Mostrando postagens com marcador o pato que queria ser o tio patinhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o pato que queria ser o tio patinhas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Pato que queria ser o Tio Patinhas - Fim parte 1: O peixe


O raio na água, a luz estroboscópica e a música marcial que sucederam o insight do peixe na parte 8 mudaram tanto a vida do pato quanto do peixe. 
O peixe tinha percebido que o capitalismo selvagem não valia a pena. Que se continuasse dando murro em ponta de faca morreria de estresse, infarto, câncer nas guelras.

Imaginou os paramédicos empurrando a maca com ele em cima pelo corredor verde fosforescente do hospital. A porta da sala de cirurgia com 2 escotilhas redondas. Os tubos nas veias. A máscara de oxigênio. As linhas verdes do gráfico e o bip contínuo do monitor cardíaco da UTI.

Não pretendia esse fim.

Demitiu-se. Casou-se com o namorado na Argentina. Os dois vestidos de fraque. Ao fim da cerimônia protagonizaram o primeiro beijo gay do blog.

Viveram felizes para sempre. Agora mesmo estão sentados os dois, abraçados, na janela da casa em um condomínio cercado de algas e vegetação subaquática, com muito lodo para as piabas gêmeas adotadas brincarem.  

O Pato que queria ser o Tio Patinhas - Fim - parte 2: A pata

A pata virou a vilã da história-novela.

Tivesse canalizado o tino empresarial, o senso de oportunidade para os negócios lícitos do pato, teria se divorciado. Faria um concurso no tribunal. Venderia imóveis. Candidatar-se-ia à vaga do peixe na firma do Tio Patinhas.

Mas a ambição ilimitada foi sua perdição.

Certa que convenceria o marido pato a ser mais rico que o Tio Patinhas e o Bill Gates juntos, a pata armou. E se deu mal.

Com mil artifícios de sedução que só as patas conhecem - dança do ventre, ambiente aromatizado, luz indireta, música lounge, vinho chileno, depilação – a pata engambelou o pato. Fez com que ele bebesse todas. Depois, que assinasse uma procuração em branco. Transferindo a ela todos os bens a serem adquiridos com o último desejo. Inclusive a moedinha nº 1.

Foi pega em flagrante. Pela policia federal. Que investigava o enriquecimento do pato. Em conta-fantasma da pata na Suíça.

Com a boca na botija. Apareceu na tevê algemada. Escoltada por dois gansos marombados e de boné preto. Casaco tentando tapar o rosto. Sendo empurrada para dentro do camburão.

O fim natural da pata-heleninha, da pata-odete-roitman, da pata-georgina-dos-santos, da pata-flora foi o xilindró. Como não podia deixar de ser. Descabelada, gerenciando uma rede de comércio ilegal de cigarro picado e desodorante roll-on na carceragem.

O Pato que queria ser o Tio Patinhas - Fim - parte 3: E o pato?

Nunca se soube o teor da conversa do pato com o peixe na parte 12. Nem o último desejo do pato. Extirpou o rabo e as orelhas? Casou, mudou e não deixou endereço? Voltou a ser rico?

Foi visto pela última vez em close. A cara mais feliz do mundo.

Ao afastar-se a câmara, muito lentamente, os indícios:

No meio do lago. O por-do-sol ao fundo. Um barco. Branco. Barco não. Um iate branco. Conduzido pelo sisudo mordomo Garnett.

A câmara volta ao pato.

Vestido com o jaquetão vermelho. Cinto preto. Cartola. Bengala. Polainas. Óculos de leitura. O pato enfia a mão no bolso e tira algo. Que cintila com os últimos raios do sol.

A câmara aproxima-se. Da mão-asa aberta do pato. Uma moeda.

A moedinha número 1. De quem? Dele. Do Tio Patinhas.

A câmara afasta-se. O rastro de água do iate. Até a margem do lago.

O iate diminuindo, diminuindo, diminuindo até desaparecer no horizonte.

Pato sortudo...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Comentário antes do fim

De conto de fadas a história do pato que queria ser o Tio Patinhas virou novela.
Novela de sucesso estende-se noite após noite, mês após mês, anos até, a se perder de vista. Novela sem audiência termina rápido e depois de 2 dias ninguém se lembra do nome da mocinha. 
Feliz ou infelizmente nenhum dos casos é o da novela do pato que queria ser o Tio Patinhas. Uma noveleta experimental, de blog. De cunho moral, ético e filosófico.
Todo último capítulo de novela que se preza tem casamento, julgamento, morte, revelação de segredo, solução de crime, enriquecimento justo, beijo, lágrima, risos e punição. Esta não fugirá à regra. No próximo post. 

Aguardem!

O pato que queria ser o Tio Patinhas - penúltimo capítulo

A fúria de um tufão tropical avassalava a floresta. Arrancava árvores pelas raízes. Destelhava as casas de campo. Ondas gigantes encapelavam-se na superfície do lago.

Mesmo assim o pato chamou o peixe.

O peixe veio. Mal humorado. O pato desculpou-se pelo incômodo. Precisava comunicar pessoalmente ao peixe o último desejo. O peixe condescendeu.

Conversaram até o tufão passar. E o sol surgir entre as nuvens, resplandecente, rebrilhando nas gotas da chuva depositadas nas folhas, secando as penas do pato.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 12



Da mesma forma que a pata na Parte 4 da história, o pato teve dúvidas.

(Recordando o dilema tripartido da pata: a. salvar o casamento por interesse; b. convencer o pato a ser rico de novo; c. divorciar-se após garantir o futuro).

O pato pensou, pensou e pensou.

Se fosse pata, de tanto pensar teria botado um ovo.

As conclusões do pato também podiam ser listadas em “a”, “b” e “c”. A aparência física não o incomodava. O pato não era vaidoso. O amor pela pata tinha fenecido. Sufocado pela hera da ambição. Da desconfiança. Da traição. (O ganso?) Restava ao pato o postulado da alínea “c” - o sonho do início da história – ser rico como Tio Patinhas.

O pato pensou mais.

Antes de tomar a decisão da sua vida, chamou o peixe. Para uma conversa de pato para peixe.

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 11

Na Parte 3 desenrolou-se o imbróglio dos 3 desejos.

O pato tinha desperdiçado 2 por pura estultice: com o 1º, surgiram-lhe orelhas e rabo de burro; com o 2º ficou pobre como no começo da história. Depois, bico calado.

Pobre pato pobre. Ainda por cima burro.

Mas apesar de pobre, simplório, néscio, turrão, fraco de opiniões, burro, sem noção, sem visão e etc, o pato percebeu o momento crucial.

Compreendeu que se se esforçassse, se mantivesse a cabeça fria, se não se deixasse levar pela impulsividade tiraria o máximo proveito da situação.

Seria o lampejo de inteligência do pato efeito colateral da neurolinguística do peixe?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 10

O pato desejou. O pato pediu. O pato foi atendido. Virou o Tio Patinhas. O Bill Gates. Como foi fabulado na Parte 2. 

O pato se satisfazia com o limite da fantasia. Porém, com a pata era diferente.

A pata não se satisfazia com churrasco na laje. Com calcinhas de loja de departamento. Com bolsa da feira do Paraguai. Com mergulho em cédulas de dólares. Com champanhe e petit-fous para o chiuaua. A pata não suportava o mordomo Garnett. Queria ser presidenta, rainha, imperatriz, papisa, deusa. Sabe-se lá o que mais.

Para a pata, tudo era sempre pouco. A pata tinha visão de futuro.

Mas, para alcançar o almejado a pata necessitava do pato.

Do pato estulto.

Do pato a quem bastava ser o Tio Patinhas.

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 9


A ideia do peixe era colocar em prática as teorias e as técnicas aprendidas - na empresa incubadora da faculdade, na pós de Administração, no posto sênior da firma do Tio Patinhas - para engambelar o consumidor. Com seus superpoderes.

O peixe tinha encontrado a cobaia certa. O pato simplório.

O desejo do pato era normal. Ascensão social. Claro que pulando muitos degraus, andares inteiros, mas mesmo assim, ascensão. Ser o Tio Patinhas era o toque filosófico no anseio do pato. O toque humorístico. O toque nonsense.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 8

Recapitulemos.

Parte 5. O peixe estava uma pilha de nervos. Por causa do trânsito, das metas abusivas, da DR (Discutir o Relacionamento) com o namorado, da impossibilidade de fumar um cigarro no fundo do lago.

Parte 5 e Parte 6. Que falam do grau de intensidade com que as ondas cerebrais dos peixes, a neurolinguística e os métodos de condicionamento propagam-se no mundo subaquático, no das fábulas, no da internet e nas ficções em geral.

Aquilo tudo junto tinha dado um curto-circuito no cérebro do peixe. Falha na sinapse dos neurônios, excesso de fosfato, deficiência de litium.

O peixe rebelou-se. Contra o sistema. Tinham lhe dado aqueles poderes todos? Para embromar os consumidores? Para atender às demandas do capitalismo selvagem? Para aumentar a margem de lucros do Tio Patinhas?

O peixe teve uma ideia. Brilhante. Fulgurante. Mirabolante. Espetacular.

Caiu um raio na água. Borbulharam bolhas da cor do arco-íris. Tocou música marcial. Piscou luz estroboscópica.

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 7


Nem frustração nem ilusão. Que o leitor incrédulo dê o braço a torcer com a constatação do narrador: essa história de neurolinguística funciona. Até debaixo d’água.

Aliás, funciona melhor por ser debaixo d’água. E por tratar-se de fábula, conto de fada, blog, ficção.

Funcionou com o pato. Como pode ser comprovado nas partes de 1 a 6 da história.

Só tinha um porém.

O peixe.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 6


O peixe já entregava os pontos quando veio o pato. O peixe pediu para o pato desenroscar a rede de náilon. O pato demorou a compreender, pois também queria escapar. O peixe teve paciência com a lerdeza do pato. O pato era sua salvação.

Finalmente foi libertado.

O peixe simpatizou-se com o pato. Aplicou neurolinguística, psicologia comportamentalista. O pato foi receptivo. A onda cerebral do peixe penetrou o intelecto do pato. O peixe descobriu o ponto fraco do pato. A história de querer ser o Tio Patinhas.

O pato representava o consumidor potencial. Uma tábula rasa em termos de desejo de bens materiais. O pato pensou com seus poderes, conferidos pelo Tio Patinhas em pessoa: Tudo o que o pato desejasse o capitalismo selvagem proveria.

Nem que fosse em forma de frustração.

Ou de ilusão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O pato

Finalmente uma foto original

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 5


Era uma vez um peixe. Um peixe de classe média. Nasceu no meio dos juncos, cercado do carinho dos pais e da companhia dos irmãos. Frequentou os melhores jardins de infância Montessori, Piaget. Cursou o ensino básico e médio em escola alternativa, eubiose, método Paulo Freire. Fez aulas de inglês. Guitarra. Mergulho. Passou em primeiro lugar no vestibular. Cursou Direito, Administração, Contabilidade. Trabalhou nas empresas mais top do lago, galgando a ascensão profissional degrau a degrau. Até chegar a ouvidor na empresa subaquática do Tio Patinhas.

A função do peixe era, óbvio, ouvir. E solucionar. Ouvia reclamações das mais coerentes às totalmente esdrúxulas. E resolvia problemas em geral.

O dia em que fora salvo pelo pato foi péssimo. Se fosse possível, o peixe teria fumado um cigarro para desestressar. Problemas insolúveis. Pressão do chefe. Corte de gastos. Engarrafamento. Para completar, a tarrafa.

Embaraçou-se por pura distração. Quanto mais debatia, mais se embaraçava. Mínima chance de sobrevivência. Destino inglório o do peixe, tão estudado, tão competente, virar moqueca.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Explicação necessária

As imagens que ilustram a história do pato que queria ser o Tio Patinhas são pirateadas a partir de pesquisa no google. As que eu gostaria de postar estão em livros encaixotados, sabe-se lá guardados onde.

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 4


Depois do ocrrido a pata obrigou o pato a fechar o bico. Por receio dele gastar o último desejo.

A pata enfrentava um dilema tripartido: a) como conciliar a convivência com o horroroso pato-burro e ainda por cima pobre; b) convencer o pato a aceitar sua condição híbrida, desejar ser rico de novo, nem que fosse só quaquilionário como o Tio Patinhas; c) tirar o máximo proveito do desejo do pato e em seguida pedir o divórcio.

Quanto à alínea “a” era moleza. Ela nunca tinha sido de grandes arroubos amorosos. Quanto à “c” também não teria dificuldades. O pato era um sujeito fácil de se convencer. O problema estava em “b”. O pato era turrão.

Enquanto a situação no ninho dos patos não se resolvia, vejamos a história do peixe.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 3

Para o pato, ter sido o Tio Patinhas bastava. Mas a pata era insaciável. O pato repetiu as palavras do peixe. A pata exasperou-se: Jumento! Só mais 3 desejos?
 
Pois eu preferia que me nascessem orelha e rabo a aguentar tanta falta de respeito - o pato retrucou. 
A pata viu horrorizada surgirem orelhas e rabo cabeludos surgirem no pato.
 
Tomado de fúria, o pato não notou a transformação. Continuou: eu preferia voltar a ser pobre, mais pobre que o Tio Patinhas, pobre do jeito que a gente era antes de encontrar o peixe do que pedir a ele nem que fosse um alfinete.
 
Ai, meu deus! gemeu a pata. No mesmo instante o edifício de 152 andares se transformou-se primeiro na caixa forte e por fim no velho e miserável ninho. As roupas chiques da pata viraram molambos. As joias, bijuterias. O perfume francês virou colônia paraguaia.
 
Além do mais – continuou o pato – eu queria mesmo...
A pata era rápida em matemática. Fez as contas: o pato tinha desperdiçado 2 desejos. Faltava 1. Precisava salvar a situação, custasse o que custasse. Interrompeu. Implorou:
Nem mais uma palavra ou você põe tudo a perder.

(continua amanhã)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas - parte 2

Certo dia o pato pobre enrolou-se em uma tarrafa quando nadava no lago. Ao desembaraçar-se, notou um peixe aprisionado nela. Apesar de néscio, o pato era bondoso. Libertou o peixe. Em troca, o peixe ofereceu gratidão eterna. Caso o pato necessitasse, era só chamar.

O pato contou o sucedido à pata. A pata enfureceu-se. – Otário – vociferou – não vê que era um peixe encantado? Volte e peça a ele te transformar no Tio Patinhas.

O pato obedeceu. Chuviscava. Chamou o peixe. O peixe atendeu o pedido. Ao invés do ninho, ao voltar o pato encontrou a caixa-forte do Tio Patinhas. Ao olhar-se no espelho, viu-se vestido com o jaquetão vermelho, a cartola, as polainas e os óculos de leitura do Tio Patinhas.

Nadou em dinheiro. Almoçou em Paris. Jantou em Nova Iorque. Rodou o mundo. Aproveitou. Gastou.

Até baixar o nível do dinheiro da caixa forte. A pata repreendeu o pato: - Simplório até no desejo! Tio Patinhas é mendigo ao lado de Bill Gates! Mandou o pato procurar de novo o peixe.

O pato foi. Chovia a cântaros. O peixe atendeu o desejo. O pato encontrou, ao invés da caixa-forte, um edifício de vidro espelhado de 152 andares. A pata fez cirurgia de redução do estômago, esticou as rugas, diminuiu o bico, suspendeu os supercílios.

A pata não tinha mais tempo para o pato. Esteticista. Massagista. Psicanalista. Costureira. Etcétera. Brigavam nos poucos momentos que passavam juntos. Por descontentamento da pata. Reclamava de tudo. Da internet. Do celular. Do mordomo Garnett. Da falta de ambição do pato.

A pata mandou o pato voltar ao peixe. O pato, mesmo burro, sabia. Não era boa ideia. Mas tanto a pata atazanou que ele foi. Caía uma tempestade. O pato quase foi arrastado pelo vento. Quase foi atingido pelo raio. Quase ensurdeceu com os trovões.

O peixe estava contrariado. Apesar de considerar a dívida mais que paga, concederia ao casal palmípede três desejos-bônus. E que se escafedessem ou se arrependeriam para sempre. 

(continua amanhã)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O pato que queria ser o Tio Patinhas


Era uma vez um pato. Um pato pobre. O sonho do pato era ser muito rico. Rico como o Tio Patinhas.

Para ser o Tio Patinhas o pato até vestiria o jaquetão vermelho ridículo. O cinto preto de fivela larga. As polainas. A cartola. Morreria de medo dos irmãos-metralha levarem-lhe a moedinha nº 1. Cercar-se-ia de sobrinhos-urubus interesseiros, que só esperavam a herança. Qualquer coisa. O pato não via desvantagens em ser o Tio Patinhas.

Só que para ser rico era necessário ser, antes de tudo, inteligente. Esperto. Ousado. Atirado. Oportunista. O pato não era nada disso. Era apenas um pato.

Se fosse rico o pato construiria uma piscina. Igual à do Tio Patinhas. Nadaria em dinheiro. Tudo bem, seria nojento, incômodo, o cheiro deveria ser horrível, dinheiro passa de mão em mão, é cheiro de bactérias, dinheiro é sujo, dinheiro é isso, dinheiro é aquilo. Não importava. Para o pato, dinheiro era bom. E quanto mais, melhor.

Se fosse rico o pato andaria de limusine. Helicóptero. Jatinho. Submarino. Mandaria e desmandaria. Investiria na bolsa. Negociaria poços de petróleo. Abraçaria causas humanitárias. Sonegaria impostos. Teria o que quisesse. Na hora que quisesse.

Contrataria um mordomo chamado Garnett. Alfaiate. Barbeiro. Chapeleiro. Dama de companhia. Estagiário. Faxineira. Geriatra. Homeopata. Intérprete. Jardineiro. Lavadeira. Nutricionista. Ourives. Personal Trainer. Quiropata. Relações Públicas. Segurança. Tradutor. Urologista. Vidente. Webdesigner. Xerife. Zelador. De A a Z, tirando o K e o Y.

Mesmo sem ter nada de seu, o pato repetia para quem quisesse ouvir: pagaria o que estivesse ao alcance para ser o Tio Patinhas. Nem que fosse por um dia. Um dia não. Uma semana.

Já pensou passar o dia no shopping? Comprar o que lhe desse na telha? objetos com a letra “c”? Carro. Cafeteira. Creme. Celular. Computador. Cristais. Chocolate. Caviar. Colônia. Chantili. Cigarreira. Frequentar os melhores restaurantes só para comer só pratos começados com “f”? Foundi. Frapê. Fromage. Focaccia. Faisão. Framboesa.

Uma semana não, um mês. Para viajar na primeira classe. Fechar os olhos e apontar o mapa-múndi: Montevidéu. Miami. London. Taiwan. Pirâmides do Egito. Palácio de Versalhes. Caribe. Esqui nos Alpes. Ser recebido pelo papa no Vaticano. Tomar caipirinha no terraço do Copacabana Palace. Assim por diante.

O pato apregoava em alto e bom tom: dinheiro traz felicidade sim. Pato sem noção. De Política. De História. De Economia. De Sociologia.

Continua no próximo post