sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Memórias da Emília
A tem me enviado histórias. Desagradáveis. Ela diz que quando as ouve lembra-se de mim. A primeira foi sobre uma criança atropelada enquanto a mãe fazia oferenda aos orixás na prainha do Lago Paranoá. A segunda foi sobre uma menina e sua cenoura. As histórias dela estão rendendo, pelo menos o título do próximo livro: "Sete histórias do Além e outras mais próximas". Mas hoje ela mandou o lindo trecho abaixo, das Memórias da Emília, de Monteiro Lobato:
...A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela ultima vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?
O visconde teve que concordar que era.
...A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela ultima vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?
O visconde teve que concordar que era.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Sobre o título Histórias Desagradáveis
O título surgiu não me lembro mais como. É sonoro, irônico, direto, atrai e repele ao mesmo tempo. Da família das Histórias Hediondas, das Histórias Extraordinárias, de Glauco Mattoso e Poe. Combinou com o clima dos contos, com a imagem da capa, até com a fonte escolhida por G.
Mas...
Foi a amiga C que descobriu: “você já leu Leon Bloy?” Não, eu nunca tinha ouvido falar. Pois é. Escritor e (mau) pintor francês da segunda metade do século XIX (Wikipedia, Infopedia). Filho de fervorosa mãe católica. Funcionário público medíocre (!), iconoclasta, socialista. Em algum momento da vida converteu-se ao catolicismo: a) por influência do escritor d'Aurevilly (também nunca tinha ouvido falar); b) por casar-se com uma prostituta ensandecida que previa o apocalipse; ou c) por amor a sua segunda esposa paupérima dinamarquesa). Entre 1893 e 1894 escreveu uma série de contos cruéis: Sueur de Sang (Suor de Sangue?) e Histoires désobligeantes (Histórias Desagradáveis). Morreu em Paris, em 1917, “delirando num fervor religioso exagerado e o seu imaginário invadido por imagens pavorosas do Apocalipse”, nas palavras da Infopedia.
Além dessa história trágica, achei também outro título igual: A Face Cruel e outras Histórias Desagradáveis, de David Nasser, jornalista da revista O Cruzeiro, publicado em 1961.
De Bloy há uma edição esgotada em português (Estampa Editorial). Opções: 1. tentar ler no meu francês neandertal, e vai durar séculos; 2. tentar encomendar no site da Estampa, em Portugal, que também pode durar uma eternidade; ou 3. Garimpar nos sebos virtuais do planeta (já encomendei o David Nasser na Estante Virtual)...
Mas...
Foi a amiga C que descobriu: “você já leu Leon Bloy?” Não, eu nunca tinha ouvido falar. Pois é. Escritor e (mau) pintor francês da segunda metade do século XIX (Wikipedia, Infopedia). Filho de fervorosa mãe católica. Funcionário público medíocre (!), iconoclasta, socialista. Em algum momento da vida converteu-se ao catolicismo: a) por influência do escritor d'Aurevilly (também nunca tinha ouvido falar); b) por casar-se com uma prostituta ensandecida que previa o apocalipse; ou c) por amor a sua segunda esposa paupérima dinamarquesa). Entre 1893 e 1894 escreveu uma série de contos cruéis: Sueur de Sang (Suor de Sangue?) e Histoires désobligeantes (Histórias Desagradáveis). Morreu em Paris, em 1917, “delirando num fervor religioso exagerado e o seu imaginário invadido por imagens pavorosas do Apocalipse”, nas palavras da Infopedia.
Além dessa história trágica, achei também outro título igual: A Face Cruel e outras Histórias Desagradáveis, de David Nasser, jornalista da revista O Cruzeiro, publicado em 1961.
De Bloy há uma edição esgotada em português (Estampa Editorial). Opções: 1. tentar ler no meu francês neandertal, e vai durar séculos; 2. tentar encomendar no site da Estampa, em Portugal, que também pode durar uma eternidade; ou 3. Garimpar nos sebos virtuais do planeta (já encomendei o David Nasser na Estante Virtual)...
domingo, 11 de julho de 2010
Lançamento das Histórias Desagradáveis
Finalmente posso divulgar o lançamento do livro:
Será a partir das 19h do dia 22.07.2010, no Café Savana, 116 Norte
Agora é só segurar a ansiedade e esperar que encha de gente...
(Foto: Carolina Vianna; arte: Gabriel Menezes)
Será a partir das 19h do dia 22.07.2010, no Café Savana, 116 Norte
Agora é só segurar a ansiedade e esperar que encha de gente...
(Foto: Carolina Vianna; arte: Gabriel Menezes)
Sessão cenários
É uma história longa. Começou em 1985/86, com a ida do amigo M para o Porto. Fui em seguida. Trabalhamos três meses no projeto Capuchinho Vermelho. Junto com W fizemos o cenário (a ideia era perfeita, mas o resultado uma catástrofe: um livrão gigante horroroso, de papelão, no meio do palco, cujas folhas eram passadas por duendes no decorrer do espetáculo). Dei aula de arte para crianças da pré-escola (lá chamados de "putos", merecidamente...). Tenho uma ou duas fotos do espetáculo, qualquer hora disponibilizo.
Voltei várias vezes: Borralheira (Cinderela), O Quebra-Nozes, O Patinho Feio, e, por último, A Bela Adormecida. Alguns cenários foram feitos no Brasil e despachados, outros foram feitos lá, com envolvimento integral de uma porção de gente. Alguns processos de criação foram coletivos, outros mais direcionados, é interessante resumir cada um - e postar imagens - ao longo do blog.
Voltei várias vezes: Borralheira (Cinderela), O Quebra-Nozes, O Patinho Feio, e, por último, A Bela Adormecida. Alguns cenários foram feitos no Brasil e despachados, outros foram feitos lá, com envolvimento integral de uma porção de gente. Alguns processos de criação foram coletivos, outros mais direcionados, é interessante resumir cada um - e postar imagens - ao longo do blog.
Sessão cenários - A Bela Adormecida
Esses abaixo foram projetos. A versão definitiva (arquivo perdido para sempre) foi feita em 2007, numa linda casa de montanha, na Serra da Estrela, no norte de Portugal, já quase Espanha. Eu me lembro dos vinhos, da bacia de cerejas, dos pães e do bacalhau assado, e da trilha sonora nas madrugadas, basicamente Gal Costa e Vander Lee.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)
.jpg)

