imediatamente dará alarme em toda a vizinhança e não tarda que toda a população se reúna para organizar a caçada. Para isso os homens formam um vasto círculo, de uns 3 quilômetros de diâmetro, e ao mesmo tempo põem fogo às ervas a fim de cercar todo o centro pelas chamas. O elefante tem medo instintivo do fogo e horror de ouvir crepitar as chamas quando a erva arde. À medida que o círculo de fogo se aperta sobre os animais cercados, estes tentam primeiro bater em retirada enquanto não compreendem que a sua situação não tem saída; porém logo perdem a esperança, desvairam-se, tomam-se de pânico ouvindo a gritaria louca dos milhares de homens que os cercam. Por fim, meio sufocados pela fumaça e aterrados pela aproximação iminente das chamas rugidoras, os pobres animais rompem desesperadamente para o meio do braseiro; queimados, cegos, serão ao cabo mortos brutalmente a lançadas pela turba sanguinária que aguarda essa debandada final. É a matança em grande escala da qual podem ser vítimas até 100 elefantes de uma vez, ou mesmo mais. A carne é então cortada em longas postas e colocada a secar, e cada parte do animal submetida ao fumeiro sobre suportes de lenha verde; os despojos dividem-se entre as aldeias que participaram da caçada. Repartem-se também as defesas, das quais certa parte cabe de direito aos diferentes chefes das aldeias e ao que dirigiu a caçada". (Sir Samuel Baker, em Os Elefantes, Richard Carrington, 1963).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Intervalo com elefantes

Ao mesmo tempo que a dor ou a loucura lhes emprestam audácia, os elefantes solitários não tardam a encher-se de desprezo pelo gênero humano. Perdem a timidez e a prudência naturais e fazem atrevidas incursões nas terras cultivadas. Abatem cercas, até mesmo casas com uma desenvoltura maligna, e atacam sem hesitar qualquer ser humano que encontrem no caminho. Vejamos por exemplo uma das suas tropelias neste relato de Tennent: em pleno dia, perto de Ambogommoa, um elefante solitário observava um grupo de trabalhadores ocupados na colheita do arroz; atrevidamente avançou para o meio dos homens, apoderou-se de um feixe de e retirou-se tranquilamente para o mato com sua presa. O temor que inspiram esses solitários faz com que passem muitas vezes por comedores de homens. Assim, um elefante que pouco depois de 1870 manteve em terror toda a região de Mandla, perto de Jubbulpore, nas províncias centrais da Índia, teria, como era voz corrente, devorado pedaços das suas inumeráveis vítimas. Isto decerto não passa de lenda, pois os elefantes são exclusivamente vegetarianos, mas a superstição nasceu talvez do fato de o animal brincar com os membros dos indígenas despedaçados, que segurava na boca. Este elefante foi morto, afinal, por oficiais europeus.(Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Intervalo com o mamute

Já expus em outro lugar como os corpos congelados de mamutes contando uns 20 mil anos foram descobertos em terrenos glaciais da Sibéria por exploradores russos. Basta frisar aqui a importância dessas descobertas, que vêm completar os nossos conhecimentos sobre este animal extraordinário. Encontraram-se na Sibéria restos tão completos que permitiram reconstituir integralmente o mamute (de que há um exemplo famoso no Museu Zoológico de Leningrado); e sobre essas carcaças a carne, depois de descongelada, era ainda tão fresca que os cães puderam comê-la, e mesmo certo dia foi servida num banquete a um grupo de sábios russos. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963).

sábado, 28 de maio de 2011

... elefantes

Estudo de elefante (Rembrandt van Rijn)
Os elefantes costumam nadar ou patinhar na água lamacenta apenas pelo prazer de estar na água. O banho de um elefante é um espetáculo divertidíssimo. Os animais cobrem-se de lama e barritam, atiram-se água uns aos outros, ou estendem-se ao comprido com o ar satisfeito de velhos senhores tomando o seu banhozinho na praia. Dão cambalhotas na areia em alegre perseguição, soltam gritinhos de júbilo e dão-se encontrões na água. Os mais atrevidos brincam de dar pequenas pancadas nas costas da mãe, estendida na margem, ou despdem com a tromba um jato de água contra algum velho macho muito digno. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 21

Os elefantes jovens da África também podem ser treinados para magníficos números circenses.
(Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Intervalo com elefantes

Tem sido muito notado que os elefantes cativos adoram álcool. Qualquer elefante que se respeita engole os seus cinco litros de cerveja com o entusiasmo de uma equipe de cricket depois de uma partida encarniçada. Charles Holder, em The Ivory King (O Rei do Marfim), fala de um eleante que sabia desarrolhar uma garrafa de vinho e beber-lhe o conteúdo sem derramar uma gota. Infelizmente os elefantes selvagens raramente têm à sua disposição bebida dessa qualidade, porém manifestam quase tanta alegria quanto os seres humanos diante de qualquer substituto que lhes seja oferecido. O comandante Blunt, por exemplo, em seu livro intitulado Elephant (Elefante), fala de um elefante selvagem da África que se tomara de tal paixão pela aguardente de milho fementado que fazia surtidas noturnas a uma aldeia indígena para o conseguir, com inteiro desprezo dos métodos habitualmente empregados para repelir os invasores. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

sábado, 21 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 2

imagem de www.ionline.pt
(...)
Esta brincadeira pode durar muito tempo, mas o período de união é breve. O macho segura a fêmea por trás; estende-lhe as patas dianteiras sobre o dorso até a altura dos ombros, não lhe apertando o corpo pelos flancos como fazem os outros animais. Quando operou a penetração, deixa-se normalmente cair sobre as patas traseiras até ficar quase em posição de sentado; depois vai se erguendo progressivamente, de modo que ao cessar o coito está quase de pé, com as patas da frente pousando de leve na parte traseira da fêmea. Nenhum outro movimento é perceptível durante todo o tempo da união, e após os gritinhos, grunhidos e barritos por ocasião do primeiro esforço a realizar para a montada, o coito decorre geralmente em silêncio. A operação dura de vinte segundos a quatro minutos, embora se tenham observado já períodos mais longos. Acabado o ato, o macho retira-se em silêncio; a fêmea por vezes grunhe meigamente, e manifesta o seu contentamento batendo as orelhas e agitando a cauda. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

Intervalo com elefantes

by wikipedia
(...)
a crer nessa lenda a fêmea, na primavera, abre uma cova profunda, guarnece-a de frutos e forragens e em seguida deita-se nela. Lança então um apelo apaixonado ao companheiro e, quando este chega, os dois animais ficam um mês inteiro em permanente abraço, consagrando-se exclusivamente ao amor, excetuadas algumas interrupções de em vez em quando para dividirem entre si os alimentos preparados pela fêmea previdente. Esse maravilhoso conceito nunca foi confirmado pela observação; todavia, conforme nota Williams, os fatos reais são pouco menos emocionantes. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Intervalo com elefantes

Além do seu emprego como animal de carga, puxador e montada para caçar, o elefante prestou em outros tempos ao homem serviços inesperados. Vimo-lo, por exemplo, em diferentes circunstâncias, servir de carrasco. O amestramento dos elefantes para esse papel era um tanto macabro, pois obrigavam-no a ensaiar diversas vezes com uma vítima imaginária. Começavam dando-lhe ordem para "matar o patife"; então o elefante enrolava a tromba em torno do corpo virtual do malfeitor, depositava-o no chão e lentamente pousava as patas da frente no lugar onde estariam os seus membros. Ao fim de alguns minutos dessa manobra o elefante imobilizava-se, com a tromba erguida acima da cabeça. E quando lhe pediam que terminasse a execução, o animal pousava uma das patas dianteiras sobre o abdomen da imaginária vítima, e a outra sobre a sua cabeça, destruindo assim todo vestígio de vida. Havia ainda outro costume, que consistia em utilizar dois elefantes para inclinar uma para outra duas árvores próximas; a vítima era então amarrada às árvores por meio de cordas, um braço e uma perna de cada lado. A um dado sinal os elefantes soltavam as árvores e o criminoso era dividido em dois. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Intervalo com elefantes

Cena do filme Água para Elefantes
O estudo do sono dos elefantes ocupa uma parte importante da monografia de Benedict. Suas pesquisas foram realizadas na América em certo número de elefantes de circo, e especialmente numa fêmea asiática chamada Jap. (...) Benedict fez uma primeira série de observações durante o dia e nunca viu Jap dormir, à exceção de um ligeiro sono que ela fazia, de vez em quando, de pé. Assim dormitando mostrava a tromba pendente, com a ponta pousada no chão, levemente curva, de olhos fechados e sem nenhum movimento perceptível do corpo. As observações foram feitas durante as 24 horas seguidas, e prolongaram-se por 9 dias sem interrupção. Na primeira noite Jap pareceu incomodada pela luz e pela presença de observadores na sua baia, e teve apenas um sono muito curto, de pé, às 03h40 da manhã. Todavia na segunda noite, aos 30 minutos da madrugada, fez as delícias, deitando-se, dos que a observavam. Adormeceu imediatamente, e hora e meia depois começou a roncar, provocando ainda maior entusiasmo. Às 2h20 acordou e pôs-se de pé, mas para de novo se deitar às 3h58 e tornar a adormecer. Desta vez fustigou o chão com o rabo durante vários minutos, mas não tardou a serenar pondo-se a respirar dificilmente. Por fim acordou às 6h, com a sua cota de sono para essa noite. (...) Este número provando que os elefantes podem gozar de perfeita saúde com bem pouco sono. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963).

sábado, 14 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 4

Durante a sua vida, que tem aproximadamente a mesma duração da do homem, o elefante dispõe, para o seu serviço, de vinte e quatro desses molares admiravelmente construídos. Porém em nenhum momento pode utilizar-se deles, nem sequer possui mais de um, ou dois incompletos, de cada lado de cada um dos maxilares. Enquanto se gasta o primeiro grupo de quatro dentes, quatro novos nascem atrás. Pouco a pouco eles deslocam-se para a frente, substituindo os velhos que terminam por cair. O processo repete-se. Cada um dos dentes sucessivos é mais grosso que o anterior e tem maior número de lâminas transversais. Assim, no elefante da Índia o primeiro dente tem em média quatro lâminas, o segundo oito, o terceiro doze, o quarto doze, o quinto dezesseis e o sexto vinte e quatro. Os números correspondentes no elefante da África são 3, 6, 7, 7, 8 e 10. Quando 6 dentes se sucederam em cada metade de cada maxilar, não nasce mais nenhum e o animal fica impossibilitado de se nutrir. Isso, naturalmente, contribui para causar a morte dos elefantes selvagens, entre os quais, pela idade de sessenta anos, os derradeiros molares começam a cair. (Richard Carrington, Os elefantes, 1963)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 3

Sofia Giordano Clerc, Elefante indiano, litografia, 1827
Para os que precisam viajar em elefante, há diversos modos e subir para o animal. A escada, que constitui o processo mais simples e fácil, seria considerada aviltante no Extremo Oriente e preferem-lhe métodos mais arriscados. Se o mahut ensinou o elefante a pôr-se de joelhos, vai tudo muito bem: o viajante pousa o pé numa das patas dianteiras, agarra-se à orelha e sobe pelo pescoço do animal utilizando sua coleira. Porém os mahuts nem sempre gostam de obrigar os seus protegidos a ajoelhar, tratando-se de operação que exige grande esforço de tão volumosas criaturas. Em vez disso ensinam o elefante a oferecer ao passageiro dois estribos, um com a pata da frente erguida, outro com a tromba arrebitada. Esse método é um tanto cansativo para as pessoas corpulentas ou idosas. Também se pode recorrer ao uso combinado de uma das patas traseiras e do rabo para que a pessoa se guinda, ou deixar-se levantar pela tromba para ser depositada na cabeça do animal. Em geral a maioria das pessoas acha agora mais seguro e também mais rápido viajar de trem, o que não é de admirar. (Richard Carrington, Os Elefantes, 1963)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Intervalo com elefantes 2

(...) 
O mais simples e eficaz dos métodos empregdos para caçar o elefante, largamente praticado na África até bem pouco tempo, é o fosso. no caminho frequentado pela caça abre-se um fosso de paredes inclinadas, que se cobre de ramos e de uma camada de terra. Os melhores lugares são as proximidades dos rios, pois os elefantes necessitam beber abundantemente todos os dias; não é raro encontrarem-se carreiros bem traçados levando aos pontos de água. O fosso mede em geral de 3 a 3,50 metros de comprimento por 2 de largura em cima, e as paredes convergem para um ponto situado a mais ou menos 4 metros abaixo do nível do chão. Graças à forma especial do fosso, o elefante apanhado fica com as pernas em tal posição que qualquer movimento lhe é defeso e a evasão praticamente impossível. Existe também um modelo de armadilha diferente: trata-se de um fosso retangular ou circular eriçado de estacas, nas quais o animal se empala. (Os Elefantes, Richard Carrington, 1963)